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Para Manuel Alegre o “novo fantasma que ameaça a Europa” é o populismo

Para Manuel Alegre o “novo fantasma que ameaça a Europa” é o populismo

Raquel Wise Jornal i 02/10/2018 18:28

"Há uma crise de convicções e é preciso reforçar na Europa e no mundo os valores da democracia e da coesão social”, defendeu o escritor  

O escritor Manuel Alegre falou, esta terça-feira, na Reitoria da Universidade de Lisboa, sobre a “ameaça” do populismo para a Europa e para o mundo. O autor falava durante a cerimónia de entrega do título Doutor Honoris Causa em Letras por parte da instituição. Na cerimónia, estava presente Marcelo Rebelo de Sousa.

“O populismo é o novo fantasma que ameaça a Europa e o mundo. Nasceu da hegemonia cultural do poder financeiro globalizado. Ressuscitou de velhos preconceitos e novas capitulações", afirmou o escritor. "Creio que é num tempo assim que os poetas, escritores e filósofos são mais precisos. Para sacudir a anomia, como fez Antero de Quental. E escrever Sol, como Ramos Rosa. Para proclamar que os Estados não podem ser aprisionados pela mão invisível do mercado e por interesses que se sobrepõem ao interesse geral", acrescentou.

De acordo com Manuel Alegre, "há uma crise de convicções e é preciso reforçar na Europa e no mundo os valores da democracia e da coesão social, para combater o racismo, a xenofobia e o renascer da linguagem e dos tiques do fascismo que, em certos países, já contaminam o poder".

"Creio que é num tempo assim que os poetas, escritores e filósofos são mais precisos. Para sacudir a anomia, como fez Antero de Quental. E escrever Sol, como Ramos Rosa. Para proclamar que os Estados não podem ser aprisionados pela mão invisível do mercado e por interesses que se sobrepõem ao interesse geral", defendeu.

O poeta dirigiu-se ainda a Marcelo Rebelo de Sousa, que estava presente na cerimónia, como sendo "a presença das mais altas figuras do Estado" e "um reconforto e um estímulo para quem acredita que as nossas principais forças são a Língua, a História e a Cultura". Manuel Alegre congratulou-se “com a exceção boa que Portugal é hoje”, aplaudindo “a posição e as palavras do Presidente da República nas Nações Unidas".

Durante o seu discurso, o autor de ‘Um Barco Para Ítaca’ deixou também a mensagem de que "a pequena ou grande revolução que a escrita pode fazer é reabilitar a força libertadora da palavra", pois "só por ela se pode reconquistar a perdida beleza da palavra do homem".

Manuel Alegre aproveitou, também, para deixar o seu elogio à língua portuguesa, afirmando: "Sou desta língua que foi ao mar, descobriu outras línguas e, transformando-as, a si mesma se transformou. Una e diversa, dela nasceram a grande literatura brasileira e também a angolana, cabo-verdiana, moçambicana e de todos os países que falam e escrevem o português", mas nunca esquecendo que “ foi língua de múltiplas tiranias e várias resistências, língua de opressão e de libertação, e também aquela em que novas nações proclamaram a sua independência".

Marcelo Rebelo de Sousa prestou declarações, depois da cerimónia. O Presidente disse que “quer enquanto poeta, quer enquanto protagonista da vida portuguesa, ele esteve durante estas décadas todas ao serviço de Portugal. E a homenagem da universidade foi uma homenagem também de Portugal".

O chefe de Estado foi confrontado também com questões sobre o Orçamento de Estado, às quais se recusou a responder: "Sobre isso já tenho falado noutras ocasiões, não vale a pena estar a falar. Hoje é o dia de Manuel Alegre, da homenagem a Manuel Alegre. Não é o dia de nada da conjuntura política portuguesa", respondeu aos jornalistas.

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