1/12/20
 
 
Vítor Rainho 03/10/2018
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Ronaldo vai enfrentar o maior desafio da sua vida

Desde que surgiu o movimento #MeToo, sempre me questionei o que levou mulheres maduras a acederem a subir ao quarto de hotel com homens para discutirem assuntos profissionais. Mas isso faz algum sentido? É num quarto de hotel que se discutem contratos? E falamos de atrizes com muitos filmes realizados e que conheciam perfeitamente a fama do produtor Harvey Weinstein, não deixando por isso de aceder aos seus convites. Não está em causa que o homem é um nojo e que se espera seja castigado pelos seus crimes. Se havia atrizes já feitas, havia, seguramente, outras que desconheciam os apetites do suposto violador.

Também é questionável que muitas das atrizes se tenham sujeitado a terem relações com Weinstein para poderem entrar em novos filmes e que, depois de muitos anos, tenham denunciado o comportamento do produtor. Mas, repito: o comportamento do homem é execrável.

Vem esta conversa a propósito do que Cristiano Ronaldo terá de enfrentar nos próximos tempos, já que, hoje, os advogados da mulher que diz que o craque a obrigou a ter sexo anal vão dar uma conferência de imprensa em Las Vegas, onde não se irão coibir de revelar vários pormenores da suposta violação. Kathryn Mayorga esteve calada quase nove anos, depois de, supostamente, ter recebido quase 350 mil euros para esquecer a história. Mas falemos outra vez das motivações que levaram a americana a sair de uma discoteca e a aceitar ir para o quarto do jogador. Trabalhando ela na zona VIP do espaço de diversão noturna, não imaginou que o craque queria ter sexo com ela? É óbvio que ninguém, por aceder ir a um quarto de hotel com quem quer que seja, está a dar autorização para ter sexo, consentido ou forçado. Ninguém tem o direito de obrigar outra pessoa a fazer sexo só porque essa pessoa aceitou ir ao quarto de hotel. Mas que esta história é muito estranha, lá isso é. E com o movimento #MeToo na máxima força, Ronaldo terá o maior desafio da sua vida pela frente. É melhor o jogador começar a pensar em contratar um batalhão de advogados e mesmo isso não lhe garantirá nada. Nos EUA não se brinca com violações... É que os juízes de lá não são portugueses.
 


Especiais

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×