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“Claramente é uma nova era, um novo ciclo que se começou a viver”

“Claramente é uma nova era, um novo ciclo que se começou a viver”

Diana Tinoco Cristina Rita 19/09/2018 15:05

O ex-dirigente do PS Jorge Coelho diz que a tensão com Angola acabou. Vítor Ramalho, da UCCLA, quer que se aproveitem as oportunidades

O futuro das relações entre Portugal e Angola parece assegurado. Esta é a visão de quem acompanhou a comitiva do primeiro-ministro em Luanda, Angola, como foi o caso do empresário e administrador não executivo da Mota-Engil, Jorge Coelho.

“Claramente é uma nova era, um novo ciclo que se começou a viver. Há quase sete anos que não vinha um primeiro-ministro a Angola. É algo muito importante. Há aqui um novo ciclo. Há um excelente ambiente naquilo que é a presença dos interesses portugueses e dos interesses angolanos. O debate sobre as parcerias estratégicas voltou à terminologia normal”, assegurou ao i o antigo dirigente do PS, a partir de Luanda.

O secretário-geral da UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa) também se congratula com o empenhamento do governo em melhorar as relações com Angola. Vítor Ramalho considera que “quer a visita do primeiro-ministro, quer a do presidente de Angola em novembro a Portugal são eventos importantes no sentido em que desbloqueiam a situação criada com o incidente do inquérito ao ex-vice-presidente Manuel Vicente”.

O ex-deputado socialista deixa, porém, um alerta para que Portugal não desperdice algumas oportunidades, como a exportação de capacidade técnica na área das pescas ou agropecuária, além da aposta nas parcerias viradas para o investimento das pequenas e médias empresas (PME). “Angola vai ter necessidade de diversificar as relações internacionais”, explicou ao i Vítor Ramalho, sublinhando que o país liderado por João Lourenço vive uma “situação financeira e económica séria”. As viagens à China, Estados Unidos, França e Alemanha são um sinal dessa diversificação e apoio ao investimento.

Para Vítor Ramalho, Portugal tem ainda de olhar para outra “janela de oportunidade”, o cenário de eleições autárquicas em Angola. Apesar de ainda não haver um calendário definido – podem ser em 2021 ou 2022 –, o secretário-geral da UCCLA lançou um “repto às câmaras portuguesas, desde logo, Lisboa, para que arrastem as relações económicas ao nível autárquico”.

As relações entre Portugal e Angola estão desbloqueadas, mas Vítor Ramalho considera que o país deve tirar algumas lições: “As relações entre Estados são feitas pelos Estados, e não por outros órgãos, mesmo que sejam tribunais.” O envio para Angola do inquérito judicial que recai sobre o ex-vice- -presidente angolano Manuel Vicente “desbloqueou a situação que existia e que era difícil”, reconheceu Vítor Ramalho, corroborando a tese do primeiro- -ministro de que “acabou o irritante” entre os dois países.

 

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