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Marcha Mundial do Clima. O planeta voltou a sair à rua em sua defesa

Marcha Mundial do Clima. O planeta voltou a sair à rua em sua defesa

DR Beatriz Dias Coelho 10/09/2018 21:54

Em mais uma edição da Marcha Mundial do Clima, Lisboa, Porto e Faro fizeram parte das 800 cidades que saíram à rua em nome do planeta. Ao i, a Quercus faz um “balanço bastante positivo” 

“Parar o petróleo! Pelo clima, justiça e emprego!” Foi com este mote que Lisboa, Porto e Faro - apenas três de um total de 800 cidades em 80 países - se juntaram no sábado à Marcha Mundial do Clima. Só em Lisboa, mais de 1000 pessoas saíram à rua em defesa do ambiente, entre representantes de mais de 40 organizações ambientais, movimentos civis e políticos e cidadãos preocupados com o futuro do planeta.

Ao i, Nuno Sequeira, membro da direção da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, uma das associações a marcar presença na marcha, faz um “balanço bastante positivo” da iniciativa. “Foi mais um ano em que se tentou, em Portugal, chamar a atenção para este fenómeno global que é um fenómeno muito diferente de outros observados no passado, em que a poluição era sentida a nível local. Hoje, o que vemos acontecer é um país a poluir num local do mundo e outro, noutro local completamente diferente, sentir os efeitos dessa poluição.”

Para o responsável da Quercus, o facto de a Marcha do Clima ser um evento mundial é especialmente importante, uma vez que permite enviar a mensagem aos vários governos de que “é preciso agirem mais rápido na luta e na mitigação das alterações climáticas”. Ao mesmo tempo, a iniciativa sensibiliza pessoas “à escala global para este fenómeno”. Nuno Sequeira lembra que é determinante que a sociedade se mostre informada e atenta ao que se passa e “envie uma mensagem forte aos governos porque, senão, a inação acaba por ser sempre o caminho mais fácil do lado governativo”.

 

Um problema global

Em junho de 2017, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos da América iam abandonar o compromisso do Acordo de Paris, uma decisão que, inevitavelmente, veio complicar a ação dos outros países. Por isso, “esta marcha foi também um sinal de descontentamento com aquilo que têm sido as políticas ambientais e a postura quanto às alterações climáticas da administração Trump”, nota Nuno Sequeira. “É preciso que haja uma mudança de atitude por parte dos EUA porque, caso contrário, corremos o risco de os esforços do restante planeta serem insuficientes.”

No contexto português, as organizações que deram voz a gritos de guerra como “Deixem o petróleo debaixo do solo”, “Negociar o quê, não há planeta B” e “Descarbonização, sim, é a solução” pretendiam “colocar a nu alguma incongruência que se sente”, diz o representante da Quercus. É que, se por um lado o país tem vindo a fazer uma forte aposta nas energias renováveis - “que deve ser o caminho do futuro”, defende Sequeira - e o governo assumiu o compromisso de alcançar a neutralidade carbónica em 2050, por outro lado, simultaneamente, “nos últimos quatro anos, o governo tem vindo a fazer uma aposta na prospeção de combustíveis fósseis em território nacional, não negando a possibilidade de uma eventual exploração no futuro”, afirma.

De resto, nesta edição, à semelhança das anteriores, a Marcha Mundial do Clima veio mostrar que organizações e pessoas um pouco por todo o mundo estão atentas e unidas num caminho que, se o objetivo é salvar o planeta, só pode ter uma direção: “apostar em energias renováveis e em eficiência energética, e não entrar nestas apostas suicidárias como as explorações de hidrocarbonetos, que colocam em causa os esforços mundiais para acabar com a dependência de petróleo e têm enormes riscos ambientais e económicos”, defende Sequeira.

Coincidência ou não, por cá, a marcha deste ano ficou marcada pela realização, no mesmo fim de semana, da polémica conferência negacionista das alterações climáticas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Sobre isso, o responsável da Quercus deixa poucas palavras: “A marcha acontece todos os anos por esta altura e já está marcada há muito tempo. Não sabemos se a conferência terá ou não sido já marcada propositadamente nesta altura, mas o único comentário que nos merece é que é uma conferência que está completamente em contraciclo e completamente fora de tempo. Neste momento existe já um consenso muito alargado na comunidade científica sobre as alterações climáticas e os efeitos devastadores que não só vão como estão já a provocar.” A discussão que deve, sim, haver “é sobre o que ainda há a fazer”, conclui o especialista.

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