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Turismo. Já foram detidos 980 carteiristas este ano

Turismo. Já foram detidos 980 carteiristas este ano

Rita Pereira Carvalho 20/11/2018 10:46

Em 2018, a cidade de Lisboa representou 64% do total de crimes de furto por carteirista. O i revela o perfil de quem se dedica a estes crimes e onde mais atuam

A maioria são homens com idades entre os 20 e os 69 anos. As mulheres representam 45% do total e verifica-se uma ligeira prevalência na faixa etária entre os 20 e os 29 anos. Em Portugal, os carteiristas preferem a via pública, edifícios e, só depois, os transportes públicos - este é o perfil geral traçado pela PSP ao i. 

Conhecer as características daquilo que procuramos é necessário para chegar a conclusões - neste caso, para diminuir os casos de furto. E aqui é importante realçar a diferença entre furto e roubo. Quando há furto, não existe violência ou ameaças - a vítima não percebe que está a ser roubada. Quando há roubo, a vítima está presente e há violência. 

Neste caso específico fala-se sempre de furto, uma vez que o silêncio e a discrição são duas características dos carteiristas, que não precisam de recorrer à violência.

Além do perfil, a PSP conhece também quais as áreas onde deve atuar com mais pormenor. O turismo é um fator de risco, o que se confirma com o facto de os dados registados no interior do país não serem relevantes. Os locais preferenciais dos carteiristas são os de grande concentração de estrangeiros. 

 

Lisboa, a preferida dos carteiristas

Basta olhar para os dados relativos aos primeiros dez meses do ano de 2018 e a cidade de Lisboa aparece com 64% do total de crimes de furto por carteirista, a mesma percentagem do ano passado. No pódio das freguesias com maior concentração de crimes estão Santa Maria Maior, com 29,7%, Misericórdia, com 7,5%, e Belém, com 3,6%. Recorde-se que a freguesia de Santa Maria Maior engloba os bairros de Alfama, Baixa, Castelo, Chiado e Mouraria, zonas onde se concentram a maior parte dos turistas. Ao Castelo de São Jorge, por ano, sobem quase dois milhões de pessoas.

Já a cidade do Porto aumentou um ponto percentual em relação ao ano de 2017, representando 10% do total de crimes. Na União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória figura a grande fatia, com 5,9% do total de furtos. 

De mapas na mão e disfarçados de turistas, os mestres da arte silenciosa roubaram cerca de 4,5 milhões de euros no primeiro semestre do ano, mais um milhão que no período homólogo de 2017. A PSP revela que os principais objetos correspondem a carteiras, com a respetiva documentação, dinheiro, telemóveis, câmaras fotográficas e óculos de sol. 

 

Aumentam as detenções

De acordo com os dados da PSP, já foram detidas 980 pessoas nos primeiros dez meses do ano, algumas apanhadas em flagrante, outras detidas na sequência das queixas apresentadas.  O número de detenções efetuadas aumentou 89% em relação ao ano passado. Além do aumento do número de queixas, “tem havido um incremento de ações da PSP na prevenção e combate deste fenómeno, tendo sido criadas equipas específicas para o efeito”, disse fonte da PSP ao i. 

No início do mês, a PSP deteve oito carteiristas no espaço de apenas uma semana. Todos foram apanhados em flagrante a assaltar turistas e, num dos casos, três mulheres que estavam sob apresentações periódicas à polícia pelo mesmo crime foram detidas por dois agentes quando tentavam roubar um tablet da mochila de um turista. Apesar de terem sido apanhadas com as mãos dentro da mala, as mulheres foram libertadas depois de lhes ser aplicada uma multa de mil euros.

 

A página de Facebook que identifica carteiristas

Este tipo de crimes pode ser considerado furto simples ou furto qualificado, dependendo da ação dos suspeitos. Se o furto for considerado simples, ou seja, se o assaltante atuar na rua, a pena pode ir até três anos de prisão, mas se for qualificado, isto é, se o sujeito atuar dentro de edifícios ou transportes públicos, a pena sobe até aos cinco anos de prisão. Esta referência poderá justificar o facto de, agora, os carteiristas preferirem atuar nas ruas em vez de recorrerem aos transportes públicos, como acontecia antes.

Para ajudar a identificar os ladrões há até uma página no Facebook chamada “Carteiristas Lisboa”, onde são colocadas fotografias e alertas para as movimentações dos suspeitos.

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