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Inquérito. CDS quer apurar responsabilidades políticas sobre Tancos

Inquérito. CDS quer apurar responsabilidades políticas sobre Tancos

Diana Tinoco Cristina Rita 25/09/2018 17:26

PS não se opõe a comissão exigida pelos centristas, mas o Bloco fala em “brincadeira política”. Belém reitera que sempre pediu toda a verdade

O CDS ameaçou e cumpriu. A proposta de comissão de inquérito ao caso do furto de material de guerra em Tancos vai avançar para apurar as“responsabilidades políticas”  perante as “omissões e contradições do governo”, entre o furto e a recuperação do material roubado em 2017. O anúncio foi feito ontem pelo líder parlamentar CDS, Nuno Magalhães, cinco horas depois do diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM) ter sido detido nas instalações da instituição, em Lisboa.

Os centristas não concertaram posições com as demais bancadas parlamentares e voltaram  a insistir na demissão tanto do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, como do Chefe de Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte.  A proposta será entregue esta semana no Parlamento e o presidente do PS, Carlos César, garantiu ontem que o partido não se irá opor. “Se o CDS acha que deve fazer uma comissão de inquérito, pois haverá uma comissão de inquérito”, declarou o também líder parlamentar na RTP3. A única condicionante é a posição da Procuradoria-Geral da República. Para o PS, se o inquérito não prejudicar a investigação, não haverá razões para os socialistas chumbarem a proposta.

Do lado do PSD, a direção teve uma atitude de cautela. O líder parlamentar, Fernando Negrão, disse ao i que “no dia em que ocorrem desenvolvimentos significativos na investigação criminal, a prioridade deve ser no sentido de ponderar bem se este é o tempo certo para avançar com uma comissão de inquérito. Feita essa ponderação, o PSD decidirá”. Pela manhã, o líder social-democrata apontou contradições ao caso de Tancos.  “As armas aparecem em Santarém mas quem aparece é a GNR de Loulé. Folgo em saber em que a PJ e o Ministério Público atuaram”, acrescentou Rui Rio.  

À esquerda, o  PCP optou pelo silêncio, enquanto o Bloco de Esquerda, pela voz de Pedro Filipe Soares, classificou a proposta do CDS de “brincadeira política”, uma vez que foi desencadeada após as detenções pedidas pelo Ministério Público.  “Esta proposta não é para ser levada a sério, é  um fogo amigo a uma investigação em curso”, acrescentou Pedro Filipe Soares.

O ministério da Defesa remeteu-se ao silêncio sobre o processo, mas o presidente da República emitiu uma nota oficial a realçar que exigiu toda a verdade desde o primeiro dia. Mais, Marcelo Rebelo de Sousa  destacou que “ainda recentemente, a 10 de setembro, reiterou que esperava desenvolvimentos nessa investigação”. Quinze dias depois, surgiram novos desenvolvimentos ao caso.

Acabar com a PJM

  Em 2006, o governo de José Sócrates, do PS, apresentou o programa reestruturação administração central estado (PRACE) onde previa a extinção ou fusão da Polícia Judiciária Militar com a PJ. “As vocações da PJM, em grande parte coincidentes com as da PJ, e a sua reduzida dimensão, dificilmente legitimam a existência de uma estrutura autónoma”. O número dois do executivo era o ministro da Administração Interna, António Costa. Hoje é o primeiro-ministro.

 

 

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