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Presidente chinês paga dois milhões para ter Ritz por sua conta

Presidente chinês paga dois milhões para ter Ritz por sua conta

Dreamstime Felícia Cabrita 04/12/2018 12:18

Na visita do presidente chinês a Portugal, os pormenores de segurança são levados ao extremo. Xi Jinping traz as suas limusinas, os seus cozinheiros e não quer mais ninguém no hotel.

Dois milhões de euros é quanto Xi Jinping, o presidente da China, em visita de Estado a Portugal hoje e amanhã (ver pág. 18), pagou para ter por sua conta o histórico Hotel Ritz durante dois dias. Mas a despesa feita pelo líder daquele país, que se quer colocar no lugar dos grandes, EUA e Rússia, e que já afirmou que o seu país é uma nova superpotência, não fica por aqui.

Xi Jinping, que só confia em produtos made in China, dispensou a carroçaria portuguesa e traz consigo as três limusines blindadas em que costuma deslocar-se. Mas, como estas têm dimensões superiores às habituais, houve necessidade de alargar quer a entrada da garagem do Hotel Ritz, quer mesmo o portão da saída de emergência do Aeroporto Humberto Delgado, por onde o presidente chinês, entre apertadas medidas de segurança, entra hoje, pelas 8h00. Em ambos os casos, as obras ficaram a suas expensas.

As cautelas do líder do “Reino do Meio” – cuja comitiva e corpo de segurança se deslocam para Portugal em dois aviões – não ficam por aqui. O Ritz vai ter de adaptar o seu buffet pantagruélico e as suas famosas caldeiradas e cataplanas ao arroz chau chau. À semelhança de alguns reis e ditadores, tementes ao veneno, Xi Jinping trouxe na comitiva o seu próprio cozinheiro, que tratará dos seus repastos.

Nesta visita, que está a ser preparada há meses, o presidente da China vai pernoitar numa das luxuosas suítes do Ritz, no 10.o piso, com vista para toda a cidade.

É a primeira vez que o Hotel Ritz, do grupo Queirós Pereira, cede a este tipo de comércio. O ex-presidente Bill Clinton, numa das suas visitas a Portugal, tentou ficar com o exclusivo, mas as suas pretensões não tiveram sucesso.

O ramerrame da vida dos residentes e trabalhadores do quarteirão onde se localiza o Ritz, no coração lisboeta, enquanto o estadista permanecer no país, é que não vai ser o mesmo, pois a circulação está fechada e é restrita a residentes. E mesmo estes têm de obedecer a regras, sendo revistados sempre que entram e saem na zona. Para Maria Celeste Almeida, com quase 40 anos de bairro e 83 de caminhada no mundo, a presença do homem que tem já índices de popularidades semelhantes a Mao Tsé-Tung e o forte policiamento nas proximidades não trazem receios: “Não é a primeira vez que fica no Ritz gente desta. Quando cá estão, até vejo os ninjas no telhado do hotel.” Foi preparada para a mudança no último fim de semana. No sábado, à tardinha, um elemento da PSP bateu-lhe à porta: “Um senhor muito simpático pediu--me o nome, a data de nascimento e perguntou se costumo receber visitas porque, se fosse esse o caso, tinha de dar o nome das pessoas antes da chegada do presidente chinês. Como não dei, não posso receber ninguém. Para se entrar aqui na zona tem de se estar identificado. Nem os carros dos moradores podem estacionar nesta zona. E sempre que saio ou entro em casa tenho de ser revistada.”

Os comerciantes, com o Natal à porta, são quem mais tem a perder com o trânsito vedado. No pronto-a-vestir Frazão, loja de roupa e bijuteria para senhoras mesmo em frente à entrada principal do Ritz, uma empregada mostra o papel que a PSP lhe entregou e lhe serve de bilhete de acesso ao local de trabalho. O sotaque nordestino bem vincado revela que a jovem chegou a Portugal há pouco tempo. No entanto, parece bem informada: “Os chineses já são donos de metade de Portugal, devem vir comprar o resto. Para o comércio por aqui é que o negócio é mau. Não vamos ter clientes.”

Um pouco mais acima, no instituto de beleza Suite 107, a rececionista, indiferente à diáspora comercial de Xi, não apresenta queixas. Parece gostar de momentos solenes: “Os nossos clientes, normalmente, têm marcação. Nós damos a identificação à polícia, que os vai buscar ao local onde deixam as viaturas. Uma escolta sem custos”.

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