24/9/18
 
 
Vítor Rainho 31/08/2018
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Os talibãs da discriminação racial

Durante muitos anos fiz notícias chamadas “de polícia”, que davam conta dos problemas de segurança que afetavam o país. Recordo-me que algumas das preocupações das populações eram diferentes, hoje não se leem histórias sobre roubos de auto-rádios, por exemplo. Os relatórios feitos pelas forças policiais discriminavam os tipos de crimes cometidos, bem como quem os cometia. A partir de determinada altura, a feitura dos tais relatórios deixou de referir a nacionalidade dos assaltantes e agressores, tendo em conta a necessidade de não contribuir para a discriminação racial. O que me parece uma boa intenção mas que nada facilita o trabalho a quem tem de proteger a sociedade, já que não pode estudar o fenómeno em toda a sua extensão.

Os jornalistas também estão proibidos de falar em nacionalidades, embora a conversa seja tão parva como para os polícias. Como se pode contar a seguinte história sem falar em países? “Há anos que grupos de cidadãos romenos abandonam o seu país, indo de terra em terra onde montam o seu circo. Uns tratam de fazer de carteiristas, outros de pedintes, outros de assaltantes e algumas são obrigadas a prostituir-se. Quando são detidos, rapidamente são libertados”. Quer esta história dizer que todos os romenos fazem parte desse filme? Não, da mesma forma que quando se diz que um romeno é um grande jogador não significa que todos sejam craques.

Vem esta conversa a propósito do processo de contraordenação que a Comissão Para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial abriu contra António Santos Ribeiro, deputado municipal no Porto. “Ciganos romenos no Porto. Não, não sou racista nem xenófobo, mas sou declaradamente contra quem recusa qualquer tipo de ajuda social e prefere continuar a viver da mendicidade, do pequeno furto e a dormir em jardins e espaços públicos, conspurcando os terrenos que são de todos os cidadãos”, escreveu no Facebook. A dita comissão tem feito alguma coisa para resolver este problema? Tem, a tal contraordenação a Santos Ribeiro.
 

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