20/10/20
 
 
Vítor Rainho 20/09/2018
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

As praxes do senhor reitor

Muito se legislou já sobre as praxes, mas todos nós continuamos a ver os novos estudantes universitários a serem enxovalhados na época das ditas cujas. Confesso que me irrita ver adolescentes a vergarem-se perante uns tontos que andam de capa e batina, como se fossem donos das vidas dos caloiros. No Estádio Universitário, em Lisboa, já não se pode fazer ginástica ou uma caminhada sem chocar com umas tantas dezenas de energúmenos a praxarem os novatos, que rebolam, gritam palavras imbecis sobre si próprios e se sujeitam a alguns castigos físicos. Já nem digo que a culpa é das autoridades, que não fazem cumprir a lei - sempre achei que quanto menos o Estado se meter nas nossas vidas, melhor. O que me irrita é ver centenas de jovens a serem humilhados em nome de uma patética integração.

Vem esta conversa a propósito da medida tomada pelo novo reitor da Universidade do Porto que proíbe nas suas instalações atos que “atentem contra a dignidade, liberdade e direitos dos estudantes”. António de Sousa Pereira recordou na nota que tornou pública que “os atos de violência ou de coação física ou psicológica sobre outros estudantes são ilícitos de natureza civil, criminal e disciplinar”. Nem mais.

Mas penso que o novo reitor da Universidade do Porto, bem como todos os seus colegas reitores das outras universidades, deveria estimular os professores a fazerem pedagogia sobre o fenómeno, explicando aos caloiros que a dignidade não se vende em nome de uma estúpida integração levada a cabo por outros tontos que já sofreram na pele o mesmo. 

Que futuros médicos, advogados, engenheiros, sociólogos ou filósofos, só para citar algumas profissões, teremos quando estes se sujeitam a essas barbaridades? Cabe aos professores repudiarem os “praxadores” e, ao mesmo tempo, dissuadirem os caloiros de aceitarem as ordens dos tontos que andam de capa e batina. Mas é óbvio que não é fácil: basta ver o silêncio quase generalizado da classe política sobre o fenómeno.

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