16/12/18
 
 
António Luís Marinho 30/11/2018
António Luís Marinho
cronista

opiniao@newsplex.pt

Notícias do país dos “camarados”

Os ecos da famosa frase “camaradas e camarados” ainda se fazem ouvir, tal é a novidade linguística

Vemos e revemos, ouvimos e reouvimos, lemos e relemos e não paramos de nos espantar.

Se há semana fértil em dislates, disparates, mas também em decisões acertadas vindas de onde já não se esperavam grandes coisas, esta foi uma delas.

Os ecos da famosa frase “camaradas e camarados” ainda se fazem ouvir, tal é a novidade linguística, mas, sobretudo, a fantástica justificação de Pedro Filipe Soares, uma das “estrelas” do impagável Bloco de Esquerda, que tanto gera especuladores imobiliários, como inventores linguísticos.

Pelos vistos, a intenção desta novidade da língua portuguesa, pomposamente denominada “linguagem inclusiva”, foi a de “vencer a agenda patriarcal”.

Ainda bem que todos percebemos a ideia. Não há como utilizar esta linguagem simples e direta para falar ao povo.

Veio-me à memória uma frase do grande jornalista brasileiro que foi Nelson Rodrigues:

“Invejo a burrice, porque é eterna”.

Depois, temos a nova ministra da Cultura, de quem eu próprio esperava ação e ideias novas, mas que parece mais apostada em inventar polémicas através de manifestações dos seus estados de alma.

Não gosta de touradas e está no seu direito. Não lê jornais portugueses quando está no estrangeiro e fica aliviada. Continua a estar no seu direito. Mas talvez se ficasse calada e guardasse para si ou estendesse apenas ao seu círculo de amigos estes desabafos, ficaríamos todos a ganhar, incluindo ela própria.

Reservo a última parte desta crónica para uma iniciativa do PAN - Pessoas, Animais e Natureza, aprovada no debate da especialidade do Orçamento do Estado, e que prevê a contratação de intérpretes de língua gestual para funcionarem nos hospitais. Só quem não lida de perto com a realidade dos deficientes auditivos, ou é totalmente desprovido de sensibilidade, é que pode ignorar a importância desta medida, que só peca por tardia. Por isso, não se percebe a abstenção do PSD e do CDS.

Quando eu já começava a acreditar que Pessoas, no PAN, era só para enfeitar, eis que sou obrigado a fazer mea culpa.

E é com muito gosto que o faço.

 

Jornalista

 

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