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Venezuela. Governo promete reagir com “firmeza”

Venezuela. Governo promete reagir com “firmeza”

Bruno Gonçalves Luís Claro 25/09/2018 12:13

Santos Silva reuniu-se com o seu homólogo venezuelano. “Foi uma conversa muito dura”

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, garante que Portugal está a reagir com “firmeza” à “ofensiva das autoridades venezuelanas contra o setor da pequena e média distribuição” que coloca “diretamente em causa interesses portugueses”. O ministro esteve reunido com o seu homologo venezuelano e assumiu que a conversa foi “muito dura”. 

O governo está acompanhar a situação dos portugueses detidos na Venezuela e, em declarações aos jornalistas na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, Santos Silva assumiu que “os esclarecimentos prestados são muito escassos” e “muito insatisfatórios”.

As afirmações de Augusto Santos Silva foram feitas antes do encontro, em Nova Iorque, com Jorge Arreaza. Depois da reunião, o ministro português revelou que “não foi um encontro diplomático normal. Foi uma conversa muito dura”. O governo pediu “o acesso imediato aos detidos por parte das autoridades consulares e da nossa representação diplomática em Caracas”, revelou.

O secretário de Estado  das Comunidades irá visitar a Venezuela no início de outubro. José Luís Carneiro vai reunir com a comunidade portuguesa para “aprofundar o conhecimento” sobre a situação naquele país. 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros convocou na sexta-feira  o embaixador venezuelano em Lisboa. Em comunicado, o governo informou que lhe  transmitiu “a grande preocupação do governo português pela detenção, na Venezuela, de 38 gerentes de duas cadeias de supermercados portuguesas, 34 dos quais permaneciam ainda detidos, contando-se entre eles vários nacionais portugueses e lusodescendentes”. 

O governo estima que, nos últimos dois anos, cerca de dez mil portugueses tenham abandonado a Venezuela. Metade para Portugal e cerca de cinco mil para países limítrofes, como o Panamá, ou o Brasil. “O que mais nos preocupa hoje é a situação daqueles que estão na Venezuela, não daqueles que saíram. Na Madeira têm sido integrados de forma exemplar, no continente  também, nos países limítrofes nós não temos relatos de portugueses em dificuldades”, disse Augusto Santos Silva. 

Também o Presidente da República abordou a situação dos portugueses naquele país e garantiu que “há uma sintonia total” com o trabalho que tem sido desenvolvido pelo executivo. Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que esta “situação tem de ser tratada com toda a delicadeza e bom senso”. 

 

CDS pede apoios

O CDS apresentou um projeto de resolução, na Assembleia da República, a recomendar ao governo que adote um plano de apoio para os portugueses que queiram regressar. Os centristas consideram tratar-se de “uma questão absolutamente prioritária a criação de medidas de apoio favoráveis ao regresso desses mesmos cidadãos, designadamente custeando e providenciando as despesas com as viagens de regresso a todos aqueles que, estando numa situação de necessidade, demonstrem a sua vontade em estabelecer, de forma permanente, a sua residência em território nacional”. 

O diploma prevê ainda benefícios fiscais e a “equivalência automática em matéria de formação escolar e académica, designadamente a equiparação dos cursos universitários”. Por último, o projeto de resolução recomenda ao governo que reforce o apoio em medicamentos e bens alimentares aos portugueses que se encontrem “em situações críticas”.

 

Situação insustentável

Paulo Pisco, coordenador do PS na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, tem falado, nos últimos tempos, com muitos emigrantes portugueses. “O que sei, a partir de testemunhos que tenho ouvido, é que, de facto, a situação está a tornar-se insustentável. Existe uma preocupação muito grande e mesmo aqueles que têm procurado resistir estão a perder a esperança de que as coisas possam melhorar”, diz ao i. O deputado socialista defende que o governo “deve fazer tudo para proteger os seus cidadãos e deve procurar sensibilizar o governo da Venezuela para que não haja arbitrariedades cometidas contra os cidadãos para que não seja criada maior instabilidade”.

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