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Brasil. Governador do Rio de Janeiro preso por corrupção

Brasil. Governador do Rio de Janeiro preso por corrupção

Mauro Pimentel/AFP António Rodrigues 29/11/2018 13:17

Pezão é o quarto líder do governo estadual a ser preso, o primeiro em exercício de funções. Terá recebido quase 40 milhões de reais ilícitos

Luiz Fernando Pezão tornou-se esta quinta-feira no primeiro governador do Rio de Janeiro a ser detido no exercício de funções. O político foi detido no âmbito da Operação Lava Jato acusado de receber ilicitamente quase 40 milhões de reais (9,15 milhões de euros) entre 2007 e 2015.
Além do governador, a polícia federal deteve mais seis pessoas, sendo que nove mandados de prisão e 31 de busca e apreensão foram emitidos. Entre os detidos está um sobrinho do governador, Marcelo Santos Amorim e os secretários de Obras, Iran Peixoto Júnior, e de Governo, Affonso Henriques Monnerat Alves da Cruz.
Pezão segue assim as pisadas do antigo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de quem foi vice, também preso por corrupção e condenado o ano passado a 14 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mais 45 anos por fraude noutro processo.
De acordo com o testemunho de Carlos Miranda, operador financeiro de Sérgio Cabral, no âmbito da sua delação premiada, Pezão recebia 150 mil reais (34,3 mil euros) por mês de forma ilícita quando era vice-governador de Cabral. Esta operação específica, derivada da Lava Jato, foi batizada de Operação Boca de Lobo.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o governador tem um esquema de corrupção próprio, com os seus próprios operadores financeiros. De acordo com provas documentais reunidas pelos procuradores, Pezão recebeu quase 40 milhões de reais até 2015 – a justiça determinou o arresto de bens no valor de 39 milhões de reais (8,9 milhões de euros). Mas o MPF está seguro que o esquema de corrupção continuava em vigor e o pedido de prisão preventiva visa evitar que haja interferência na investigação.
A relação entre a política e o crime no Rio de Janeiro parece uma constante dos últimos anos, porque além de Pezão e Cabral, outros dois ex-governadores estaduais foram presos preventivamente por crimes eleitorais, o ex-candidato presidencial Anthony Garotinho e a sua mulher, Rosinha Garotinho. Ambos foram libertados e aguardam julgamento. Desde 1999, de todos os governadores que passaram pelo Palácio das Laranjeiras só Benedita da Silva, do PT, nunca foi presa. E antes de 1999, há ainda um, Moreira Franco, que está a ser investigado no âmbito da Operação Lava Jato

 

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