19/12/18
 
 
Vítor Rainho 23/11/2018
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Polícias não usam armas com receio de serem assaltados

Os agentes destacados são obrigados a guardar as munições nos bolsos e, se tiverem alguma urgência, perderão o tempo necessário para carregarem as armas

Temos de reconhecer: este país é uma anedota com muitos humoristas domesticados. Senão, vejamos. Ontem, o i revelou que no Campus de Justiça, em Lisboa, os polícias de serviço, que zelam pela segurança de todos os que estão em tribunal, sejam juízes, testemunhas, arguidos e demais intervenientes no julgamento, usam armas sem carregador porque receiam que alguém possa atacá-los e consiga roubar-lhas. Os agentes destacados são obrigados a guardar as munições nos bolsos e, se tiverem alguma urgência, perderão o tempo necessário para carregarem as armas.

A notícia foi confirmada por várias fontes, algumas delas em on, e do Ministério da Administração Interna não se ouviu um comentário. Também juízes e procuradores ouvidos pelo i confirmaram a história e disseram que já alertaram as suas hierarquias, mas o Ministério da Justiça não disse de sua justiça. A reportagem de Carlos Diogo Santos dizia mais: as vítimas de violência doméstica e as testemunhas que não compareceram voluntariamente ao julgamento são encaminhadas para celas, enquanto aguardam pela sua chamada para depor, onde estão detidos delinquentes. Isto passa-se em Portugal no principal tribunal do país e só a APAV e um dos sindicatos da polícia é que dizem alguma coisa?

Mas continuemos na história revelada pelo i. Os magistrados que ficam a trabalhar até mais tarde não têm qualquer segurança, já que o único polícia destacado está na esquadra, que fica no piso menos 1. Cândida Vilar, que tem o processo da invasão de Alcochete, por exemplo, fica várias vezes a trabalhar fora de horas à vista de todos, já que as instalações do Campus de Justiça foram feitas para serem escritórios, e não tribunais. Aliás, foi por essa razão que o superjuiz Carlos Alexandre fez questão de abandonar essas instalações, por não se sentir seguro, tendo sido colocado no antigo edifício da Polícia Judiciária. O que terá a dizer de tudo isto a nova procuradora-geral da República? O governo, já sabemos que nada dirá. Afinal, ainda não houve mortos.

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