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Novo ano letivo. Entre na nova fase a poupar

Novo ano letivo. Entre na nova fase a poupar

Sónia Peres Pinto 02/09/2018 11:22

Os portugueses estão a pensar gastar mais no arranque do novo ano letivo. Se em 2017 a ideia era despender 393 euros, este este ano perspetivam aumentar a fatura para quase 500 euros. Mas há sempre pequenos truques para minimizar o impacto no orçamento familiar

Mais contas para pagar. É desta forma que a maioria das famílias vê o início de mais um ano letivo. E, ao contrário do que aconteceu em 2017, a ideia é gastar ainda mais. Em média, os portugueses pensam despender cerca de 487 euros nas compras do regresso às aulas. Este valor representa um aumento de 22% face ao ano anterior, altura em que foram gastos 399 euros por aluno. A conclusão é de um estudo realizado pelo Cetelem, que lembra que esta “é uma altura em que a lista de compras cresce exponencialmente, entre livros, mochilas e cadernos e com isso, o gasto no orçamento familiar tem um natural incremento”. 

Mas para muitos encarregados de educação o total a gastar poderá ser muito superior aos 487 euros previstos pelo estudo. De acordo com o mesmo, 7% admite que o valor máximo para despesas relacionadas com a escola pode ultrapassar os 750 euros. Ainda assim, representa uma descida ligeira (2%) em relação ao ano passado. Já um terço dos inquiridos revela gastar até 500 euros. valor que também sofreu alterações desde 2017, quando reunia 25% das intenções. “Talvez com uma perspetiva mais realista, ou pela falta de planeamento, 35% dos pais com filhos em idade escolar ainda pensa quanto irá gastar”, alerta o estudo.

As principais despesas serão com material escolar essencial – como mochilas, cadernos e canetas – materiais para a prática desportiva e materiais de apoio didático. Mas vamos a números. O vestuário/calçado (69%), artigos de desporto (87%) e despesas com material escolar (98%) lideram as intenções de compra para o regresso às aulas. O estudo refere que “estas categorias registaram poucas variações em relação aos anos anteriores, o que confirma a sua relevância entre os diversos artigos a serem adquiridos”, recordando que, “em sentido inverso parecem estar as compras de artigos de informática/ computadores, pois não ultrapassam os 51% e 26%, respetivamente”.

A par destas despesas, os pais estão a pensar disponibilizar 16 euros semanais, ou seja, menos três euros face ao ano anterior, para os filhos gastarem em alimentação, papelaria e outros gastos escolares e também inferior em anos anteriores – em 2013 e 2014 fixou-se nos 18 e 17 euros, respetivamente.

“Um dado interessante reside no facto de, pela primeira vez, surgir a opção de livros fornecidos pela instituição de ensino (ou pelo Ministério da Educação), com cerca de 8% dos inquiridos a manifestar interesse nessa alternativa. Não deixamos, porém, de notar que esta iniciativa do governo a pensar nas famílias e na promoção da educação em Portugal parece ter ainda uma baixa adesão. É um caso que merece atenção, procurando, por um lado, perceber as razões que justificam estes números; e, por outro, acompanhando a evolução desta adesão nos próximos anos letivos”, lembra o documento.

Hipermercados

As grandes superfícies ainda não são os espaços exclusivamente eleitos pelos consumidores para fazer compras. Cerca de 81% pretende fazê-las nas papelarias, 88% nos hipermercados, mas há quem continue a preferir comprar pela internet (25%). 

A verdade é que recorrer à reutilização de material e de livros escolares, e não comprar tudo o que os filhos pedem, são alguns dos truques utilizados cada vez mais pelos consumidores para fazerem face a estes gastos, que vêm penalizar ainda mais o já de si asfixiado orçamento familiar. “Tento não deixar tudo para a última hora, aproveitar ao máximo o material do ano letivo anterior que ainda está bom e, acima de tudo, comprar ao gosto dos meus filhos, mas sem recorrer a modas, porque geralmente esse material é bem mais caro”, revela ao i Cristina Ribeiro. 

Este não é um caso isolado e a maioria dos portugueses está mais contida na hora de comprar. Aproveitar as promoções dos hipermercados, das livrarias ou até mesmo das editoras é outra forma encontrada pelos pais para conseguirem comprar tudo a preços mais acessíveis.

Recorrer aos sites na internet das editoras e dos livros pode fazer toda a diferença no momento de pagar. Estes livros são exatamente iguais aos que poderia comprar numa loja física, mas as cadeias oferecem uma percentagem de desconto pela encomenda online, bem como outras condições favoráveis, nomeadamente portes gratuitos ou vales de desconto para compras futuras. A escolha é variada: a Wook, a Porto Editora, o Continente (descontos em cartão tanto nos manuais como no material escolar), a Leya e a Bertrand oferecem descontos nas compras feitas online e as “promoções” poderão ser ainda maiores em determinados materiais, como dicionários, livros de preparação para os testes, etc. Mas os preços reduzidos não se ficam por aqui. Os hipermercados também estão a fazer promoções ao material escolar nas suas páginas da internet.
 
Crédito com menor peso

A compra a crédito é uma das formas encontradas pelas famílias portuguesas para fazerem face à sobrecarga para o orçamento familiar que representa o início de cada ano letivo. A tendência parece, no entanto, estar a perder peso. Em 2018, cerca de 65% dos inquiridos indicam não tencionar utilizar esta forma de pagamento, contra os 47% de 2017. 
A verdade é que os valores médios pagos através do cartão de crédito têm variado ao longo dos anos. 2016 foi o ano que registou o valor médio mais baixo (236 euros), mas no ano passado este valor subiu para 312 euros para voltar a descer, em 2018, para 307 euros. 

No entanto, essa escolha de recorrer ao crédito implica juros, tornando o material ainda mais caro do que realmente é. Apesar de os créditos rápidos prometerem como vantagens a celeridade, a comodidade e a menor burocracia, implicam sempre juros mais elevados, o que pode vir a complicar ainda mais a situação financeira da família. Mas para aqueles que não têm outra alternativa e estão a pensar em pedir um financiamento a curto prazo, a utilização do cartão de crédito ou o saldo a descoberto da conta-ordenado podem ser as melhores soluções.

Por outro lado, e tal como aconteceu em anos anteriores, há muitas famílias a optarem por usar os cartões de fidelidade para fazer compras, com muitos pais a admitirem que o vão fazer.

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