21/9/18
 
 
O plano de May para o Brexit é como “um colete suicida”

O plano de May para o Brexit é como “um colete suicida”

Ian Kington/AFP António Rodrigues 09/09/2018 19:38

Boris Johnson voltou a atacar a política da primeira-ministra britânica na questão do Brexit com uma linguagem que suscitou muitas críticas

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros britânico e um dos principais rostos da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia voltou ontem à carga contra Theresa May e o seu acordo para o Brexit, o mesmo que o levou a sair do governo. E voltou com palavras que foram longe de mais e mereceram as maiores críticas.

Num artigo de opinião no “Mail on Sunday” - e que fez a manchete do jornal -, Johnson comparou o plano da primeira-ministra britânica para o Brexit a um “colete suicida” cujo detonador está entregue ao chefe dos negociadores da União Europeia, Michel Barnier. Acrescentando que o executivo britânico colocou deliberadamente a sua cabeça no cepo “numa forma estranha e quase masoquista”, permitindo que, “em todos os momentos da negociação”, Bruxelas tenha conseguido o que queria.

Palavras duras, com uma metáfora considerada de mau gosto: “isto marca um dos momentos mais repugnantes da política britânica moderna”, afirmou Alan Duncan, que trabalhou com Johnson durante dois anos como ministro para a Europa. “Desculpe, mas este é o fim político de Boris Johnson. Se não acontecer agora, vou-me certificar que o seja mais tarde”, escreveu Duncan no Twitter.

Sajid Javid, o ministro do Interior afirmou na BBC “que há melhores maneiras de mostrar as nossas diferenças” e que os políticos deveriam ser capazes de “medir a linguagem”.

Tom Tugendhat, presidente do comité de Assuntos Estrangeiros da Câmara dos Comuns, disse ao seu possível rival na corrida à liderança dos tories para “crescer”, porque comparar um atentado suicida com a primeira-ministra britânica “não é feliz”.

O mesmo tom partilhado por Alistair Burt, outro deputado conservador que também já trabalhou no Ministério dos Negócios Estrangeiros, referiu no Twitter que “há uma linha em termos de linguagem para aqueles em posições proeminentes”, que podem “ser arrebatados, mas com limitações”.

O próprio “Mail”, onde Johnson escreveu a sua crónica, admite que as palavras ácidas do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros estarão relacionadas com os momentos conturbados da sua vida privada. “Nos primeiros comentários públicos que faz desde o fim do seu casamento, Johnson abre o caminho para uma possível disputa de liderança ao exigir a May que assuma uma posição mais agressiva nas negociações do Brexit”, adianta o jornal. O “Mail” revelou na sua edição de ontem um alegado dossier do governo sobre os casos extraconjugais de Johnson. 

Para Burt, no entanto, “não há justificação para uma analogia tão ultrajante, inapropriada e dolorosa” como a que foi usada por Johnson, ao colocar a primeira-ministra como uma terrorista contra a Constituição britânica. “Se não paramos com esta utilização extraordinária da linguagem em relação ao Brexit, o nosso país poderá nunca vir a sarar. Mais uma vez, digo, basta”, refere indignado o deputado conservador noutro tweet.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×