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Liga das Nações. Aproveitar o balanço para avistar as meias

Liga das Nações. Aproveitar o balanço para avistar as meias

AFP Bruno Venâncio 11/10/2018 16:46

Uma vitória esta noite na Polónia deixa Portugal muito perto do apuramento para a final-four da mais jovem competição da UEFA. Mas vai ser preciso suar muito, como reconheceu ontem o aniversariante Fernando Santos

Uma vitória na Polónia e as meias-finais ficam ali à mão de semear. É este o ponto de partida para o encontro desta noite entre Portugal e a seleção polaca, agendado para as 19h45 no Estádio Slaski, em Chorzów. Numa fase de grupos com apenas quatro jornadas, dois triunfos são mais de meio caminho andado para assegurar o apuramento para a final- -four – até porque Itália e Polónia têm, por agora, apenas um ponto cada, fruto do empate (1-1) em solo italiano logo na abertura deste grupo 3 da Liga das Nações. As duas seleções voltarão a encontrar- -se no domingo, agora na Polónia, e uma delas (ou até as duas) pode ficar já em muito maus lençóis – Itália, recorde-se, já fez dois jogos, tendo perdido com Portugal na Luz (1-0, golo de André Silva).

Fernando Santos também tem essa noção e disso deu conta ontem, na antevisão desta partida. “Numa qualificação que só tem quatro jogos, cada jogo é muito mais importante do que uma qualificação normal, que tem dez jogos. O jogo encerra essa dificuldade, para Portugal e para a Polónia”, realçou o selecionador nacional, no dia em que celebrou o 64.o aniversário. Hoje, de resto, completam-se quatro anos desde que o técnico orientou pela primeira vez a seleção nacional, num percurso com 34 vitórias, 12 empates e 10 derrotas em 56 jogos. “Estar no banco da seleção do meu país foi a coisa mais marcante de sempre na minha carreira como treinador. Vocês [jornalistas] é que têm de qualificar o meu percurso, mas quando tens uma conquista do Campeonato da Europa tens de estar feliz”, salientou Fernando Santos, confessando sentir que o “fim da linha ainda está longe.”

Há Lewandowski... e Piatek Portugal estará, mais uma vez, privado do contributo de Cristiano Ronaldo, que já havia falhado a primeira convocatória pós- -Mundial após acordo com o selecionador e a estrutura diretiva da FPF. Então, o pedido do CR7 deveu-se à necessidade de um período de adaptação à nova realidade em Itália, após a transferência para a Juventus; desta feita, terá mais a ver com a fase difícil que atravessa devido às acusações de violação que pendem sobre si.

De fora continuam também outros nomes fortes do grupo, como Ricardo Quaresma, João Moutinho, Adrien ou João Mário, ao contrário de Danilo, que falhou o Mundial por lesão, e Eder, o herói do Euro 2016, ambos de volta à lista de Fernando Santos após longo período de ausência. Nos convocados, destaque ainda para a estreia do extremo Hélder Costa, um dos nomes em relevo no Wolves de Nuno Espírito Santo, que tem surpreendido na Premier League.

A Polónia é também ela uma seleção em renovação, depois da má campanha no Mundial 2018 – terminou na última posição do grupo H, com uma vitória e duas derrotas. O selecionador Adam Nawalka deu lugar a Jerzy Brzeczek e o empate em Itália devolveu o ânimo aos polacos, que mantêm como grande estrela da companhia o avançado Lewandowski, que ainda há bem pouco tempo marcou na Luz ao Benfica, pelo Bayern Munique, para a Liga dos Campeões, e completará esta noite a 100.ª internacionalização. A despontar está Piatek, que aos 23 anos se mudou da Polónia para Itália e está a dinamitar por completo a Serie A: soma 13 golos em oito jogos no Génova, sendo o melhor marcador do campeonato, com nove (marcou os outros quatro num só jogo da Taça de Itália).

“O Piatek fez uma época boa na Polónia [38 jogos e 21 golos na época passada, no Cracóvia] e saiu. Agora está-lhe a correr bem, mas a referência será sempre o Lewandoski, que tem muito mais experiência e qualidade. Jogar na seleção e no clube são duas coisas completamente diferentes. Creio que a Polónia tem 2 jogadores muito importantes: Lewandoski e Zielinski [médio do Nápoles]. Sem eles, a equipa desce muito de nível”, analisa ao i Flávio Paixão, avançado português que joga há seis anos na Polónia (quarta época no Lechia Gdansk). “É uma seleção que tem caras novas e que está a tentar renovar-se, existindo a possibilidade de jogarem vários jogadores que nunca estiveram na seleção e não têm experiência nesse sentido. Portugal pode tentar aproveitar isso”, completa o atacante luso.

Na antevisão do encontro, Rúben Dias, que deverá manter a titularidade no eixo da defesa, ao lado de Pepe, garantiu que a equipa conhece bem o adversário e sabe o que a espera esta noite. “Não vamos jogar só contra o Lewandowski. É o coletivo que vai criar dificuldades, não um jogador sozinho. A equipa polaca é muito forte, vamos ter de estar a um nível muito alto para sair daqui com a vitória. Será um jogo difícil contra uma boa equipa. Vamos ter de estar nos nossos limites”, sublinhou o central do Benfica.

Os 4-0 na coreia e os penáltis de 2016 Historicamente, os confrontos com os polacos pautam-se pelo equilíbrio. Em 11 jogos, Portugal soma quatro vitórias, contra três da Polónia e outros quatro empates. Em solo polaco, equilíbrio total: uma vitória para cada lado e dois empates. No último embate a contar, a vitória sorriu à Polónia: 2-1 na qualificação para o Euro 2008, com bis de Euzebiusz Smolarek – sim, foi mesmo assim batizado em homenagem ao Pantera Negra pelo pai, Wlodzimierz, que tinha destroçado Portugal no Mundial 86 com o golo que ditou o triunfo polaco (1-0) e o início do fim da participação lusa na prova.

Para encontrar o último triunfo português é preciso recuar até 2002, no gordo 4-0 do Mundial da Coreia do Sul e do Japão, com hat-trick de Pauleta... que não serviu de nada, pois Portugal caiu mesmo logo na fase de grupos. Essa não é, contudo, a última memória positiva dos portugueses em relação aos polacos: o 1-1 nos quartos-de-final do Euro 2016, com golos de Lewandowski e Renato Sanches, acabou com festa lusa nos penáltis e apuramento para as meias-finais, num percurso que só terminaria com a conquista da prova. Um encontro ainda bem fresco na memória de Fernando Santos, que por isso mesmo deixa o alerta: “A equipa da Polónia é de enorme qualidade, tem-no demonstrado. Mudou de treinador e os últimos dois jogos mostraram uma equipa muito forte. Temos de estar ao melhor nível, a mais de 100 por cento para conseguir esse objetivo [vencer].”

 

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