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Estes são os processos que terão sido consultados pelas toupeiras do Benfica

Estes são os processos que terão sido consultados pelas toupeiras do Benfica

José Sérgio Carlos Diogo Santos 05/09/2018 19:52

Vouchers, caso dos emails, investigação a Bruno de Carvalho e inquéritos como o Galpgate e o que visou Mário Centeno são alguns deles

Paulo Gonçalves e a Benfica SAD tiveram acesso a informações de dezenas de inquéritos, segundo a acusação a que o i teve hoje acesso. Parte dos dados foram conseguidos por intermédio do funcionário judicial José Silva que com credenciais de outros agentes da justiça recolheu informações de casos que estavam em segredo de justiça, canalizando tudo para Paulo Gonçalves. A maioria das consultas ilegais foram feitas, segundo o MP, com as credencias da procuradora Ana Paula Vitorino – foram mais de 600 consultas nos bastidores a um total de 26 processos.

Inquérito 9693/10

Foram feitas quatro consultas a este processo, em que se investigaram crimes de corrupção, sendo a Benfica SAD um dos denunciados. Foi aberto em 2010 e arquivado em setembro de 2016.

Processo 3656/12

Trata-se de uma ação executiva que correu no Tribunal do trabalho de Lisboa para pagamento de salários, diferenças salariais e indemnizações, em que punha frente a frente Pedro Manuel Safara da Silva Inácio e a Belenenses SAD. Foi consultado por José Silva uma vez no ano passado.

Processo 2189/13

EM causa está uma ação que corre no juízo central cível de Lisboa interposta pela Porto SAD e que tem como réus Miguel Sousa Tavares, Vítor Serpa e a Sociedade Vicra Desportiva. Foram feitas duas consultas.

Inquérito 6255/15

É uma investigação aberta após uma denuncia da Doyen Sports Investments Limited, um dos maiores fundos de investimento do futebol, com sede em Malta, contra desconhecidos, que mais tarde veio a incorporar queixas apresentadas por Nélio Freire Lucas, diretor-geral da Doyen, e uma apresentada pela Sporting SAD. Foi consultada três vezes no ano passado.

Inquérito 143/17

Trata-se do famoso caso dos emails, que se iniciou com uma queixa do próprio Benfica contra incertos por acesso indevido ao sistema informático do clube, sobretudo aos emails, que acabaram por ser publicados. Foi consultado210 vezes por José Silva, também com as credencias de Ana Paula Vitorino e as informações transmitidas a Paulo Gonçalves.

Inquérito 6785/15

Conhecido como caso dos Vouchers, teve origem numa denúncia feita pela Federação Portuguesa de Futebol com base numa entrevista concedida por Bruno de Carvalho, então presidente do conselho de Administração do Sporting à TVI24. Foi consultada 187 vezes, tendo a informação recolhida sido depois passada a Paulo Gonçalves.

Inquérito 8/16

Em causa estava uma investigação a alegados crimes praticados num departamento do SEF, tendo sido pedidas informação ao Benfica sobre a compra de dois bilhetes. Foi pedido a José Silva que desse uma vista de olhos no processo, tendo sido feita uma conulta.

Inquérito 872/16

A investigação era sobre alegados crimes de corrupção praticados por funcionários do Centro Distrital de Lisboa da Segurança Social, mas levou os investigadores a pedir informações bancárias ao Benfica. Na mesma tarde em que Paulo Gonçalves recebe o ofício da PJ dirigido a Luis Filipe Vieira é pedido a José Silva que obtenha informações sobre o inquérito em curso. Foram feitas no total 13 consultas.

Inquérito 2074/16

Foi uma investigação mediática. Em causa estava o caso Galpgate - pretendia apurar-se se titulares de cargos políticos teriam recebido vantagem ilícita por parte da Galp Energia, SA durante o Euro 2016. Este processo foi consultado quatro vezes.

Processo 15477/16

Trata-se de uma ação declarativa de condenação intentada por Maria de las Mercedes Peña y Moreno contra o jogador do Benfica Fejsa Ljubomir. Foi consultado uma vez.

Inquérito 198/17

É uma investigação aberta na sequência da intromissão em sistema interno do Instituto Português do Desporto e Juventude, nomeadamente informações sobre as claques do Benfica. Teve origem numa queixa do IPDJ contra desconhecidos e foi consultada por José Silva tr~es vezes.

Processo 2879/17

Trata-se de um processo administrativo que correu no Juízo do Trabalho do Barreiro. A Benfica SAD era ré num caso relativo ao reconhecimento da existência de um contrato de trabalho de uma trabalhadora. Foi consultado uma vez.

Inquérito 5242/17

Investigava-se neste processo um crime de corrupção em competição desportiva, segundo o MP, no âmbito de manipulação de jogos da Liga Ledman Pro (II Liga). Foi acedido uma vez por José Silva.

Inquérito 5340/17

Teve início numa denúncia anónima sobre um alegado esquema de corrupção na arbitragem para beneficiar o Benfica. Os denunciados eram Pedro Guerra, Adão Mendes e a Benfica SAD. Além da consulta do processo, foi impresso o histórico por José Silva, que o entregou a Paulo Gonçalves.

Inquérito 7161/17

Esta investigação acabou incorporada no inquérito 143/17 e foi iniciada com uma denúncia do Benfica contra Francisco Marques e Avenida dos Aliados – Sociedade de Comunicação S.A. por divulgação dos emails. Foi consultada quatro vezes.

Inquérito 8860/17

Trata-se de investigação que começou com uma denúncia anónima contra Bruno de Carvalho e que está em segredo de justiça. Segundo o MP, foi consultada duas vezes pela toupeira.

Inquérito 98/18

É outro caso mediático: as suspeitas de que Mário Centeno, ministro das Finanças, recebera bilhetes para assistir a um jogo do Benfica como contrapartida para influenciar a concessão da isenção de IMI a imóveis de sociedade dos filhos de Luis Filipe Vieira. Foi consultado uma vez.

Outros processos e acessos indevidos

Além destes foram feitas consultas com as credenciais da procuradora Ana Paula Vitorino a outros sete inquéritos da 9ª secção do DIAP de Lisboa, num total de outras 17 consultas. Com as credenciais da funcionária Florinda Gonçalves, José Silva consultou um outro inquérito que corria na 4ª secção do DIAP do Porto e aproveitou as credenciais de Maria Cristina Castro para fazer consultas na base de dados da Segurança Social.

Além de José Silva, Paulo Gonçalves contaria com a ajuda de Júlio Loureiro, também funcionário judicial. Ambos terão recebido contrapartidas para fornecer informações que beneficiavam o Benfica, permitindo antecipar inclusivamente diligências das autoridades.

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