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Doença. Novo medicamento para doentes com Parkinson chega a Portugal

Doença. Novo medicamento para doentes com Parkinson chega a Portugal

Dreamstime Tatiana Costa 06/09/2018 19:48

Dois anos depois de ter sido aprovado pela Comissão Europeia, o novo fármaco da Bial tem finalmente luz verde para chegar ao mercado nacional

Depois de vários anos de pesquisa, a comunidade científica chegou a uma descoberta sobre como travar a progressão da doença de Parkinson. O resultado foi um novo medicamento produzido pela farmacêutica portuguesa Bial e aprovado em 2016 pela Comissão Europeia e desde então comercializado em alguns países da Europa. Mas chegou a Portugal, o seu país de origem, com atraso.

José Bravo Marques, médico especialista de neurologia, explica ao i que o Ongentys pertence a um grupo de fármacos que ajudam a inibir a enzima que destrói a dopamina - substância responsável por enviar mensagens nervosas ao longo do cérebro para comandar os movimentos do corpo. Quando a dopamina é destruída, as células cerebrais morrem, o que pode levar ao aparecimento da doença.

“Ao inibir essa enzima, [este medicamento] prolonga a duração da ação da dopamina no sangue e neste caso no cérebro”, explica o especialista. “É o que se pretende nos doentes com Parkinson, que têm um falta de produção de dopamina”, completa o médico.

Segundo José Bravo Marques, o Ongentys tem de ser tomado juntamente com outro medicamento indicado para retardar os efeitos da doença, conhecido como Levodopa, que por sua vez se transforma em dopamina. Esta combinação vem “impedir que a dopamina seja destruída”, fazendo com que haja uma “maior duração da ação de cada comprimido de Levodopa”. No fundo, vai prolongar “a duração da ação de outro medicamento que é fundamental” para os doentes.

Se o tempo da dopamina presente no cérebro aumentar, o doente passará a ter mais mobilidade durante um maior período de tempo, acrescentou o responsável.

Comercialização tardia? Aprovado em 2016, o fármaco começou a ser comercializado na Alemanha, Espanha e Inglaterra nesse mesmo ano. Dois anos depois chega a Portugal e durante este mês chegará também a Itália. A Bial já tem acordos assinados também com os Estados Unidos da América, Coreia do Sul e China para lançar o medicamento, prevendo-se que isso venha a acontecer nos próximos três anos.

Ao i, José Bravo Marques considera que é sempre melhor ter acesso aos medicamentos “mais cedo do que mais tarde”, mas acredita que o atraso se deveu a questões regulamentares, e não de ordem médica.

A farmacêutica portuguesa corrobora esta tese. Ao i, esclareceu que a integração do medicamento no mercado depende de um “procedimento centralizado, seguindo-se os processos de individuais de definição de preço e comparticipação nos diferentes países”. Esses processos “variam de acordo com a legislação/regulamentação de cada país”. Contudo, a mesma fonte revelou que Portugal é o 5º país a aprovar este medicamento e que estão “muito satisfeitos por trazer ao mercado português o nosso segundo medicamento de investigação”. 

Quanto à inovação no tipo de tratamentos, o médico especialista diz ao i que se trata de uma “opção” de tratamento porque existe outro medicamento para ajudar a controlar a Parkinson. No entanto, prefere ser cauteloso. “Não conheço assim tão bem o medicamento para saber se os doentes vão beneficiar mais disto do que o outro medicamento”, completa.

Já a farmacêutica garante que este remédio é inovador porque “reduz o chamado tempo em estado OFF em doentes de Parkinson - período que se caracteriza pela evidência dos habituais sintomas da doença -” e é de toma única diária.

Em Portugal estima-se que cerca de 18 a 20 mil portugueses sofram com a doença de Parkinson. Por ano, são identificados dois mil novos casos, “estimando-se que nos próximos anos a prevalência da doença aumente face ao envelhecimento da população”. Segundo a farmacêutica, Portugal é um dos países com maior prevalência “de uma mutação genética considerada a causa mais frequente de doença de Parkinson”.

Famosos diagnosticados com Parkinson O caso de Michael J. Fox - conhecido por ter dado vida a Marty McFly na trilogia ‘Regresso ao Futuro’ - não apenas constituiu uma surpresa como deu enorme visibilidade à doença. O ator foi diagnosticado com apenas 21 anos, uma idade pouco comum para a doença se manifestar. No entanto, o público só soube que sofria de Parkinson em 1998, quando este tinha 37 anos. Dois anos depois, abandonava a vida de ator a tempo inteiro para se dedicar à The Michael J. Fox Foundation, uma organização sem fins lucrativos que se dedica ao estudo da doença em busca de uma possível cura.

Não é caso único de um notável afetado pela doença. Muhammad Ali foi outra das suas vítimas. Considerado um dos maiores pugilistas da história, mas também conhecido pelas suas tiradas provocatórias, foi diagnosticado em 1984, três anos depois de ter arrumado as luvas e abandonado as arenas de combate. As pancadas a que foi sujeito na cabeça podem ter contribuído para que contraísse a doença.

Tal como Michael J. Fox, Ali teve um papel fundamental na consciencialização e sensibilização da população para o Parkinson. Em 1997 criou, juntamente com a sua mulher, o Centro Muhammad Ali Parkinson, com o objetivo de dar apoio às pessoas que vivem com este problema. Morreu em 2016, já muito debilitado, com 74 anos.

Também o Papa João Paulo II sofria de Parkinson. O diagnóstico foi revelado por um cirurgião italiano em 2001. A confirmação oficial, por parte do Vaticano, só chegou em 2003. Depois de ter sobrevivido a duas tentativas de atentado (1981 e 1982), morreu em 2005, vítima da doença. Nos últimos anos, a fragilidade da sua condição e o esforço que tinha de fazer nas suas aparições públicas já eram evidentes.

João Paulo II foi o Papa com o terceiro maior pontificado registado na história da Igreja, que liderou ao longo de 26 anos. 

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