15/11/18
 
 
Rodrigo Alves Taxa 19/10/2018
Rodrigo Alves Taxa

opiniao@newsplex.pt

Já dizia o Tiririca, pior do que está não fica!

Se começarmos a dizer que os brasileiros se preparam para eleger alguém que destruirá a sua democracia, estamos a passar um atestado de estupidez a milhões de brasileiros

Volvida a primeira ronda das eleições brasileiras e, pese embora nestas andanças não se poderem considerar quaisquer resultados como garantidos, tudo parece encaminhar-se para uma provável vitória de Jair Bolsonaro. Com um perfil tudo menos consensual, a verdade é que o antigo militar que há 30 anos faz parte da política brasileira, e nela nunca teve especial destaque, parece estar definitivamente catapultado para ser o próximo inquilino do Palácio da Alvorada. E quanto ao perfil do homem, deixo o debate para outras núpcias. Diz umas inaceitáveis, mas outras que eventualmente podem bem ser aquilo de que o Brasil precisa. Isto porque, por exemplo, o problema da segurança, ou melhor, da insegurança, é real, e num país com a dimensão do Brasil talvez, vendo de fora, tenha mesmo de haver uma mão pesada a combatê- -lo. Mas foquemo-nos puramente no ato eleitoral. Confesso que tudo quanto tenho acompanhado sobre o mesmo me tem causado alguma perplexidade e até dificuldade de apreciação, tal acontecendo em dois pontos de vista distintos, o interno e o externo. Desta feita, começo pelo segundo prisma. Não obstante, obviamente, qualquer cidadão do mundo ter direito a emitir a sua opinião sobre o que se passa em territórios estrangeiros (eu próprio aqui o faço), tenho dificuldade em compreender a legitimidade com que surgem algumas movimentações ao mais alto nível contra ou a favor de qualquer candidato brasileiro, dizendo que fulano é democrata e sicrano é, por sua vez, fascista, colocando a democracia brasileira em risco. Parece-me claramente que tal comportamento extravasa do salutar patamar de análise político- -sociológica para o de clara ingerência na governação de um país soberano. Sobretudo porque, se começarmos a dizer que os brasileiros se preparam para eleger alguém que destruirá a sua democracia, estamos a passar um atestado de estupidez a milhões de brasileiros. Mais: mesmo que assim fosse, o que não me parece que seja porque não embarco em exageros, até isso era a democracia a funcionar. Afinal, nesse cenário, até mesmo essa possibilidade tinha sido sufragada pela maioria dos votantes em causa. Perante fenómenos destes, fico sempre com a sensação de que, sem sermos capazes de governar a nossa casa, queremos governar a dos outros, e isso não me agrada. Internamente, o cenário parece-me, como disse, difícil, mas mais compreensível. Vejamos: tenho para mim, ao contrário do que muitos dizem, que na vida o fácil é escolher entre algo bom e mau. Entre duas coisas boas ou duas más é que se torna complicado. Ora, no Brasil, o que se sente é uma eleição entre duas coisas más. De um lado o PT e, do outro, alguém que, sabendo cavalgar o anti-PT que se respira, só tem de saber esperar que a vitória lhe caia nas mãos. A ser assim, Bolsonaro, independentemente de alguns disparates que possa dizer, sobretudo numa segunda volta, parece novamente estar de maravilha. Sendo simplista, quase parece que ele nem precisa de fazer por ganhar, mas antes ter apenas de esperar que o PT perca. Termino dizendo que tenho uma simpatia pelo Brasil e pelo povo brasileiro grande e genuína mas que, realmente, o cenário é todo ele ruim, lá isso parece-me que é. Porém, sou levado a citar um conhecido personagem canarinho. O cenário atual já é tão complicado que, como disse o Tiririca, pior do que está, também eu penso que não fica!

 

Escreve à sexta-feira

 

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