11/12/18
 
 
José António Saraiva 08/10/2018
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

A primeira vitória

RUI VITÓRIA NUNCA TINHA ganho ao Porto na Luz, pelo que era favorito no jogo de ontem. Ao contrário da leitura que os comentadores em geral fazem, as estatísticas devem ler-se ao contrário: se uma coisa nunca aconteceu, está sempre mais perto de acontecer.

Dizem os que viram que a primeira parte foi paupérrima: os guarda-redes não fizeram uma única defesa! A segunda parte foi melhor, e aí o Benfica superiorizou-se. Tudo somado, a vitória de Rui Vitória terá sido justa.

ENTRETANTO, as duas equipas parecem este ano mais fracas do que na época passada. O Benfica sofre muitos golos e permite recuperações impensáveis. Logo no primeiro jogo do campeonato, depois de estar a ganhar 3-0, deixou o Guimarães fazer o 3-2 - e só não sofreu o terceiro porque Deus não quis. Contra o Chaves, permitiu duas recuperações, depois de estar a ganhar 1-0 e 2-1. Na Grécia, sofreu o empate após estar a ganhar 2-0 - e acabou por vencer coim um golo caído do céu.

A equipa parece jogar sobre brasas, talvez afetada pelo ambiente de cortar à faca que se vive no clube.

MAS O PORTO não está muito melhor. Neste momento já perdeu dois jogos, quando tinha perdido apenas um em toda a época passada. Aquela equipa temível que aliava a força à técnica, com Marega e Aboubakar a massacrarem as defesas adversárias, e Octávio, Corona e Brahimi a criarem lances de génio, não se tem visto.

É certo que as lesões também têm fustigado o plantel. 

De qualquer modo, sendo os jogadores praticamente os mesmos e os treinadores os mesmos, seria natural que as equipas tivessem crescido do ano passado para este. Ora, o que se nota é o contrário: andaram para trás.

POR FALAR EM LESÕES e indisponibilidades, uma palavra para os defesas centrais do Benfica, que parecem perseguidos por uma maldição. Há dois anos, depois de sucessivos problemas, Rui Vitória teve de recorrer ao quarto central da lista: Lindelöf. Mas o sueco deu-se tão bem ou tão mal que de quarto passou a primeiro - e no fim da época protagonizaria uma transferência impensável para o Manchester United.

Agora está a passar-se o mesmo: Lema, o quarto central da lista, foi chamado ao onze por problemas dos colegas - e saiu-se bem. Ou melhor: saiu mal, visto que foi expulso. Mas fez um bom jogo. A maldição que persegue os centrais encarnados pode, pois, ser vista como ‘um mal que vem por bem’.

ESTA MAGRA VITÓRIA sobre o Porto foi, no entanto, suficiente para o Benfica saltar para a frente do campeonato. Aí as coisas estão muito renhidas, com o Braga a entrar na luta e o Sporting à espreita. E se os sinais dados até agora estiverem certos, e o Benfica e o Porto continuarem a mostrar a vulnerabilidade que têm demonstrado, vamos ter um campeonato animado e de resultado incerto.

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