16/12/18
 
 
Marta F. Reis 04/12/2018
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

A magnífica notícia... quando for notícia

A tradição é o Papa revelar o local das Jornadas Mundiais da Juventude no encerramento de cada edição. Mas uma notícia não é um anúncio

O anúncio da vinda do Papa a Portugal numa página especializada em religião, assinada por António Marujo, jornalista que acompanha a vida da Igreja Católica, foi uma das notícias do fim de semana. O desconforto com o anúncio das Jornadas Mundiais da Juventude em Lisboa em 2022 ficou patente ontem com as declarações do porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa ao “JN”. “Nunca, em nenhum outro país, aconteceu uma coisa como esta e, em última instância, o evento até pode nem ser realizado cá”, disse o padre Manuel Barbosa, admitindo que se trata de “uma fuga de informação que pode ajudar a que o Papa tome uma decisão contrária”. Com certeza que o anúncio caberá à Igreja e a tradição é o Papa revelar o local das Jornadas Mundiais da Juventude no encerramento de cada edição. Mas uma notícia não é um anúncio. É fácil perceber o desconforto da organização portuguesa, que não guardou melhor o segredo - a confirmar-se o evento, será o início atribulado de uma exigente colaboração com a Santa Sé. Mas imaginar que, estando tomada a decisão, ou pelo menos muito bem encaminhada, o Papa poderá voltar atrás ou deixar de escolher Portugal porque houve um jornalista que deu a notícia é duvidar da misericórdia de Francisco. Em termos mais laicos: “Não creio que este Papa, que tem demonstrado em muitos casos uma informalidade que não se notava nos seus antecessores, vá pôr em causa a visita por causa de um blogue ter divulgado a visita antes do anúncio oficial. Não acredito”, disse ontem à TSF o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros António Martins da Cruz. Marcelo já falou de viva voz sobre o tema tabu. “Seria uma magnífica notícia para Portugal, mas vamos esperar se se confirma, porque há mais candidatos”, declarou. “E ele não a dará antes do Panamá, antes das jornadas de janeiro, vamos esperar”, prosseguiu Marcelo, citado ontem pelo “Público”. Quase parecia a notícia a querer antecipar-se de novo. Resta esperar por janeiro.

 

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