23/9/18
 
 
Vítor Rainho 10/09/2018
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

As mentiras televisivas dos assassinos

Quando vi as declarações na televisão da filha da professora assassinada no Montijo, fiquei perplexo. Não se via um pingo de preocupação no rosto da mulher e falava como se estivesse a dizer que um periquito lhe tinha fugido da gaiola. Cheguei à redação e fiz um comentário sobre essa frieza da mulher que se sujeitou a falar para a televisão com o ar mais sereno do mundo e quando as televisões não paravam de dar conta do desaparecimento da mãe. Horas depois, as mesmas televisões davam conta de que a mulher que tinha falado com aquela ligeireza estava a ser ouvida pela PJ, onde acabou por ficar em prisão preventiva depois de ter assumido, juntamente com o marido, que tinham matado a professora, que lecionava na terra, com um martelo, depois de a terem drogado com calmantes.

Diana Fialho teve o desplante de colocar no seu Facebook um pedido de ajuda a alguém que pudesse dar informações sobre a mãe, que tinha desaparecido de casa há dois dias. Nas instalações da PJ confessou que a embrulharam numa manta e que que a largaram numa zona de mata e lhe pegaram fogo. Como é possível alguém conseguir mentir perante o assassinato da mãe? Ou melhor: como é possível alguém cometer um crime hediondo como este por causa de uma herança de duas casas no Montijo e dois carros?

E se Diana conseguiu falar para as televisões com aquela candura, como havemos de não desconfiar de algumas personagens que cometeram crimes financeiros e clamam inocência? A televisão, as redes sociais e outros meios servem para os criminosos tentarem “enganar” quem os ouve, mas eles não percebem que a mentira tem perna curta. Esperemos que a justiça não seja branda com quem comete crimes desta natureza.

P. S. Tem passado um pouco despercebido, mas só pode ser por haver indicações superiores para o fenómeno desportivo. Um grupo de adeptos do Boavista agrediu os donos de um restaurante nos Açores, onde o clube tinha ido jogar contra o Santa Clara, e três deles ficaram em prisão preventiva. E bem, mas quantos casos destes no passado mais longínquo implicavam prisão preventiva? Esperemos que estas “novas” regras se apliquem também aos adeptos que vandalizam as bombas de gasolina que ficam entre a sua cidade e aquela onde a sua equipa vai jogar. 

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