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Belém. Cavaco arrasa Costa, Portas e Seguro. Só Passos é poupado

Belém. Cavaco arrasa Costa, Portas e Seguro. Só Passos é poupado

Luís Claro 24/10/2018 19:39

O segundo volume de “Quinta-feira e outros dias” foi lançado hoje em Lisboa e relata o período entre a troika e a criação da geringonça 

Cavaco Silva foi o político que mais tempo esteve no poder em Portugal e com o segundo volume de “Quinta-feira e outros dias” encerra aquilo a que chama “a prestação de contas aos portugueses”. Ao todo são quatro livros que relatam mais de vinte anos no poder. Nesta obra, como nas anteriores, não poupa os seus interlocutores ou adversários políticos. António Costa, Paulo Portas e António José Seguro são os mais visados no livro que foi hoje apresentado, na Fundação Calouste Gulbenkian, pela antiga ministra Leonor Beleza. 

Os elogios a outras figuras políticas não são muitos, mas Cavaco Silva não deixa de atribuir a Passos Coelho o mérito por “um novo ciclo de crescimento e de melhoria de bem-estar dos portugueses”.

Um dos capítulos mais picantes é sobre a crise do governo PSD/CDS, devido à demissão “irrevogável” do então ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas. Às 15h40 do dia 2 de julho de 2013, Cavaco Silva recebeu uma mensagem de Passos Coelho a dizer que precisava de lhe falar com urgência. Paulo Portas tinha acabado de se demitir e o primeiro-ministro queria avisar o Presidente da República. Cavaco Silva ficou surpreendido e principalmente indignado por o ex-ministro centrista o ter ignorado. “Não me dera qualquer palavra. Uma atitude inaceitável”, escreve o ex-Presidente da República, Cavaco Silva. 

As próximas horas seriam de intensos contactos entre as mais altas figuras do Estado. Paulo Portas desligou os telemóveis e não atendeu ninguém nessas horas de indefinição, mas o ex-Presidente da República enviou-lhe “um lacónico SMS: Não consigo compreender a sua carta. Está consciente das graves consequências para PORTUGAL?”. Cavaco Silva, no capítulo dedicado à “demissão irrevogável de um ministro”, elogia o sentido de Estado do primeiro-ministro e arrasa a postura do então líder do CDS. Descreve a demissão como “uma infantilidade pouco patriótica” para “destruir a credibilidade” da ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque. “Absolutamente inaceitável”, diz. 

Seguro era "medroso" Portas recuou e Passos Coelho fez uma remodelação no governo, mas o Presidente da República exigiu um compromisso de salvação nacional entre os partidos que assinaram o memorando com a troika. Belém conseguiu sentar à mesma mesa a direita e o PS, mas os socialistas acabaram por não assinar o acordo. Cavaco não gostou e cinco anos depois não podia ser mais crítico em relação à postura adotada por António José Seguro no final das negociações. “A declaração de António José Seguro ultrapassou, pela negativa, tudo o que eu podia imaginar”. O ex-chefe de Estado descreve o ex-secretário-geral dos socialistas como “um líder partidário simpático e correto nas conversas, mas que, perante os problemas, se revela inseguro, medroso e sem capacidade de liderança”.

O último capítulo é dedicado à formação do governo socialista liderado por António Costa. O ex-Presidente da República não só mantém as críticas à ‘geringonça’ como ataca o atual primeiro-ministro. “Era mestre em gerir a conjuntura política, em capitalizar uma aparência de paz social e em empurrar para a frente os problemas de fundo da economia portuguesa”. Cavaco Silva, que só teve onze reuniões de trabalho com António Costa, demarca-se da forma de estar na política do atual primeiro-ministro e critica-lhe a “atitude descontraída” com que encarava os problemas “complexos e graves” com que era confrontado. “Como se tudo fossem meras trivialidades”, desabafa Aníbal Cavaco Silva no livro de memórias sobre o período político mais complexo dos últimos anos.

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