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Carlos Carreiras 31/10/2018
Carlos Carreiras

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Eleições autárquicas: balanço, um ano depois

Estamos em contraciclo com a maioria das autarquias, mas conscientes de que este é o passo certo para construir uma sociedade grande, em que os cidadãos tenham mais escrutínio sobre serviços públicos mais eficientes

Na ótica do poder, a política tende a ser discutida sempre no domínio das concretizações ou das promessas. O que foi feito (credibilização), o que está a ser feito (energia executiva) e o que será feito (ambição). É o que dizem os manuais de marketing e de sobrevivência política para principiantes.

Quando os presidentes de câmara eleitos em outubro de 2017 dobram o primeiro ano de mandato, não faltarão balanços que passem por esses três tempos essenciais da política. Em Cascais também estamos a marcar esse momento de transposição para o segundo ano de trabalho autárquico. Mas, ao contrário da convenção, começamos a prestar contas aos eleitores não pelo lado daquilo que já está feito, mas pelas questões onde temos investido energia e trabalho sem ainda termos alcançado o resultado que desejaríamos e que consideramos satisfatório para a comunidade.

A Linha de Cascais está no topo dessa lista de afazeres incompletos. Temos combatido com grande energia para que se force uma solução urgente para uma das mais movimentadas, mais rentáveis e também mais obsoletas linhas férreas do país. Os próximos anos continuarão a ser de luta para que o governo concretize o investimento necessário, ou permita que sejamos nós fazê-lo. Até que os passageiros da Linha de Cascais deixem de ser alvo de discriminação, até que todos os cidadãos tenham uma verdadeira solução de mobilidade no transporte ferroviário.

A descentralização é outro dos dossiês em que ainda não atingimos os resultados pretendidos. Em carta que enviei ao primeiro-ministro, António Costa, e ao ministro Eduardo Cabrita, sinalizei a ambição de Cascais de receber todas as competências que o governo equaciona transferir para o poder local. Estamos em contraciclo com a maioria das autarquias, mas conscientes de que este é o passo certo para construir uma sociedade grande, em que os cidadãos tenham mais escrutínio sobre serviços públicos mais eficientes, mais competentes e mais centrados nas pessoas.

Obviamente que (ainda) não atingimos os objetivos a que nos propusemos nestas duas matérias. Mas o nosso poder para os alcançar não é unilateral nem discricionário. Dependemos do Estado central. Nessa medida, na viragem para os próximos 12 meses de mandato, as nossas energias vão estar cada vez mais centradas no combate pela mobilidade e pela descentralização.

Olhando para o que foi feito e para o que está a ser feito, podemos dizer, sem falsas modéstias, que o traço genérico é de ação e progresso. As nossas políticas tiveram dinâmica, estratégia e capacidade concretizadora. Isto acontece em todas as áreas--chave do Estado social local.

Na educação, para além de um número impressivo de investimentos no ensino básico, inauguramos a Nova SBE – um projeto que, pela sua natureza e ambição, já é um marco no ensino superior público universitário em Portugal. O nosso objetivo, reitero, é ter 20 mil estudantes universitários em Cascais até 2021. Partimos de uma base muito pequena e já estamos em cerca de sete mil, com tudo o que isso significa para a economia local. Continuamos ainda à espera que o Ministério da Educação nos diga se quer que seja a câmara a fazer o investimento de que algumas escolas desesperadamente precisam. A nossa disponibilidade para resolver os problemas é total. Mas é preciso que nos deixem fazer. Como deixou o Ministério da Saúde.

Cascais está a lançar os concursos para construção de três novos centros de saúde, substituindo-nos ao Estado central nessa tarefa. Os cascalenses terão, muito em breve, cobertura universal de médico de família.

Na cultura, resgatámos o Forte de Santo António, parámos a sua degradação e fizemos trabalhos de manutenção. Conhecido por ser património com nome de autocrata, está aberto ao povo desde o dia 25 de abril. O Bairro dos Museus, um dos mais impressivos núcleos nacionais de arte, vai ser reforçado em breve com o Museu de Arte Urbana e Contemporânea de Cascais, com a assinatura de Vhils.

Na mobilidade continuamos a abrir novos horizontes de possibilidade. Depois de termos avançado nas páginas do i, há muitos meses, o passe único metropolitano e a solução BRT na A5, lideramos agora também no lançamento de um concurso público internacional de 150 milhões de euros para a operação de transporte rodoviário no concelho. A revolução continua a ser feita a partir de Cascais, onde a mobilidade será cada vez mais um serviço (paga como tal, como a água ou a luz) e tendencialmente gratuita.

Do ponto de vista político-partidário, os tempos de balanço são muito pertinentes.

O poder executivo deve ser escrutinado e confrontado com as suas opções. Mas a democracia não se faz apenas de escrutínio ao governo. Também se faz de apreciação crítica da oposição. Esse exercício, que deve ser feito por eleitores e eleitos, permitirá conclusões retrospetivas muito interessantes.

Por exemplo: quantos, dos candidatos derrotados, ficaram a representar os seus eleitores na oposição? Quantos movimentos independentes continuam a ser verdadeiramente independentes? E quantos, destes, prosseguem a sua atividade política nos concelhos, depois de desligados os holofotes eleitorais? Tenho uma intuição sobre o que será a resposta geral no país. Mas para não cometer erros de generalização, cinjo-me a Cascais.

Calhou-nos em má sorte mais uma candidata socialista paraquedista. Prometia trabalhar por Cascais. Mas, menos de um ano depois, nem trabalho nem promessa. Partiu com a mesma velocidade com que chegou. Traiu a confiança dos eleitores.

Mais à esquerda, a candidata bloquista não é vista desde o dia das eleições. O transtornado vereador comunista pensa que lidera qualquer coisa que tem mais de posto avançado do Principado da Fuzeta que de coligação democrática unitária.

As candidaturas independentes evaporaram-se. Uma, apoiante do Partido Socialista, operou a cisão com os socialistas poucos meses depois das eleições. E uma outra “coligação independente”, uma insignificância de cariz totalitário, demagógico e populista, dedica-se agora às fake news.

Em cada ciclo, é importante que os eleitores distingam bem quem é que trabalha para eleições. E quem é que se elege para trabalhar.

 

Escreve à quarta-feira

 

 


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