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Ciência diz que não existem pessoas heterossexuais

Ciência diz que não existem pessoas heterossexuais

Dreamstime Jornal i 27/09/2018 14:50

De acordo com um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology, não existem pessoas heterossexuais.

De acordo com um estudo recente – publicado no Journal of Personality and Social Psychology -, as mulheres são, em geral, estimuladas sexualmente tanto para o sexo masculino como para o sexo feminino, à exceção das mulheres lésbicas, que têm maior tendência a ser mais estimuladas pelo mesmo sexo, preferindo assim mulheres a homens.

“Tem tudo a ver com energia erótica, com a pessoa sentir-se livre para ser ativada por um ou outro género, apreciando a consciência do prazer”, explica a psicóloga e sexóloga Cristina Mira Santos. “Se sou mulher e gostei do toque de outra mulher, porque não encarar essa experiência como qualquer outra com alguém do sexo oposto?”, questiona a sexóloga.

E para os homens também: Cristina Mira Santos indica que a lógica que impera é a de que o sexo serve para procriar, e que sentir prazer e fazer filhos são coisas diferentes. “Se concebermos a separação entre aparelho reprodutor e sexual, com órgãos comuns mas funções distintas, porque é que um homem também não há de poder sentir-se atraído por alguém do mesmo sexo só por prazer?”.

Portanto, o estudo sugere que uma influência comum pode mesmo afetar a expressão de traços sexuais e não sexuais masculinos típicos em algumas mulheres. O estudo revelou que foi testada a hipótese de que a excitação sexual masculina de lésbicas se relaciona com a sua masculinidade não sexual e, portanto, estas tendem a ter um comportamento mais masculino.

Através de dados combinados, o primeiro estudo analisou esses padrões na excitação genital feminina e auto-relatos de comportamentos masculinos e femininos, e o segundo estudo examinou esses padrões com uma outra medida de excitação sexual, dilatação da pupila para estímulo sexual e com masculinidade-feminilidade avaliada pelo observador, além da masculinidade-feminilidade autodeclarada.

Embora ambos os estudos tenham confirmado que as lésbicas eram mais masculinas típicas em suas características de excitação

De acordo com o professor de desenvolvimento humano de Cornell, o facto de os homens se retraírem tanto comparativamente às mulheres, deve-se ao facto de existir uma inclinação geral da sociedade para rotulá-los, julgá-los e tratá-los com mais dureza, o que faz com que este professor continue a trabalhar numa formulação a que chama de “maioritariamente heterossexual”, no sentido de desbloquear algumas mentalidades da sociedade em geral.

“Reconhecemos sempre a existência de mulheres maioritariamente heterossexuais, isto é, mulheres que são sobretudo hetero, mas caso a mulher certa surja talvez experimentem também com ela”, disse Savin-Williams.

“Também eu penso que, numa sociedade mais aberta, muitos de nós se sentirão atraídos por pessoas de ambos os sexos”, revela o psiquiatra e sexólogo Júlio Machado Vaz, sublinhando que, desde logo, a diferença entre isso e dizer que somos necessariamente bissexuais, ou poderíamos andar todos a saltitar entre fases mais hetero, gay ou bi – não é verdade.

“Ao longo dos anos, ouvi inúmeros homossexuais lamentarem o fracasso de tentativas desesperadas para se manterem ao abrigo do preconceito”, explicou o especialista.

A psicóloga Cristina Mira Santos explica ainda que “num casal de lésbicas, por exemplo, há muitas vezes um membro com uma energia mais yin, feminina, e outro mais yang, que por escolher o papel masculino se torna reativo a gostar de homens”.

O mesmo acontece num casal de dois homens: “À partida, o yang estará mais aberto ao erotismo com mulheres do que o parceiro yin, que se identifica com elas e, como tal, não se sente ativado por um corpo feminino”, termina.

Os investigadores da Universidade Cornell garantem que os olhos são mesmo o espelho da alma em matéria de prazer: “Basicamente, o que fizemos neste estudo foi avaliar a orientação sexual de alguém vendo se os seus olhos dilatavam ou não, algo que não podemos controlar”, conta Savin-Williams à publicação canadiana, sublinhando que esta era “a derradeira missão do projeto: determinar a sexualidade sem se fiar no que cada um diz de si. Palavras só atrapalham”.

 

 

 

 

 

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