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Polícias contra polícias. Momentos de tensão na Assembleia da República

Polícias contra polícias. Momentos de tensão na Assembleia da República

José Luís Batalha Maria Fernandes 26/10/2018 08:02

No meio dos gritos de protesto, o bom senso falou mais alto: os polícias de serviço não reagiram com violência aos avanços dos manifestantes, que aplaudiram a atitude dos colegas

Polícias de serviço, polícias na manifestação - uns a tentarem subir a escadaria da Assembleia da República, outros a barrarem a passagem. Era este o cenário ontem à noite, em Lisboa, durante a manifestação nacional das forças de segurança.

Ainda não eram 17h00 quando começaram a surgir polícias no Terreiro do Paço. Alguns com faixas a pedir “direitos iguais”, outros com cartazes a pedir o “reconhecimento da profissão” e muitos simplesmente com o casaco vestido e sapatos confortáveis, preparados para rumar ao parlamento. Uma hora e meia depois começou a marcha.

Na manifestação conjunta de PSP, GNR, SEF, guardas prisionais, Polícia Marítima e ASAE, as forças de segurança unem-se contra a proposta do Orçamento do Estado para 2019, exigindo a valorização das carreiras, o reconhecimento do estatuto de profissão de desgaste, um reforço do número de efetivos e um investimento no setor.

A palavra de Costa parece já não ser suficiente para as forças de segurança, que se dizem forçadas a avançar para protestos para serem ouvidas. “O nosso primeiro-ministro diz que palavra dada é palavra honrada. Ora, a honra dele deve ser muito fraquinha... As palavras que ele deu em relação às nossas carreiras, aos nossos estatutos, não foram cumpridas”, disse ao i Domingos Fernandes, do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP). “Costa prometeu que descongelava as carreiras a 1 de janeiro de 2018. Estamos no final do ano e ainda não sabemos o que irá acontecer”, acrescentou.

“Governo, escuta, os polícias estão em luta” e “Cabrita, o que é isto? O país seguro e os polícias nisto” eram algumas das frases que se ouviam enquanto os cerca de 10 mil manifestantes marchavam pela zona do Cais do Sodré, rumo ao Parlamento. São vários os que dizem não estar contra o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, mas exigem que o governante resolva os problemas das forças de segurança: “Não temos nada contra a pessoa em si, mas sim contra a forma como estamos a ser tratados pela tutela, que é encabeçada por ele. Se é o ministro das polícias, é preciso virmos para a rua para ele se lembrar que existimos? É no mínimo caricato. Tirando isso, é um ministro com capacidades e qualidade. É preciso que as direcione para resolver os nossos problemas”, disse ao i Nuno Rodrigues, dirigente nacional da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR).

“Juntem-se a nós” Já no parlamento, os protestos subiram de tom: perante o forte dispositivo policial montado para receber a manifestação, dezenas de polícias derrubaram as barreiras de segurança, sem subirem o resto da escadaria da Assembleia da República. Isso motivou um reforço dos membros do Corpo de Intervenção, que ficaram frente a frente com os colegas de profissão. 

“Juntem-se a nós”, gritavam os manifestantes, com o hino nacional e ‘Grândola Vila Morena’ como músicas de fundo. Perante a inércia dos colegas e o reforço da segurança, os polícias ameaçaram várias vezes subir a escadaria do parlamento. Mas, apesar dos momentos de tensão, o bom senso imperou: nem os polícias de serviço reagiram aos protestos com violência, nem os manifestantes recorreram à força para se fazerem ouvir, aplaudindo a atitude dos colegas.

E para que serviu esta manifestação? Na opinião de Octavio Rodrigues, da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia  (ASPP/PSP) para fazer “barulho”: “Não sei se a manifestação terá algum poder, mas se não fizermos barulho e lutarmos pelos nossos direitos nada é feito”.
 

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