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Sporting. O que dizem os quatro principais candidatos à presidência dos leões

Sporting. O que dizem os quatro principais candidatos à presidência dos leões

Ana Antunes Laura Ramires 07/09/2018 08:24

Amanhã é o dia D para o Sporting Clube de Portugal. A um dia dos sportinguistas se deslocarem às urnas para votarem no sucessor de Bruno de Carvalho, os principais candidatos à presidência leonina, José Maria Ricciardi, João Benedito, Frederico Varandas e Dias Ferreira, respondem às questões do i.

Frederico Varandas. "O meu treinador é José Peseiro"

Ter sido um dos primeiros opositores a Bruno de Carvalho após o ataque a Alcochete é o seu maior trunfo?

Entendi que devia tomar uma posição nessa altura porque não suportei o que estava a acontecer no Sporting. Mas neste momento isso é passado. O meu maior trunfo é a nossa candidatura, o nosso projeto e a nossa equipa. Tenho 11 anos de experiência de futebol profissional, que, com todo o respeito, mais nenhum candidato tem. E esse conhecimento irá permitir pôr o Sporting a ganhar. O Sporting não é campeão de futebol há 16 anos. A época já começou. Não há tempo a perder. Não há tempo para o novo presidente aprender o que é preciso para ganhar. 

Enquanto médico, a qual dos candidatos fazia um curativo?

Enquanto médico da minha especialidade todos me parecem saudáveis.

Como reage às acusações de ter apoiado, com o seu irmão, vários jogadores nos processos de rescisão com o Sporting?

Essas acusações não fazem qualquer sentido e não são verdadeiras. Nunca agiria, e nunca agi, contra os interesses do Sporting. Aliás, os últimos meses do Sporting são bem conhecidos e todos sabem os motivos que levaram os jogadores a tomarem essas decisões. Espero que a partir de sábado, com a eleição de um novo presidente, se inicie um novo ciclo. 

Quanto às rescisões, só há um caminho: defesa intransigente dos interesses do Sporting. Se for para levar os processos até ao fim, levamos. Se acharmos que é melhor chegar a um acordo, chegamos. Mas que ninguém tenha ilusões: os interesses do Sporting estão acima de tudo.

Enquanto diretor clínico dos leões, alguma vez deu algum jogador clinicamente inapto como apto?

Nunca o faria. A saúde e a integridade física dos jogadores estão em primeiro lugar. Enquanto diretor clínico entendi sempre que os jogadores deviam era ser monitorizados ao detalhe para terem menos lesões. 

Como analisa o empate técnico com João Benedito na sondagem Intercampus?

Não valorizo sondagens. Até porque não são completamente abrangentes do universo do Sporting.

Se ganhar,  já tem acordo para o regresso de Jorge Jesus?

Não tenho acordo nenhum com Jorge Jesus, que respeito e admiro. O meu treinador é José Peseiro. É um treinador português que conhece bem o futebol português e que sabe o que é jogar no campo do Portimonense ou do Chaves e enfrentar os rivais diretos do Sporting. 

O que o distingue de João Benedito e José Maria Ricciardi?

O lema da minha candidatura é Unir o Sporting. E, por isso, prefiro em primeiro lugar dizer o que me une aos meus adversários diretos: somos todos do Sporting e estou certo que todos queremos que o Sporting ganhe. Quanto às diferenças, estas residem no projeto mas também na emergência de o implementar. Só o nosso projeto valoriza a circunstância de estarmos a liderar o campeonato e potencia a possibilidade de, embora não sendo favorito, o Sporting poder vir a ser campeão na época em curso. O Sporting precisa de ideias concretas para o futebol e de uma equipa experiente. Não podemos ficar à espera que um novo presidente aprenda futebol.

João Benedito. "Não devemos nada a ninguém"

Ainda antes destas eleições, sempre foi considerado um dos possíveis candidatos à presidência do Sporting. Afinal, este foi um percurso bordado com a paciência que o amor à camisola exige?

Foi um percurso de esforço, dedicação e devoção. Os mesmos valores com que investi na minha carreira de atleta, estudante, gestor e empresário.

