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Ryanair Sindicato acusa governo de não agir perante "atropelos à lei"

Ryanair Sindicato acusa governo de não agir perante "atropelos à lei"

Sónia Peres Pinto 05/09/2018 18:05

Luciana Passo diz que tripulantes nem sempre recebem salários e são punidos por estarem doentes ou por não cumprirem objetivos de vendas.

A presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil não poupou críticas à falta de atuação do governo português no diz respeito ao caso Ryanair, acusando a companhia área de não respeitar a lei portuguesa, assim como o direito à greve e o Executivo de continuar de braços cruzados. “Falámos com o governo, mas não vi nada feito. Nunca vi os contratos da Ryanair com o governo nem sabemos em que moldes opera em Portugal e os benefícios que recebe. Porque é que o governo português deixa que os portugueses sejam tratados desta forma em Portugal?”, questionou  aos deputados onde esteve a ser ouvida, esta tarde, na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas por requerimento do Bloco de Esquerda. 

Luciana Passo apontou também o dedo às condições que são dadas aos tripulantes por parte da companhia de aviação low-cost. “É inaceitável que em 2018 não se tenha direito à parentalidade, é inaceitável que não se tenha direito a um salário mínimo nacional, é inaceitável que os trabalhadores sejam punidos por estarem doentes”, referiu. 

A solução, segundo a responsável, é criar condições de trabalho, implementar o direito de usufruto de licenças de parentalidade e acabar com os processos disciplinares com base nas baixas médicas ou nos objetivos inerentes às vendas de bordo. 

Recorde-se que, os tripulantes de cabine da Ryanair que aderiram à greve última europeia que decorreu em Portugal, Itália, Espanha e Bélgica – a 25 e 26 de julho – foram informados, via email, pela transportadora, de que não iriam auferir dos bónus salariais e de que o salário seria “devidamente ajustado”.

Perante esta paralisação, o CEO da empresa, Michael O’Leary ameaçou avançar com despedimentos e transferir trabalhadores para a Polónia caso as greves continuem e o negócio seja afetado. “Estamos preparados para cortar postos de trabalho em qualquer mercado caso necessário”, referiu. 

Bloco avança com protesto formal

A companhia de aviação também está indisponível para prestar qualquer informação aos deputados. Face a esta indisponibilidade, o Bloco de Esquerda (BE) apresentou um protesto formal no parlamento contra a companhia por recusar o pedido de audição da Comissão de Economia da Assembleia da República. “É um protesto sobre a forma como a empresa Ryanair tratou a casa da democracia de Portugal”, referiu o presidente do grupo parlamentar bloquista. 

“Nós já sabíamos que a Ryanair não respeitava a lei, que desrespeitava o direito dos seus trabalhadores, que tinha uma forma arrogante de estar na sociedade. Mas acreditamos que agora passou todos os limites negando a vinda à Assembleia da República a pedido de uma comissão parlamentar”, afirmou Pedro Filipe Soares.

Segundo o deputado, a Ryanair deveria, perante o parlamento português, “responder sobre os atropelos à lei, o desrespeito ao direito dos trabalhadores e à forma como lida com dinheiros públicos que também recebe”.

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