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Ana Pinto Ribeiro. “As pessoas procuram cada vez mais experiências diferentes”

Ana Pinto Ribeiro. “As pessoas procuram cada vez mais experiências diferentes”

Carlos Álvares Laura Ramires 11/10/2018 18:47

Numa altura em que o público é cada vez mais exigente, pensar fora da caixa é obrigatório. O Mytho Celebration é isso mesmo: tudo aquilo de que não está à espera

De uma empresa de organização de eventos corporativos para a equipa do Rock in Rio (RiR), onde já assumiu várias funções (desde a coordenação do Palco Eletrónica à vertente artística do Palco Mundo) - além do cargo que continua a desempenhar num dos festivais de música mais conceituados do planeta, lança-se numa nova aventura. Ana Pinto Ribeiro, de 29 anos, é a fundadora do Mytho Celebration, evento que, assevera, é “muito mais do que um festival”. O evento, que explora um conceito totalmente diferente daquilo a que se está habituado, irá acontecer pela primeira vez no dia 20 de outubro (sábado), das 16h às 4h, no jardim do Museu de Lisboa, Campo Grande. A música é garantida, mas há mais, muito mais para lá do som das colunas. “Não se vão arrepender”, garante a criadora, revelando alguns dos mistérios desta “celebração”.

O que é o Mytho Celebration?

É um grande movimento que celebra o real sentido da vida, os sonhos, a imaginação e a libertação dos nossos medos - para ser mais clara, um evento de um único dia em que, através da arte, música, experiências sensoriais, esoterismo e partilha de conhecimento conseguiremos estimular a conexão com a nossa verdadeira essência. É um evento em que é permitido ousar, seres quem realmente queres ser, vestir o que tiveres vontade e ser feliz. 

No próximo dia 20 de outubro acontecerá a estreia. Como surgiu a ideia? Qual é a ligação que tem com a música?

A ideia surgiu de uma vontade enorme de ajudar as pessoas a viverem as suas vidas de uma forma mais feliz e autêntica, sendo exatamente quem querem ser, saindo um pouco do piloto automático do dia-a-dia em sociedade. Para isso, criámos páginas nas redes sociais que incentivam as pessoas a refletir sobre esta questão. No entanto, sentimos a necessidade de concretizar e de fazer com que as pessoas possam vivenciar a mensagem que transmitimos através de uma experiência única. Não queremos identificar o Mytho Celebration como festival porque é muito mais do que isso. É realmente uma celebração da nossa essência. 

Numa altura em que os sunsets, eventos em rooftops e até mesmo os festivais inundam a capital portuguesa, qual é o fator de diferenciação deste Mytho?

O Mytho diferencia-se pelo facto de ser uma oportunidade para as pessoas deixarem os seus problemas lá fora e viverem umas horas de forma leve, alegre, sem preocupações, e de encarnarem personagens que jamais passariam pela sua cabeça, mascarando-se, fazendo pinturas corporais, ou da forma que se sentirem mais à vontade. No Mytho Celebration queremos tocar no coração das pessoas e que saiam de lá com força e vontade para viverem uma vida mais completa e feliz.

Este é um conceito totalmente novo?

Acredito que Lisboa ainda não viu nenhum evento deste género. É uma junção de temáticas que já existem, mas que talvez nunca tenham sido colocadas num só espaço, e o que queremos mostrar é exatamente isso: que, de certa forma, nem tudo tem de ser como conhecemos ou esperamos que seja. O Mytho desafia-nos a pensar fora da caixa e a quebrar os rótulos que nos são impostos diariamente.

Para além da música, naturalmente associada ao Mytho, o público pode contar também com arte (artistas plásticos, performers…) e experiências sensoriais inseridas numa programação diversa associada à espiritualidade... 

A ideia do Mytho é que as pessoas saiam de lá diferentes do que entraram. Queremos desafiar os sentidos de cada um. Muitas vezes, aquilo que vemos e sentimos não é necessariamente o que está diante de nós. Todas as pessoas que estão envolvidas no projeto têm uma mensagem, uma história para contar, e queremos inspirar as pessoas que vão ao Mytho. Num jardim ambientado de forma a explorar os nossos sentidos, seja através de luzes, cores, entre muitas outras atividades vamos ter alguns artistas a expor as suas peças de arte e performers a atuarem, mas mais importante do que os seus trabalhos é a história por detrás de cada um deles.

