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Eleições em Hesse podem tornar-se no último prego do caixão da coligação de Merkel

Eleições em Hesse podem tornar-se no último prego do caixão da coligação de Merkel

António Rodrigues 28/10/2018 09:52

O conservador Die Welt titulava esta semana que «a grande coligação debate abertamente o seu fim próximo», sinal de que o Governo de Angela Merkel, apoiado num acordo entre a CDU-CSU e o SPD, está por um fio.

Duas semanas depois da CSU perder a maioria da Baviera e o SPD ter dado uma queda tão violenta que passou a quinto partido, as eleições no estado do Hesse ameaçam com tornar-se o último prego no caixão de uma coligação que nasceu torta e segue sem conseguir endireitar-se.

No Hesse, cuja capital é Frankfurt, berço financeiro do país, os conservadores dominam há duas décadas, mas as últimas sondagens dão à CDU de Merkel apenas 26% a 28 %dos votos. Tal como aconteceu na Baviera, os eleitores poderão também neste caso emigrar à esquerda para os Verdes e à direita para a Alternativa para a Alemanha.

Os Verdes, que atualmente governam o Hesse em coligação com os conservadores, aparecem empatados com o SPD no segundo lugar com intenções de voto de cerca de 20%, o que poderá levar a um novo rearranjo político na região.

Para Merkel é mais uma má notícia numa altura em que a economia da Alemanha respira bem-estar, com o desemprego a atingir em junho passado o valor mais baixo desde a reunificação do país em 1990: 5%. Seria aparentemente um sinal político a favor dos conservadores, mas tal não é assim. Como dizia um eleitor à Deutsche Welle na pequena cidade de Fulda, «estou farto. Votei na CDU muito tempo, mas o interminável debate sobre a migração, e depois o escândalo diesel, bem como a falta de unidade na coligação faz-me repensar no meu voto para domingo».

O primeiro-ministro do Hesse, Volker Bouffier, apesar de confiante de que o resultado de domingo não será tão mau como as sondagens o pintam, admitiu que «a política federal certamente acabou por ofuscou a política estadual nesta eleição», no que aparentemente pode ser tomado como um sacudir a água do capote das culpas para quaisquer mau resultado do partido em termos locais.

Do que Bouffier não se pode queixar é de falta de apoio. Merkel ao invés de se manter distanciada de outro possível mau resultado em duas semanas, jogou os seus trunfos na campanha. Não só apareceu em comícios, como telefonou diretamente para o eleitorado a pedir o voto para Bouffier, aliado próximo e defensor da política centrista da chanceler.

«Isto é sobre vocês, sobretudo sobre vocês», afirmou Merkel para um milhar de apoiantes num comício em Fulda. «Por isso, vão para a rua falar com pessoas, se calhar deixem-se insultar um pouco e digam-lhes, não obstante, ‘pensem nisso!», acrescentou a chanceler.

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