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Pedrógão Grande. MP desmente comunicado de presidente da câmara

Pedrógão Grande. MP desmente comunicado de presidente da câmara

Mafalda Gomes Maria Fernandes 12/09/2018 19:28

O autarca Valdemar Alves afirma que “está tranquilo” e que foi a própria Câmara de Pedrógão Grande que pediu os “inquéritos judiciais” que estão em curso. MP nega

Ao i, fonte do Ministério Público (MP) garante que em causa estão fortes indícios de crime de burlas qualificadas, falsificação, participação económica em negócio, corrupção e abuso de poder. Segundo a mesma fonte, existem irregularidades na reconstrução das habitações atingidas pelos incêndios de 17 de junho do ano passado, confirmando que a investigação tem por base a reportagem da revista Visão, complementada posteriormente pela reportagem da TVI. 

Neste momento, de acordo com declarações do presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande aos jornalistas, os inspetores da Polícia Judiciária de Coimbra já têm em mãos todos os formulários aprovados pela comissão técnica deste fundo e vão agora averiguar a situação. 

A Polícia Judiciária esteve, ao longo de todo o dia, a fazer buscas nas instalações da Câmara Municipal de Pedrógão e na Casa Municipal da Cultura de Pedrógão Grande, com o objetivo de procurar provas para o processo em que estão a ser investigadas as alegadas irregularidades na atribuição de fundos para a reconstrução das casas destruídas pelos fogos de 2017. 

Recorde-se que o MP abriu, em junho, o inquérito para investigar alegadas irregularidades na reconstrução de casas afetadas pelos incêndios de Pedrógão Grande, tendo a Procuradoria-Geral da República (PGR), depois da revista Visão ter noticiado que meio milhão de euros de donativos destinados à reconstrução de casas de primeira habitação terão sido desviados para casas de segunda habitação, confirmado a informação. 

Depois da Visão, a TVI realizou uma reportagem nas aldeias destruídas pelas chamas, e mostrou vários testemunhos que dão conta de que algumas casas desabitadas há vários anos foram reabilitadas com os valores dos donativos, mesmo não sendo estas a habitação principal dos seus proprietários, factos esses que foram juntos ao processo aberto em junho.

Ao final do dia de hoje, depois de realizadas as buscas por parte da Polícia Judiciária de Coimbra, Valdemar Alves, presidente da Câmara de Pedrógão Grande, falou aos jornalistas, afirmando que ninguém foi constituído arguido, e revelou que tanto o seu telemóvel e computador, assim como os aparelhos dos funcionários do gabinete responsável por autorizar a cedência de verbas, foram alvo de inspeção por parte da PJ.

Valdemar Alves diz estar “tranquilo” em relação a buscas sobre irregularidades na utilização das verbas

“Para mim não há irregularidades, desvio de verbas não pode haver” garantiu o autarca.

Valdemar Alves disse estar “tranquilo” relativamente às buscas realizadas hoje. "Estou tranquilo, eu sou o último a assinar, assinei aquilo que me puseram à frente, confirmando, sim senhor, que confio no compromisso de honra que quem requereu a casa assinou e com o compromisso de honra dos técnicos da Câmara", declarou aos jornalistas.

"Trabalhamos sobre pressão, começámos a levantar os processos dez dias depois dos fogos. E vocês sabem disso. Por isso, poderá estar em falta uma ou outra declaração, poderá haver declarações erradas. Mas isso vai-se averiguar tudo", disse ainda à imprensa.

Sobre as acusações de que está a ser alvo a autarquia, o presidente da Câmara voltou a sublinhar: "Não acredito no compadrio, estas são terras pequenas, somos poucos habitantes, todos somos primos e primas, todos somos colegas e não há compadrio nenhum, não pode haver. Poderá haver coincidências, admito que haja coincidências, mas nunca compadrios".

Recorde-se que esta quarta-feira a Câmara Municipal de Pedrógão Grande emitiu um comunicado onde afirma que as buscas que estavam a ser realizadas tinham sido pedidas pela própria autarquia.

“A Câmara de Pedrógão congratula-se com a celeridade que os serviços do Ministério Público e da PJ entenderam conceder a estes Inquéritos Judiciais, convicta que é através dos órgãos próprios da Justiça – e não na praça pública – que se apuram serenamente os fatos e se repõe a verdade objectiva”, pode ler-se no comunicado emitido pela câmara.

 

 

 

 

 

 

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