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Pyongyang aceita desnuclearização, mas quer reciprocidade dos EUA

Pyongyang aceita desnuclearização, mas quer reciprocidade dos EUA

AFP Ricardo Cabral Fernandes 19/09/2018 20:02

A visita do presidente sul-coreano, Moon Jae-in, à Coreia do Norte permitiu desbloquear o impasse diplomático. Washington quer voltar a negociar.

 

Pyongyang vai fechar instalações de testes de mísseis balísticos na presença de “especialistas internacionais” e mostrou-se disponível para encerrar a sua única central nuclear se Washington avançar com medidas recíprocas. O anúncio foi feito pelo presidente sul-coreano, Moon Jae-in, com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, a seu lado em conferência de imprensa pós-encontro na capital norte-coreana. E, surpreendendo, Kim revelou que iria visitar Seul no futuro próximo - a primeira visita de um líder norte-coreano à Coreia do Sul desde a Guerra da Coreia (1950-1953).

“Não temos um caminho tranquilo pela frente. Haverá desafios e provações, mas quanto mais os superarmos mais fortes nos tornaremos”, disse o líder norte-coreano. “Não temos medo de desafios futuros”, acrescentou.

A declaração conjunta de Pyongyang e Seul poderá ter desbloqueado o impasse diplomático que se tem sentido nos últimos momentos. Mas também aproximou as duas Coreias no sentido da paz, garantiram os dois chefes de Estado. “Será aberto um novo nível de melhoria das relações”, referiu Kim. Os dois líderes acordaram que a Península da Coreia se deverá tornar numa “terra de paz sem armas  ou ameaças nucleares”, nas palavras do presidente sul-coreano. Como primeiros passos de reaproximação, o complexo industrial de Keasong será aberto - depois de ter sido suspenso pela antiga presidente sul-coreana, Park Geun-hye, em 2016 - e as visitas de turistas sul-coreanos à montanha Kumgang também serão novamente permitidas - desde 2008 que não o eram, depois de um soldado norte-coreano ter morto a tiro um turista sul-coreano. Tanto o complexo como as visitas turísticas sempre foram duas das principais fontes de receita do regime norte-coreano, aliviando as suas dificuldades económicas, advindas do isolamento internacional. As duas Coreias também irão ficar ligadas por duas linhas de comboio, passando pela zona desmilitarizada.

Para evitar futuras escaladas de tensão militar na fronteira mais militarizada do mundo, Seul e Pyongyang concordaram em estabelecer um comité militar conjunto para lidar com eventuais conflitos, ao mesmo tempo que ambos os lados se comprometeram a retirar 11 postos fronteiriços até ao final do ano.  A fronteira também será alvo de uma zona de exclusão aérea e todos os exercícios com fogo real serão doravante suspensos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi célere a reagir aos resultados da cimeira de três dias, apelidando-os de “tremendo sucesso” e “muito excitantes” aos jornalistas destacados na Casa Branca. “Kim Jong-un concordou em permitir inspeções nucleares, sujeitas a negociações finais, e a desmantelar permanentemente um local de testes e uma plataforma de lançamento na presença de especialistas internacionais”, escreveu Trump no Twitter. Rússia e China já reagiram com agrado ao acordo alcançado na capital norte-coreana. 

O secretário de Estado, Mike Pompeo, também veio ontem a terreiro anunciar que Washington voltará “imediatamente” à mesa das negociações com Pyongyang. Para tal, convidou o ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Ri Yong Ho, para se encontrar consigo  nas Nações Unidas na próxima semana. No entanto, não foi feita qualquer referência à vontade dos EUA em cumprirem as exigências do regime norte-coreano para a desnuclearização.

Há quem alerte para a capacidade de Pyongyang ultrapassar Washington nos jogos diplomáticos e na conquista da opinião pública mundial. “Uma coisa é clara: a Coreia do Norte continua a ultrapassar os Estados Unidos na sua vontade para tomar a iniciativa que molda a narrativa pública mundial e que força Washington a escolher entre envolver-se nos termos de Pyongyang ou a entender as suas ações como má fé”, explicou Mintaro Oba, antigo diplomata norte-americano, ao “The Guardian”.

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