19/11/18
 
 
Tiago Mota Saraiva 10/09/2018
Tiago Mota Saraiva

opiniao@newsplex.pt

A hora de Luís Filipe Vieira

Não me interessa achar que as acusações são verdadeiras ou falsas, interessa-me que se apure a verdade. Contudo, pelas notícias vindas a público esta semana, temo o pior

Sou benfiquista e está fora de questão deixar de sofrer por todas as suas equipas. Enquanto benfiquista, padeço da virtude de festejar cada vitória do clube, tanto quando joga pior como quando resulta de más decisões arbitrais. Tudo faz parte do jogo. Erros existiram e existirão. Não tenho a perspetiva de alguns higienistas que se pavoneiam a tergiversar sobre a “verdade desportiva”, como se o erro, o azar ou a irracionalidade não fizessem parte do jogo, acrescentando-lhe drama e incerteza.

Ao invés, a ideia de que a direção do meu clube possa ter construído premeditadamente uma rede de controlo e ingerência no sistema judicial incomoda-me. Incomoda-me porque significa que outras organizações, com fins mais perniciosos, também o poderão fazer por dois patacos e porque pode pôr em causa a ideia de quem, como eu, pensa que Luís Filipe Vieira foi um presidente decente - depois de uma sucessão de direções incompetentes, antes e depois do desastre Vale e Azevedo.

Estes próximos tempos serão os momentos mais difíceis para a gestão de Vieira. Será decisivo que consiga demonstrar publicamente a sua inocência e do Benfica nos inúmeros processos que estão sob investigação e, acrescento, que consiga abrir espaço para um processo sereno e democrático de sucessão que não passe pela valorização de algumas figuras sinistras de que se tem vindo a rodear e que hoje demonstram ser a sua maior fragilidade. É, espero, o principal interessado em que a investigação se faça e que os culpados sejam encontrados, pois será esse apuramento da verdade que determinará a forma como a sua presidência ficará para a História.

Não me interessa achar que as acusações são verdadeiras ou falsas, interessa-me que se apure a verdade. Contudo, pelas notícias vindas a público esta semana, temo o pior. Todos conhecemos as escutas do Apito Dourado e os zelosos erros processuais que permitiram a não condenação. Ora, a acusação do Ministério Público conhecida esta semana não parece ter pernas nem cabeça - vários especialistas em direito já o afirmaram -, pelo que temo que possa vir a seguir o caminho do caso que envolveu a direção do FC Porto. 

Um arquivamento nebuloso não nos deve satisfazer nem ajuda Vieira a ficar para a História como um dos melhores presidentes da história do Benfica, tal como desejo.

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