15/11/18
 
 
Rodrigo Alves Taxa 09/11/2018
Rodrigo Alves Taxa

opiniao@newsplex.pt

Então e Tancos?

Ao longo da nossa história, as forças armadas, merecidamente, têm sido das instituições que mais respeito têm sentido por parte da população

Disse um dia Winston Churchill: “A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra, a pessoa só pode ser morta uma vez, mas, na política, diversas vezes.”

É hora, portanto, de exigir o fim desta já longa contenda que tem sido o caso de Tancos e, de uma vez por todas, se esclarecer a sociedade sobre o que se passou. É que, tal como Churchill, pese embora que, quando tornou histórica, esta frase se dirigisse a outra dinâmica, fico sempre com a sensação que cada vez que algum dos nossos políticos fala desta narrativa, essa mesma tentativa de falar do assunto resulta sempre num suicídio continuado e repetido. E pior: o caso Tancos não continua apenas a matar diariamente os políticos, mas contribui igualmente para a manutenção de uma opacidade sobre as forças armadas, o que não pode ser tolerável sob qualquer pretexto. Ao longo da nossa história, as forças armadas, merecidamente, têm sido das instituições que mais respeito têm sentido por parte da população. Não se pode, assim, aceitar que o não esclarecimento desta matéria possa continuar a melindrar aqueles que, muitas vezes com o seu próprio sangue, zelaram pela segurança e soberania do nosso país e de todos nós.

Politicamente, já não há palavras possíveis para caracterizar esta embrulhada. Um ministro tardiamente demitido, uma novela que, começando no desaparecimento das armas, passou depois pela falta de certeza dessa mesma ocorrência, saltou para a recuperação de armas a mais e, pasme-se, ao que se diz, afinal, agora não só ainda faltam armas como se fala, alegadamente, de encobrimentos ao mais alto nível. Com isto, não afirmo que os houve. Não afirmo porque, tal como qualquer português, não sei, mas exijo saber. Todos ouvimos António Costa, por palavras parecidas, dizer que um dia todos saberíamos o que se passou em Tancos. Esse dia tem de ser hoje. E hoje porque já deveria ter sido ontem. Mais recentemente, até o Presidente da República falou de Tancos num registo de manifesto desconforto que, como sabemos, não lhe é característico. Parece, por tudo isto, legítimo pensar que algo muito grave se passa. Haja coragem para o clarificar. Por fim e, porque as citações históricas encontram sempre paralelo nas sociedades atuais, disse-se também um dia para derrubar a monarquia portuguesa que “por muito menos crimes que os cometidos por D. Carlos rolou no cadafalso, em França, a cabeça de Luís xvi”. Não sei se o então rei os cometeu ou não – o cadafalso é hoje, graças a Deus, apenas uma forma de ilustrar o assunto –, mas que também por muito menos já caíram vários governos democráticos, lá isso caíram. Este não cairá materialmente, mas legitimamente, não só mas também por isto, perdeu a autoridade que tinha. Vamos supor que uma das armas desaparecidas e não recuperadas mata alguém dentro ou fora do país. Como é?

 

Escreve à sexta-feira

 

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