21/11/18
 
 
José Paulo do Carmo 24/08/2018
José Paulo do Carmo

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A vergonha das casas de banho

O parente pobre dos espaços públicos são as casas de banho. São muito poucos os espaços de restauração e entretenimento que se preocupam em apresentá-las com dignidade. Eu penso que a imagem devia começar precisamente por aí, mas, para isso acontecer, tinha de existir sensibilidade por parte dos proprietários e parece que ainda não será para já. E já vi de tudo. O que há mais por aí são sítios sem as mínimas condições. Isso acaba também por selecionar o tipo de pessoas que os frequentam. Pergunto-me se alguns dos donos se sentem confortáveis ao saberem que as mulheres e as filhas têm de se sujeitar a tamanha pocilga. 

Um exemplo flagrante é o Bar da Praia de Galapos, um dos mais publicitados ultimamente pelos guias turísticos. Como é possível um espaço que serve refeições e que recebe diariamente centenas de clientes não ter sequer uma casa de banho? A mais próxima (uma portátil) encontra-se já na estrada e dá vómitos só de olhar lá para dentro, quando a porta está aberta. Onde andarão as fiscalizações? Quem não se digna apresentar algo minimamente asseado acaba por revelar também o respeito que tem pelos que lá gastam dinheiro e isso é também um pouco sintomático da higiene (ou da falta dela) que grassa por aí. O conforto e a limpeza destas divisões também conquista e fideliza - e há quem, por vezes, se esqueça disso.

Mas o que não falta também por aí é o contrário: vândalos e porcos que não sabem respeitar minimamente as áreas comuns. Partem espelhos e lavatórios, azulejos e portas. O que houver para estragar. São pensos higiénicos a entupir sanitas, fezes no chão, urina no teto. Há para todos os gostos. Logicamente que, quando assim é, não há muito a fazer. Por uns acabam por pagar os outros, como se vê no caso do metro, onde as casas de banho estão fechadas há anos para evitar o vendaval de toxicodependentes e de pessoas com muito pouco civismo e urbanidade. Até cuecas e fraldas já apanhei nos urinóis. Às vezes, nem se trata de ter educação em casa - as pessoas têm uma apetência estranha para rebentar com o que não é delas só porque sim. 

Ainda há poucos dias, num jantar em casa de um amigo meu, calhou-me em sorte, das três vezes que fui à casa de banho, ser sempre a seguir à mesma pessoa: um homem de negócios relativamente jovem e muito bem-sucedido, fato caríssimo e relógio a condizer. Das três vezes, era urina espalhada pela tampa da retrete, que nem teve a preocupação de levantar, e umas salpicadelas no chão. Moral da história: por três vezes, lá tive eu de agarrar em papel e limpar aquela porcaria para que quem viesse a seguir a mim não pensasse que tinha sido eu a deixar aquele lindo serviço. Será que as pessoas fazem o mesmo em casa delas? É desleixo ou é mesmo falta de higiene? Não consigo perceber.

Isto parece uma conversa estúpida, vir para aqui falar de casas de banho, parece que não há nada mais interessante para escrever. O que é facto é que este problema incomoda muita gente e custa-me, sobretudo pelas mulheres, que muitas vezes não conseguem estar confortáveis num sítio apenas porque não conseguem estar tranquilas perante tamanha estrebaria. E são precisamente as casas de banho delas que, no fim da noite, acabam sempre em pior estado. É ver algumas meninas aí da praça cheias de cremes e perfumes não terem depois o mínimo de preocupação com o que fazem. É por isso que, depois, muitas pessoas se chateiam quando começam a conviver com outras frequentemente e percebem que o pó--de-arroz não passa mesmo de ilusão - porque, lá no fundo, aquilo não ia lá nem com lixívia.

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