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Comic Con. A onda de Cosplay que invadiu o Passeio Marítimo de Algés

Comic Con. A onda de Cosplay que invadiu o Passeio Marítimo de Algés

Bruno Gonçalves Filipa Traqueia 07/09/2018 08:04

São cada vez mais os que se vestem a rigor para participar nos eventos de cultura pop. No primeiro dia da Comic Con foram vários os cosplays que desfilaram pelo recinto

Seria difícil encontrar uma Harley Queen – uma personagem do universo da banda desenhada da DC – ao lado de uma Sailor Moon – protagonista de uma anime japonesa – ou de um Chapeleiro Louco – da conhecida história da Alice no País das Maravilhas… Exceto na Comic Con.

Pela primeira vez, Oeiras recebeu o maior festival de cultura pop do mundo e, logo no primeiro dia, os famosos cosplays – quando os fãs se vestem ilustrando os seus ídolos do mundo do fantástico – apareceram no Passeio Marítimo de Algés.

Inês Infante tem 24 anos e decidiu que nesta Comic Con ia ser a Sailor Moon, uma personagem de anime que foi muito famosa em Portugal nos anos 90. Com uma peruca loira e o gato Luna na mão, Inês usa o cosplay como “uma fuga à realidade”. “Aqui posso experimentar ser alguém que vi na televisão e ter poderes imaginativos”, explica a jovem que começou a fazer cosplay em 2008 e não planeia parar.

A criação do cosplay pode ser mais ou menos elaborada. Há quem compre os fatos, há quem utilize roupa que tem em casa adicionando alguns elementos e há quem faça o próprio fato. É o caso de José Alves, de 50 anos, cenógrafo de profissão e que esta quinta-feira decidiu ser o Chapeleiro Louco. “Não me largam”, diz com um sorriso referindo-se às pessoas que se dirigem para tirarem uma fotografia ao pé dele. José Alves trabalhou durante vários anos para a Walt Disney Portugal, onde fazia os cenários e os guarda-roupa das personagens. Agora continua a criar fatos mas para um objetivo diferente.

Para quem prefere pôr mãos à obra, todos os materiais podem ser úteis. Miguel Rodrigues, de 26 anos e empregado de mesa, quis ser a Tartaruga Genial – uma personagem da conhecida anime Dragon Ball – e fez uma carapaça usando cartão, papel mache e um tapete de ioga. “Demorei mais ou menos um mês a fazer a carapaça”, conta Miguel Rodrigues. “Andei maluco à procura de uma personagem que fosse careca para fazer”, acrescenta entre risos.

Já Rita Ladeira dedicou mais tempo aos seus acessórios. Quis ser Ash Williams, uma personagem do filme de terror Evil Dead que tem uma serra elétrica embutida na mão. Só para criar a serra dedicou dois meses. Usou madeira, tapetes de ioga, acessórios para velas, brinquedos de gatos entre outros objetos que tinha por casa. Uma combinação improvável para quem está neste momento a imaginar uma serra elétrica. “Mascaro-me desde miúda”, admite Rita. “Os meus pais são iguais”, acrescenta lembrando um episódio recente em que o pai lhe pediu alguns anéis para se vestir de Zezé Camarinha com os amigos. Mas Rita não fez só o seu fato. A amiga Ágata Rodrigues, que se vestiu de Harley Queen – a namorada do Joker no universo do Batman –, traz na mão um martelo gigante feito também por Rita. As duas conheceram-se durante um evento da Comic Com e acabaram por ficar amigas.

Como fazer um bom cosplay?

A arte de fazer cosplay tem ganhado muitos seguidores nos últimos anos e há mesmo quem se tenha tornado um cosplayer profissional. Serg Loki é um exemplo disso. O cosplayer russo foi convidado pela organização da Comic Com para ser o júri do concurso que se realiza no domingo.

“Já fiz parte de júris várias vezes”, disse ao i Serg Loki. Para ele, os participantes do concurso devem “apresentar um cosplay perfeito”, mas não é só isso que é avaliado. “Têm de fazer a personagem como a imaginam. A primeira coisa que eu procuro é uma personagem completa: não é só maquilhagem, tem de ter peruca, armadura, caso a personagem tinha armadura. E tem de haver emoção na cara, não pode ser só o fato”, explica.

Serg Loki é cosplayer há cerca de oito anos. “Para mim não é apenas um trabalho, é a forma como adoramos as personagens”. Serg Loki apresenta várias personagens mas as duas pelas quais é mais conhecido são – como faz referência o próprio nome –  o deus nórdico Loki, que integra os filmes de ação da Marvel, e Thranduil, um elfo do universo do Senhor dos Anéis.

Para Ágata Rodrigues o importante no cosplay é identificar-se com a personagem. “Quando fases um cosplay de algo que não te identificas é complicado”, diz recordando momentos em que se cruzou com raparigas vestidas de Harley Queen – desbocada e irreverente – que eram tímidas e envergonhadas.

Os cosplays são uma parte importante da Comic Con e, por isso, há uma área dedicada apenas a esta prática. Dentro das tendas há camarim para os participantes possam vestir os seus fatos, assim como uma zona de SOS Cosplay para qualquer eventualidade. Cola quente, linhas e agulhas são alguns dos acessórios essências para reparar um imprevisto no fato.

Rita Ladeira acabou por ter de recorrer ao SOS Cosplay. Uma parte da sua serra elétrica descolou-se e foi preciso colá-la de novo. Segundo Mafalda Almeida, ajudante no SOS Cosplay, o que tem sido mais procurado “é a cola quente para concertar armadilhas”.

Na mesma zona a Make Up For Ever faz demonstrações de caraterização e body painting. Catarina Freitas é uma das maquilhadoras e explica que o trabalho pode demorar entre uma e quatro horas. “Se for fazer feridas, uma hora chega. Mas se for para aplicação de próteses de maquilhagem ou para fazer body painting já podem ser precisas quatro horas”. Esta quinta-feira Catarina está a maquilha Deja, uma personagem do filme John Carter, e maquilhou também um dos war boys do êxito de bilheteira Mad Max. Todos os dias do evento vão ser reproduzidas dois cosplays.

Crossplay e Gender Bender

Quando um rapaz aparece com um cosplay Harley Queen pode ser uma de duas coisas: ou um crossplay ou um gender bender. A diferença é a interpretação da personagem. Daniel Martins, de 22 anos, inspirou-se na personagem da DC, dando-lhe uma vida masculina. Ou seja, trata-se de um gender bender. “Escolhi a Harley Queen devido à personalidade dela no filme. É ousada”, explica.

Por outro lado, o crossplay acontece quando a personagem representada é de outro sexo, mas o cosplay mantém-se fiel ao original. Marta Miranda é adepta de crossplay. “Raramente faço de mulher, mas quando faço a personagem tem de ter uma personalidade vincada, tem de ser carrancuda”, explica referindo-se à Gamorra– uma das personagens do Guardiões da Galáxia –, o seu cosplay. Marta explica que está “a pé desde as 6h30” para preparar o fato e que um dos principais desafios foi a pintura da cara e dos braços de verde, cor da pele da personagem.

Apesar de haver um concurso no próximo domingo, a maior parte das pessoas que adere ao cosplay fá-lo por divertimento. “Viemos pelo cosplay porque gostamos de exibir as nossas maquilhagens. Viemos pelo convívio”, diz Rita Ladeira.

 

 

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