23/9/18
 
 
Carmen Guilherme 30/08/2018
Domingos Saraiva
online

carmen.guilherme@newsplex.pt

O papel das associações no desenvolvimento regional

A equidade territorial só é possível através da aposta no fornecimento orientado de infraestruturas e equipamentos, assim como da garantia do acesso global e justo aos serviços, por parte da população, devendo o seu provimento ser ajustado às reais necessidades de cada território

É do conhecimento geral que Portugal é um país profundamente desequilibrado, no que à igualdade territorial, económica e social respeita. Como num ciclo de acontecimentos repetitivo, o interior do país vê a sua economia deprimida e obsoleta, abandonado pela população jovem, que procura mais e melhores oportunidades na zona litoral, enfraquecendo assim a massa populacional ativa da região e, com ela, o seu potencial produtivo e económico.

Apesar de o tema do desenvolvimento regional do interior estar na ordem do dia dos poderes políticos, a verdade é que a inversão da situação atual, com a constante crescente despovoação destas zonas, é um processo demorado, complexo e que depende dos esforços conjuntos de diversas entidades, assim como de elevados investimentos financeiros.

A equidade territorial só é possível através da aposta no fornecimento orientado de infraestruturas e equipamentos, assim como da garantia do acesso global e justo aos serviços, por parte da população, devendo o seu provimento ser ajustado às reais necessidades de cada território.

Nesse sentido é imperativo que, nesta matéria, as políticas públicas assentem em pressupostos que dinamizem as economias locais, numa base sustentável, e que os recursos disponíveis possam ser utilizados habilmente. Para que as pessoas tenham interesse em ficar, as oportunidades têm de ser criadas e têm de ser atrativas – não apenas para elas, mas também para os investidores, através do garante de emprego qualificado, infraestruturas e serviços, e boas acessibilidades a estas zonas, que estão demograficamente reprimidas, mas cujo potencial de crescimento é enorme.

É o caso da região da Lezíria do Tejo e Médio Tejo, que abrange 24 municípios e uma população de cerca de 467.000 habitantes, onde, apesar de tudo, tem sido possível desacelerar a desertificação populacional, através dos louváveis esforços do poder local, que tem contribuído para a sua promoção junto de empresas e indústrias de elevado interesse para o desenvolvimento daquela região.

Contudo, existem barreiras que nem os mais empenhados ânimos conseguem transpor e são essas que urge desbloquear permanentemente. Falo da falta de investimento infraestrutural adequado, nomeadamente, e especificamente na região mencionada, no que aos acessos rodoviários diz respeito.

Não é possível querer atrair para a região investimento produtivo, com as suas óbvias consequências positivas no desenvolvimento, se o que há para oferecer são acessos difíceis e desadequados, principalmente para utilização de veículos pesados. Atualmente, a mobilidade é realizada essencialmente através de vias e caminhos municipais, que atravessam localidades, colocando em causa a qualidade de vida daquelas populações e a própria competitividade das empresas da região.

A AEPR – Associação Eco Parque do Relvão, sediada na Chamusca – cujos objetivos principais passam por reforçar o papel do Eco Parque como motor económico e de emprego naquela zona, promover o aumento e a diversidade de empresas instaladas e dinamizar a rede regional de simbioses industriais – tem assumido um papel fundamental na luta pela minimização dos constrangimentos provocados pela fraca acessibilidade àquele território.

A sua ação tem passado essencialmente pela chamada de atenção das mais altas instâncias políticas para a extrema importância do fecho do “processo IC3”, com a ligação da A23 à A13, uma vez que o troço em falta vai permitir aliviar em muito a pressão das vias municipais da região e facilitar consideravelmente os acessos aos municípios que a constituem.

É essencial apostar em investimento público, consciente e eficiente, que tenha em conta os recursos e investimentos infraestruturais outrora assumidos, por forma a valorizá-los e rentabilizá-los, na ótica da complementaridade.

 

Consultor

 

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