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Militares consomem menos álcool e mais videojogos

Militares consomem menos álcool e mais videojogos

Bruno Gonçalves Jornal i 30/11/2018 16:15

Este estudo sobre as Forças Armadas portuguesas revelou existe uma maior dependência eletrónica, como videojogos “do que propriamente a relação com o álcool"

Foi revelado, esta sexta-feira, um estudo das Forças Armadas que corrobora a “ideia preconcebida” de que o consumo de álcool dentro das Forças Nacionais Destacadas é elevado. No entanto, o mesmo relatório identifica que os militares estão a ficar cada vez mais dependentes das tecnologias.

“As pessoas têm uma ideia de que o consumo de álcool nas Forças Armadas é elevado. É uma ideia preconcebida. O que os estudos da década de 1990 mostraram junto dos nossos aliados - Reino Unido e Estados Unidos - é a de que tinha aumentado o consumo do álcool em pessoas que estiveram destacadas e em missões de combate", explicou à agência Lusa a primeiro-tenente Médico Naval, Diana Fernandes da Terra, autora deste estudo – ‘Prevalência de distúrbios do consumo de álcool em militares portugueses integrados em Forças Nacionais Destacadas’.

"O que parece haver em relação a dependências e, tomando em conta a idade jovem dos atuais militares em missão, é a dependência da eletrónica - videojogos - do que propriamente a relação com o álcool", acrescentou.

A autora refere que "trata-se de forças especiais, têm respeito pelo corpo e pela boa forma física e acham menos problemático outro escape, porque o álcool era muitas vezes utilizado como escape. Hoje em dia veem como escape a eletrónica, incluindo os jogos. O que estamos a assistir é a uma mudança de paradigma da forma como a nossa juventude, que integra as nossas fileiras, faz a gestão do próprio stress".

Este foi uma investigação que estudou os militares que estão no ativo e que tenham participado em missões durante os últimos dois anos, ou seja, de 2015 a 2017. Os inquéritos foram feitos sob anonimato e voluntariamente, tendo depois sido aprovados pela Comissão de Ética da Escola Nacional de Saúde Pública.

Segundo o estudo, os militares solteiros são os que consomem mais álcool e aqueles que têm menor grau de escolaridade são mais propícios a beberem mais.

"Nas Forças Armadas Portuguesas este assunto não estava descrito e o nosso objetivo inicial foi perceber até que ponto era um problema para nós podermos ou não intervir até porque já existem uma série de estruturas nas Forças Armadas que nos permitem encaminhar os problemas", nota a autora.

Quanto ao consumo de substâncias ilícitas, o estudo considera que se trata de um valor “baixo” – com 27 casos registados – em que se verifica "alguma prevalência" de doenças psicológicas, como por exemplo a ansiedade e a depressão.

Diana Fernandes da Terra refere que "foram recrutados 398 militares para o inquérito voluntário: havia muito menos mulheres em missões do que a percentagem existente nas Forças Armadas. Atualmente 14% são mulheres sendo que ainda estão integradas em funções de apoio e menos em funções operacionais”.

"O tabagismo está associado ao consumo de álcool. Um dos fatores preocupantes que encontramos é que temos uma taxa de fumadores que corresponde quase ao dobro da população em geral. Muito elevada comparativamente aos dados da Direção Geral da Saúde", afirmou a especialista, acrescentando que “as pessoas que fumam tabaco têm uma probabilidade duas vezes superiores às restantes de ter uma perturbação de consumo de álcool assim como as pessoas que temeram pela própria vida e as que prestaram apoio a feridos foram identificados como critérios para o aumento do consumo de álcool”.

Para além disso, o estudo conseguiu concluir que a Marinha é quem lida mais com cadáveres, nomeadamente nas missões que fazem no Mediterrâneo. O Exército foi o mais exposto a zonas de teatro – com minas – e situações hostis que envolviam civis. A Força Aérea foi quem teve mais contacto com pessoas feridas em combate, visto que prestam cuidados médicos e apoio a evacuações.

"O objetivo é fazer o acompanhamento. Este teste foi anónimo, mas ainda assim, vale a pena talvez integrar na avaliação médica anual algumas escalas de alerta que identifiquem estas situações para nós podermos referenciá-los para eventual apoio", reforça a especialista, acrescentando que este é um estudo em que não estão incluídos os militares que estão de momento em missões na República Centro – Africana.

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