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Remodelação. João Galamba, o novo homem da energia

Remodelação. João Galamba, o novo homem da energia

Diana Tinoco Cristina Rita 16/10/2018 14:21

Ligado às finanças e à economia, entrou no PS pela mão de Sócrates. Contundente nas críticas à direita, a escolha do deputado apanhou alguns socialistas de surpresa

João Saldanha de Azevedo Galamba é o novo secretário de Estado da Energia. O ex-porta-voz socialista é um dos rostos da ala esquerda do partido, um deputado que se destacou na Assembleia da República pelo seu registo mais assertivo ou por assumir, por exemplo, que gosta de “malhar, desmontar e combater argumentos”, normalmente à direita.

A confissão foi feita em dezembro do ano passado ao “Expresso”, numa entrevista onde assumiu que um dia gostaria de chegar a secretário de Estado ou ministro. Aos 42 anos ainda teria mais tempo para o fazer, mas a remodelação alargada, e secreta, que o primeiro-ministro fez durante o fim de semana, ditou que a entrada num governo socialista seja feita amanhã, no ministério do Ambiente e Transição Energética. O ainda deputado socialista é economista de formação e profissão, tendo frequentado um doutoramento em Filosofia política. Na adolescência fez bodyboard na Figueira da Foz, e não passou, ao contrário de tantos outros deputados, pelas juventudes partidárias. Apesar de não ter um percurso político definido desde cedo, sempre soube que não gostava do PSD. “Era do PS de forma clubista”, afirmou numa entrevista ao “Público”.

Mais tarde, numa entrevista ao i, em setembro de 2016, João Galamba haveria de desenvolver a ideia sobre a sua ligação ao PS. “Sempre fui da área política do PS. O meu pai é militante do PS, o meu partido natural é o PS”, explicou. Em eleições legislativas votou sempre no PS, mas nas autárquicas o processo não foi bem assim. “O meu passado bloquista resume-se a ter votado no Bloco quando o candidato do PS [à câmara de Lisboa] era Manuel Maria Carrilho. Até tenho algum orgulho de ter dividido o voto”, resumiu o parlamentar, que se filiou no PS em 2011, com José Sócrates no poder e na liderança socialista, uma personalidade de quem era amigo.

O AMIGO SÓCRATES Mesmo sendo amigo de José Sócrates, João Galamba não fugiu à linha do partido de se distanciar do então primeiro-ministro. “Obviamente que é algo que envergonha qualquer socialista, sobretudo se as matérias de que é acusado se vierem a confirmar”, declarou João Galamba na SIC Notícias em maio, secundando o presidente socialista, Carlos César.

João Galamba foi eleito em 2011 pelo círculo de Santarém e, mais tarde, pelo círculo eleitoral de Coimbra. Apesar de ter destaque televisivo, no comentário e na análise, na SIC Notícias e no Canal Q, as suas ideias públicas estiveram sempre mais associadas à economia, às contas públicas e aos ataques à direita e pouco ou nada à energia. Aliás, no anterior executivo PSD/CDS era reconhecido pelos apartes nos debates parlamentares, sempre num registo contundente. O próprio reconheceu que se entusiasma na discussão e até já se arrependeu de algumas palavras ditas na troca de argumentos.... contra a direita. Talvez por isso tanto David Justino como Nuno Melo tenham criticado a escolha ontem, nas redes sociais. “Tudo doido”, desabafou o vice-presidente do PSD , enquanto o eurodeputado do CDS escreveu “Valha-nos a Santa”.

João Galamba também marcou a diferença quando chegou ao parlamento por usar brinco na orelha. Ao i, o novo governante assumiu que ouviu “comentários mais negativos, mas a generalidade das pessoas não dá grande importância ao tema”.

Currículo Além dos estudos na Universidade Nova de Lisboa e na London School of Economics, João Galamba trabalhou no Banco Santander de Negócios, na consultora Cluster Consulting e, em 2007, esteve na Direção Geral dos Assuntos Técnicos e Económicos do Ministério dos Negócios Estrangeiros durante a presidência portuguesa da União Europeia.

Conciliou vários anos a atividade política com a de blogger e assume que gosta da palavra ‘geringonça’ atribuída aos acordos de esquerda. O termo foi usado em sentido pejorativo pelo ex-líder do CDS, Paulo Portas, mas, ainda assim, João Galamba não tem problemas com a palavra – ainda que a evite quando fala a título institucional.

Desde maio que deixou o cargo de porta-voz do PS, mas nem por isso deixou de intervir no debate político. Mais recentemente, por exemplo, foi dos primeiros socialistas a registar a saída de Portugal do rating lixo pela Moody´s e a reclamar os louros à esquerda. “Conclusão: quem tirou a dívida portuguesa do lixo em todas as agências de rating foi a esquerda portuguesa, não – como garantia Carlos Moedas – o governo de Passos [Coelho], que até viu o rating piorar”, escreveu João Galamba no Twitter, naquele que é o seu último registo oficial naquela rede social. A partir de amanhã, o desafio será outro: terá de lidar com o setor energético, designadamente a EDP, e aplicar um orçamento que não negociou.

 

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