21/11/18
 
 
Kim Jong-un propõe nova cimeira a Donald Trump

Kim Jong-un propõe nova cimeira a Donald Trump

AFP Rita Pereira Carvalho 12/09/2018 20:59

Depois da primeira cimeira de 12 de junho, chegou à Casa Branca um “caloroso” convite para novo encontro entre os dois líderes 

Chegou à Casa Branca uma carta calorosa vinda da Coreia do Norte. Apesar de não ter sido divulgado o seu conteúdo na íntegra, as autoridades norte-americanas revelaram que Kim Jong-un convidou Donald Trump para um novo encontro. Em conferência de imprensa, a porta-voz americana Sarah Sanders afirmou que Donald Trump está já a preparar uma data para o segundo encontro.

A porta-voz de Washington quis deixar claro o tom em que foi redigida a carta. Classificou a missiva como “calorosa e muito positiva” e, recordou ainda em comunicado oficial os esforços da Coreia do Norte em relação ao pedido dos americanos no que toca à desnuclearização. A verdade é que os testes com armas nucleares e mísseis balísticos parecem ter os dias contados, foram libertados três prisioneiros dos EUA e foram devolvidos os restos mortais dos soldados americanos. Sobre este último ponto, sabe-se que já chegaram aos Estados Unidos 55 caixas com restos mortais de soldados e, importa realçar que, durante a Guerra da Coreia, mais de 5 mil soldados norte-americanos foram dados como desaparecidos no atual território da Coreia do Norte. 

O exemplo que marca o maior avanço em relação aos esforços do líder Kim Jong-un é recente e tem o carimbo do 70.º aniversário da Coreia do Norte, onde não foram utilizados mísseis nucleares no desfile de comemoração. 

Sarah Sanders considerou este último acontecimento como “um sinal de boa-fé”, uma vez que durante a cerimónia da República Popular Democrática da Coreia, que nasceu a 9 de setembro de 1948, desfilaram milhares de soldados e apenas foram utilizados mísseis de curto alcance, além dos tanques e artilharia. 

Donald Trump saudou o presidente norte-coreano na rede social Twitter. “Obrigado ao Presidente Kim. Vamos ambos mostrar-lhes que estão todos errados! Não há nada como um diálogo favorável entre duas pessoas que se apreciam. É uma mensagem forte e muito positiva da parte da Coreia do Norte”, escreveu. 

 

Balanço do primeiro encontro

Os dois líderes reuniram-se pela primeira vez no dia 12 de junho em Singapura, numa cerimónia que marcou o primeiro encontro da história entre os dois países. 

Da primeira cimeira resultou o compromisso de garantir a desnuclearização da Península da Coreia. Foi assinado um documento que contemplava quatro pontos essenciais e, num dos pontos, as duas potências comprometeram-se a promover a paz na Península Coreana.

Em agosto, as promessas feitas ainda não tinham sido concretizadas e, como consequência do impasse, Donald Trump cancelou a deslocação do secretário de estado Mike Pompeo a Pyongyang, justamente por considerar que as condições não eram favoráveis. Justificou-se na rede social Twitter, como é habitual do presidente norte-americano, onde afirmou que pediu a Mike Pompeo “para não ir à Coreia do Norte”: “Sinto que não estamos a fazer progressos suficientes em relação à desnuclearização da Península Coreana”.  

Recorde-se que o secretário de Estado norte-americano, antes do mês de agosto, já tinha visitado várias vezes Pyongyang para discutir pormenores sobre os procedimentos necessários para a desnuclearização da Coreia do Norte.   

 

Próximos passos

O conselheiro do Presidente norte-americano, John Bolton, confirmou na passada segunda-feira a possibilidade de um novo encontro entre Trump e Kim Jong-un. “O presidente Donald Trump não pode assumir a função dos norte-coreanos, eles são os únicos que podem avançar com medidas para a desnuclearização do seu país. E é isso que esperamos”, afirmou o conselheiro da Administração Trump. 

Segundo a imprensa americana, estava nas previsões da Casa Branca agendar um segundo encontro entre os dois líderes já em setembro, em Nova Iorque. Este encontro, caso se torne real, vai coincidir com a Assembleia Geral das Nações Unidas, que decorre de 18 de setembro a 5 de outubro. John Bolton assume, ainda assim, não acreditar que o encontro se realize nestas datas, já que, face a estas condições, o líder norte-coreano teria de se deslocar à sede da ONU. 

O pedido agora feito por Kim Jong-un aos Estados Unidos coincide com a altura em que se ultima uma cimeira de grande relevância: o encontro entre o líder da Coreia do Norte e o líder da Coreia do Sul, agendado em agosto, vai decorrer entre 18 e 20 de setembro. É o terceiro e marca a continuidade do diálogo iniciado em abril deste ano, data da primeira cimeira - na altura, os dois assinaram a Declaração de Panmunjom, com o grande objetivo de formalizar o fim da Guerra da Coreia, que aconteceu entre 1950 e 1953. A segunda cimeira entre as duas Coreias realizou-se em maio e na frente dos planos de trabalho esteve a preparação do encontro entre Kim Jong-un e Donald Trump. 

 

 

“Vamos continuar a conjugar esforços na península da Coreia”

“Acreditamos firmemente que um elemento importante na solução geral da península da Coreia é a normalização das relações entre a República Popular Democrática da Coreia [RPDC] e os Estados Unidos”, afirmou ontem, em Vladivostoque, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, referindo-se à Coreia do Norte pelo seu nome oficial.

“Vamos continuar os nossos esforços conjuntos na resolução política e diplomática da situação na península da Coreia de acordo com o plano russo-chinês”, acrescentou o chefe de Estado russo, que se reuniu ontem na cidade russa do extremo-oriente com o seu homólogo chinês, Xin Jinping.

“Apoiamos os passos dados pelas autoridade da China e da Coreia do Norte para a restauração das relações bilaterais e esperamos a eficácia de mais uma cimeira intercoreana em Pyongyang”, acrescentou Putin.

Apesar de não ter conseguido a presença de Kim Jong-un, a quem enviou um convite pessoal através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, que foi propositadamente à capital norte-coreana para o efeito. Mesmo que Moon Jae-in, o presidente sul-coreano, também optasse por não se deslocar à Rússia, Putin não deixou de jogar o seu papel política na questão diplomática mais importante da região.

Foi tema do encontro à margem do fórum de Vladivostoque, esteve no cerne da agenda da conversa com o primeiro-ministro sul-coreano, Lee Nak-yeon.

Perante a ausência dos líderes das duas Coreias, Putin garantiu que ele e Xi estão no mesmo comprimento de onda no que diz respeito à situação norte-coreana. Pequim está preocupada pela falta de progresso na desnuclearização da península e recusou o convite para estar presente nas comemorações do 70.º aniversário da fundação da RPDC, preferindo enviar uma alta individualidade do chinês.

 

* Texto editado por Carlos Diogo Santos

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×