O evento vai contar com a presença de especialistas em astrologia, numerologia, aromaterapia, cromoterapia e cristaloterapia. Acha que o público português é recetivo a este tipo de abordagem?

Cada vez mais, as pessoas estão abertas a estas terapias e a ideia do Mytho é exatamente “desmistificar” estas temáticas. São todas áreas bastante interessantes e que ajudam muita gente. Queremos ajudar a quebrar este tabu e fizemos uma curadoria de especialistas muito bons nestas ciências e que vão estar lá, disponíveis para explicar às pessoas o que implica cada uma delas. É importante salientar que não estarão a dar consultas, até porque estas requerem privacidade e tempo. 

Uma coisa está garantida: 12 horas de música non-stop (das 16 horas às quatro da manhã). O Celebration Stage, palco destinado à música (Da Chick, Xinobi, Surma, Custom Circus [Nirvana Studios], Kokeshi, Ramboiage e Mike El Nite DJ Set), vai ser ainda assim o principal atrativo do Mytho Celebration?

Naturalmente que a música é o atrativo principal porque digamos que é o que é “conhecido” de todos e também uma forma de arte incrível, principalmente com estes excelentes artistas. Quisemos criar um line-up diversificado em que o próprio palco se vai transformando ao longo da noite. No entanto, gosto de acreditar que o Mytho é muito mais do que música e que as outras atrações vão acabar por ganhar grande destaque e surpreender o público.

 O evento vai realizar-se nos jardins do Museu de Lisboa, no Palácio Pimenta. O misticismo que o próprio local tem foi o que levou a que este fosse o sítio escolhido?

Os jardins do Museu de Lisboa são um espaço lindo. Queríamos um jardim porque era importante haver a ligação com a natureza, mas queríamos que fosse no meio da cidade exatamente para podermos passar a mensagem de que até mesmo no meio da confusão da cidade, do nosso dia-a-dia, é possível termos um momento em que somos livres e nós próprios. Não precisamos fugir do nosso habitat natural para sermos felizes.

Além do Celebration Stage, terá espaços alternativos como o Temple of Transition, um espaço de transição entre o mítico e o real. O que significa isto?

Localizado logo à entrada, o Temple of Transition vai ser o lugar onde as pessoas serão incentivadas a encarnar a sua personagem. A ideia é virem já mascaradas ou vestidas/maquilhadas de uma forma que exprimam o que lhes vai na alma. No entanto, o Temple of Transition é onde o estado de espírito muda para se preparar para entrar no universo Mytho, ou seja, onde acontece a tomada de consciência para seres quem quiseres.

Que outros espaços mais poderão ser encontrados? Pode revelar alguma surpresa que ainda não seja conhecida?

Além de todas as áreas já mencionadas, teremos também o Food Ritual, que será a área gastronómica do evento, onde já temos confirmado, por exemplo, a presença do The Therapist. Para além disto, acho que terão de vir para descobrir. Não se vão arrepender. 

Acha que as pessoas estão cada vez mais à procura de fugir dos festivais tradicionais e talvez por isso se possa explicar, por exemplo, o boom do Boom Festival?

Sim, acho que as pessoas já não querem “mais do mesmo” e, com a criação do Mytho, sinto mesmo que estão cada vez mais à procura de experiências diferentes e, principalmente, de um escape do stresse diário em que vivemos. Sinto que estamos no caminho certo quando falo sobre o Mytho e as pessoas se arrepiam, o que significa que estamos a falar com o coração de cada uma delas. No entanto, o Mytho tem uma proposta diferente do Boom, não só pelo estilo musical mas, principalmente, por trazer este tipo de experiência para o coração de Lisboa e aproximá-la do quotidiano das pessoas.

Depois da estreia, o Mytho Celebration já tem novas datas em agenda? 

Ainda não há novas datas, mas a vontade é que seja pelo menos um evento anual e, quem sabe, que vá para outros países. Por exemplo, o Brasil, que é um mercado que trabalho muito e onde tenho a certeza que o Mytho seria um sucesso.
 

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