Diz que a sua candidatura marca pela coerência, conhecimento e…

Independência e Conhecimento são os valores chaves da Candidatura. Independência: que nos permitirá, já a partir de dia 9 de Setembro, tomar as melhores decisões no interesse exclusivo do Sporting Clube de Portugal. Não devemos nada a ninguém. Conhecimento: personificado na liderança do projecto, numa equipa que sabe o que é ganhar e alia sucesso desportivo a experiência de gestão.

Para si, o que significa o empate técnico com o candidato Frederico Varandas, resultado da sondagem da Intercampus?

Não fizemos nem pagámos nenhuma sondagem. Agradecemos o apoio crescente e o entusiasmo que sentimos do Algarve ao Minho, no Estádio, no Pavilhão, em todo o lado. Não mudámos uma vírgula no nosso programa apresentado a 19 de Julho por influência de sondagens, interesses de terceiros, agências de comunicação ou pressões de última hora. Definimos um rumo e seguimo-lo escrupulosamente. Distinguimo-nos por uma campanha limpa, por sermos filhos do Sporting, por nunca sobrepor comunicação ao conhecimento e por trazer soluções ao presente e ao futuro do Sporting Clube de Portugal. 

Se ganhar esta corrida, coloca em questão recrutar Frederico Varandas para a equipa médica dos leões?

Se eu for eleito Presidente, como espero, tomarei sempre as decisões que forem melhores para o Sporting Clube de Portugal.

Já desmentiu o nome de Rui Meireles como seu CEO, mas acha que o antigo diretor financeiro dos leões pode ser uma boa aquisição para o seu grupo de trabalho?

Desmenti todos os nomes e já tive ocasião de garantir aos Sócios do Sporting Clube de Portugal que temos um profissional extraordinário, sócio, com o perfil já anunciado que acrescenta competência, rasgo e inovação numa gestão que se pretende transversal, profissional, sustentada e moderna. 

O que tem a dizer dos seus adversários diretos, Frederico Varandas e José Maria Ricciardi?

Desculpe mas os nossos adversários são os nossos rivais Porto e Benfica. Amanhã será um dia novo para o Sporting Clube de Portugal. Espero que o resultado destas eleições torne o nosso Clube mais forte e mais preparado para ser “tão grande como os maiores da Europa”.

José Maria Ricciardi. "Ou eu ou o descalabro"

Quem está por trás da “campanha negra” de que diz estar a ser vítima?

Já disse: é o Sr. Dr. Frederico Varandas e obviamente a sua agência de comunicação, a LPM. Fizeram-no de uma forma infame e que demonstra bem o carácter do candidatoe. Em vez de fazerem uma campanha com elevação, lançaram-se nas maiores infâmias e insultos, mas acho que os sócios não se deixam enganar por este género de truques baixos.

A junção com PMR não pode ter efeito contrário e, em vez de ser vista como “união de forças”, ser olhada como uma manobra de desespero?

Não fiz junção nenhuma com Pedro Madeira Rodrigues, está aí um engano no Jornal i. O Dr. Madeira Rodrigues achou que não tinha condições para ganhar as eleições e disse aos seus votantes que a pessoa em quem deveriam votar era na minha pessoa. Ele entende, e bem, que é a única candidatura que poderá salvar o Sporting da desgraça em que estará se um desses dois estagiários ou amadores, o Dr. Varandas ou o Dr. Benedito, ganharem. Se isso acontecer vai ser o descalabro no Sporting. O Doutor Pedro Madeira Rodrigues é uma pessoa esclarecida e um grande sportinguista. Não houve junção nenhuma nem há qualquer espécie de desespero.

Em caso de vitória, estaria disposto a trabalhar com algum dos outros candidatos, nomeadamente João Benedito e Frederico Varandas ?

Já disse que um dos maiores dramas do Sporting é a sua balcanização e a sua divisão, sobretudo nestes últimos tempos do Dr. Bruno de Carvalho. O Sporting precisa de coesão. Há uma grande coesão no Porto e no Benfica porque há fortes lideranças e o problema no Sporting é que têm havido fracas lideranças. O Sporting só ganhará coesão com uma forte liderança, que é o nosso caso e o único de todos os candidatos, com todo o respeito pelos outros. Tenciono convidar todos os candidatos que não ganharem para um Conselho Estratégico exatamente para tentar atingir o objetivo absolutamente fundamental da coesão do Sporting.

O que o distingue  dos outros candidatos?

