16/11/18
 
 
Carlos Zorrinho 05/09/2018
Carlos Zorrinho
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A UE e os Cavaleiros do Apocalipse

No mundo atual, os cavaleiros do Apocalipse trajam armaduras mais sofisticadas

No seu mais recente livro, lançado globalmente e também em Portugal no início deste mês, sobre o que considera serem os grandes desafios do presente (21 lições para o século XXI, Elsinore, 2018), o historiador e divulgador israelita Yuval Noah Harari chama a atenção para algo óbvio, mas que sublinhado por um “guru” que vendeu milhões de livros sobre a sua visão histórica do passado (Sapiens - História breve da humanidade, Elsinore, 2017) e do futuro (Homo Deus - História breve do amanhã, Elsinore, 2017) ganha mais visibilidade e notoriedade.

Na visão profética do Apóstolo S. João, os cavaleiros do Apocalipse que antecipam o fim dos tempos são a peste, guerra, a fome e a morte. No mundo atual, a doença, a guerra, a pobreza e a morte que de todas elas decorre, continuam a ameaçar a humanidade, mas os cavaleiros do apocalipse trajam agora armaduras mais sofisticadas, encapotando-se sob a ameaça de uma guerra nuclear, de alterações climáticas incontroladas e da disrupção tecnológica usada para servir uma elite mal-intencionada.

Como refere Hariri e como tenho referido múltiplas vezes neste espaço de opinião, estas ameaças são globais e transversais e não respeitam fronteiras, leis avulsas ou decisões parcelares.

Com o seu estilo e as suas escolhas o Presidente Donald Trump tem sido o grande agitador e o principal aliado da nova visão, transformando os cavaleiros adormecidos e dotando-os de uma nova roupagem. Ameaçou usar o seu arsenal nuclear, designadamente no conflito com a Coreia do Norte, desvinculou-se do Acordo de Paris e dos esforços globais para combater o aquecimento global e não hesitou em usar o acesso à manipulação de dados para aceder ao poder e para o consolidar. Na sua peugada, todos os poderes globais se reposicionaram, com as grandes potenciais regionais a procurarem ganhar vantagem no novo xadrez geopolítico.

Ao mesmo tempo que as ameaças são mais globais, os poderes capazes de as despoletar promovem, em simultâneo, agendas de fragmentação, apoiando os nacionalismos, fomentando os conflitos comerciais ou de outras índoles e procurando descredibilizar os projetos bem-sucedidos de parceria de que a União Europeia (UE) continua a ser o melhor exemplo. Como europeus e cidadãos da UE não podemos ignorar esta realidade.

O ex-conselheiro e chefe da estratégia de Donald Trump, Stephen Kevin Bannon, disponibilizou-se recentemente para federar as extremas-direitas europeias como parte de um plano para fazer implodir a UE. As notícias que vamos tendo, é que o seu apelo não terá tido o eco que esperava, mas fica o aviso e o sinal. O que não faltam por essa Europa fora são aprendizes de “Bannon”, alguns em altos postos de comando e nalguns casos eleitoralmente legitimados.

A UE tem que fazer das fraquezas forças e assumir uma agenda mobilizadora contra as ameaças globais. Uma agenda positiva e de convergência no plano interno e uma agenda positiva e ligada diretamente às comunidades no plano externo. Na história do mundo não há santos e vilões. Há alianças que contribuem para o bem-estar global e fechamentos que o podem destruir. A UE só faz sentido como uma plataforma de valores, ideais e práticas capazes de combater os novos cavaleiros do apocalipse.

Eurodeputado

 

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