O clube está numa situação gravíssima e, aliás, aproveito para dizer que acho escandaloso e uma vergonha que a Comissão de Gestão, o Conselho de Admnistração da SAD e a Comissão de Fiscalização ande a ocultar aos sócios a gravíssima situação do Sporting, financeira, que não paga a um único fornecedor. Tem problemas graves de tesouraria, que não sabe, a partir de novembro, como é que vai haver dinheiro para pagar os vencimentos - e andam a tentar ocultar esta realidade dos sócios. Acho de uma gravidade e de uma grande irresponsabilidade. É exatamente isto que me distingue destes dois candidatos. É que eles também são inconscientes e não têm maturidade, não têm experiência, não têm qualquer capacidade para dirigir o clube nesta situação. E ao mesmo tempo que se tem de salvar o Sporting desta situação, temos que fazer do Sporting campeão nacional. Se assim não for, com  a diferença das receitas para aqueles que vão à Liga dos Campeões, vai haver um fosso entre o Sporting e os seus rivais, algo que nos será muito difícil de ultrapassar.

Se amanhã for eleito presidente, qual a primeira medida que vai tomar?

A primeira medida que vou tomar é reunir-me com o treinador para ver exatamente quais são os reforços que ainda poderemos ir encontrar, agora ou em janeiro, para o Sporting ser este ano campeão nacional.

Dias Ferreira. "O clube não precisa de pensos rápidos"

Aceitar contar com o apoio do Carlos Vieira, e até defender o apoio prestado pelo antigo membro do CD, não pode ser visto como um tiro no pé? 

O Sporting tem tido o péssimo hábito de criar separações entre a sua própria família devido a sectarismos, preconceitos, e à ideia de que existem sócios de primeira e sócios de segunda. Quando Carlos Vieira me apoiou e eu tive algumas reuniões com ele, foi fácil perceber que se trata de um grande sportinguista, um especialista na área financeira e um homem com conhecimento profundo da atual situação do Sporting. Estas pessoas não podem ser desperdiçadas só porque apoiaram um projeto anterior e que falhou por responsabilidade de outras pessoas. Carlos Vieira sacrificou o próprio estatuto para tentar manter a estabilidade do Sporting. Não é um tiro no pé, é um tiro no porta-aviões de quem deseja a ruína do Sporting.  

 Diz que o seu exemplo é Marcelo Rebelo de Sousa. É uma candidatura com base na experiência e os afetos? 

A experiência é uma força inequívoca da minha candidatura, bem como a intenção de agregar a família sportinguista. O Sporting não pode cair na tentação de embarcar em experiencialismos. Pior ainda seria o Sporting ajoelhar-se perante o discurso de medo e intimidação financeira de alguns candidatos ou regressar a um passado relativamente recente que foi rejeitado por 90% dos sócios em 2017 e por uma maioria clara em 2013.    

O que o distingue dos restantes candidatos? 

Além dos anos de luta pelos interesses do Sporting e da experiência de cerca de quatro décadas no futebol nacional, é a equipa de grande qualidade que me acompanha e o ambicioso projeto de futuro que queremos implementar. Enquanto outros candidatos querem aplicar um ‘penso rápido’ às feridas do clube e continuar a investir segundo os mesmos critérios que nos obrigaram a fazer várias reestruturações ao longo dos últimos anos, eu proponho soluções de futuro que permitem criar estabilidade financeira e desportiva. 

Se for eleito presidente amanhã, qual a primeira medida que irá tomar? 

Vamos fazer uma reavaliação global do clube e perceber quais são as prioridades. Temos várias ideias em mente, mas não podemos entrar no clube determinados a implementar as medidas e depois reformular o plano imediatamente por não encontrar o que estávamos à espera. A minha candidatura assenta numa abordagem responsável. 

Caso seja eleito, estaria disposto a trabalhar com algum dos candidatos? 

Inicialmente abordei os potenciais candidatos para tentar alianças e uniões que criassem listas mais fortes, mas ficou claro que não existia interesse. Depois de montar a minha equipa com pessoas de grande qualidade, abordaram-me para alianças e disse que não, mas lancei o apelo - quero que todas as boas ideias sejam aproveitadas e quero ser o presidente de todos os sportinguistas. Disse sempre e continuo a repeti-lo: quando ganhar as eleições, todos os candidatos derrotados estão convidados a integrar o meu Conselho Estratégico.

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