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Iran Costa. “Feliz do artista que tem um Bicho na sua vida”

Iran Costa. “Feliz do artista que tem um Bicho na sua vida”

Mafalda Gomes Mariana Madrinha 21/08/2018 21:05

Iran Costa diz que já é mais português do que brasileiro: além da dupla nacionalidade, já vive há mais anos em Portugal do que os que passou no Brasil. Antes de se tornar cantor foi locutor de rádio, mas os palcos continuam a ser o seu lugar preferido. Na passagem de ano vai cantar numa festa na Altice Arena

Tem vestida uma t-shirt com um cravo branco, uma bandeira pequenina de Portugal e que diz “campeões da Europa”. Porquê?

É do meu sponsor: VIP é “very important Portuguese”. É uma marca de um português que vive em França, foi pensada para os emigrantes, o mercado português lá fora, que tem como cliente Cristiano Ronaldo e muita gente importante da bola. Eles vão lá a Paris. Há mais de dez anos que me patrocinam, e eles foram buscar esta cena portuguesa do cravo, as frases que têm a ver com Portugal - é aquela coisa, a gente está fora do nosso país, por isso quer qualquer coisa que lembre, que simbolize.

Porque acha que foi escolhido para mostrar a marca?

Garoto de propaganda. (risos)

Pergunto-lhe porque, ao fim ao cabo, é de nacionalidade brasileira. 

Acho que, ao fim ao cabo, já sou considerado um artista português. São muitos anos de trabalho já e, quando falam Iran Costa em qualquer parte do mundo, o pessoal lembra logo de Portugal e nem tanto do Brasil. E eles vieram a um espetáculo meu em Paris quando a marca estava começando e, a partir daí, a gente fez amizade. Queriam introduzir a marca em Portugal e, visto que eu era um dos artistas bastante requisitado para as televisões, tinha abertura em todo o lado, na imprensa e tudo, era uma forma de ajudar a divulgar a marca.

Já se sente tão português como brasileiro?

Acho que já sou mais português, já vivi mais tempo em Portugal do que no Brasil. 

Está cá há quantos anos?

Cheguei em 93, foi quando lancei o primeiro disco.

E tinha quantos anos nessa altura?

Ui! Eu não gosto de falar a minha idade porque eu não sou mentiroso - se eu falar estou mentindo, é que ela muda todos os anos. (risos) Estava na casa dos 20 quando cheguei. Agora, até já tenho a minha dupla nacionalidade, há mais de cinco anos. Já renovei agora.

Foi importante para si obter a dupla nacionalidade?

Foi, sim. Não fiz festa, mas senti que [Portugal] era já a minha casa mesmo, e também senti mais responsabilidade. Senti que por ter dupla nacionalidade tinha de pensar bastante no que ia dizer daí para a frente.

Pensou nisso, nos deveres?

Pensei, sim! No geral, para o povão, nunca vou deixar de ser brasileiro, mas acho que a gente tem de saber qual o lugar que a gente pisa, respeitar as tradições. Apesar de a gente falar a mesma língua, os costumes são completamente diferentes, então a gente passa por um processo muito grande de adaptação e, mesmo assim, eu tenho um grande cuidado com tudo isso. O respeito está acima de qualquer coisa, tanto aqui como lá. Quando vou ao Brasil sinto orgulho em contar um pouco do trabalho que faço aqui, como artista e como pessoa, da mesma forma que, quando estou aqui, gosto de falar bem do meu Brasil, que sofre com tantas confusões políticas e sociais. Mas eu gosto de mostrar sempre o lado bom, tanto lá como aqui.

A aceitação do seu trabalho cá foi sempre muito mais rápida e expansiva do que a do público brasileiro?

Quando vim para Portugal, aceitei o convite exatamente pelo facto de não ter de ficar numa longa fila de espera. Somos mais de 200 milhões de habitantes, é muita gente procurando o lugar ao sol. E eu pensei: vou agarrar essa oportunidade que está surgindo agora. Era um sonho, e então eu, se calhar, lá ia ficar muito tempo nessa fila de espera. Mas também sabia que não ia ser fácil cá, porque quando você sai do seu país deixa para trás a família, os amigos, a sua profissão - que eu trabalhava na rádio, para arriscar tudo assim noutro país, não é fácil. Graças a Deus que eu soube dividir as coisas, pôr tudo no sítio - e consegui.

Quem lhe fez o convite?

Trabalhava na rádio, como DJ, locutor, produtor, enfim, fazia tudo. E foram uns artistas lá no estúdio à procura de compositores para compor músicas para o álbum deles. Eu tinha vindo cá conhecer a rádio na Europa e, quando voltei, levei muita música, como tinha trazido muita música brasileira para cá. Trouxe muita coisa do Gilberto Gil, do Caetano Veloso, e por aí. E calhou os artistas irem ao estúdio procurar um pouco isso.

Qual era o nome do grupo?

Era Flores Assassinas, um grupo de rock--pop. Preparei a música, ficou uma coisa mais eletrónica, não era o estilo que eles queriam. E eu falei: “Tudo bem, não há problema.” Fui para o estúdio, caladinho, coloquei as vozes na minha música e, como era DJ, comecei a tocá-la nos bailes. E, de repente, as pessoas começaram a pedir nas rádios essa música.

E ninguém sabia que era o Iran que cantava?

Ninguém! Até que, um dia, o meu patrão da rádio me chamou e me disse que aquela era a música mais pedida da rádio. E eu disse que era minha, que era eu que cantava. E ele disse: “Mas vamos ter de tocar!” A partir daí, a música tocou na rádio e virou sucesso. Nessa mesma altura estava uma pessoa no Brasil, de férias, que trabalhava em rádio no Algarve - era um diretor -, que ouviu o meu programa de rádio, comprou a minha música, voltou para cá e me telefonou e disse: “Estive de férias aí, ouvi o seu disco e vi que era uma produção independente. Gostei muito do teu trabalho como locutor e queria fazer-te uma proposta para vires para Portugal e trazeres o teu trabalho para cá, visto que não tens contrato com a editora.” E eu: “‘Tou nessa, nem vou pensar muito não!” Cheguei, fui direto para a Vidisco. O contrato era de três anos - assinei, gravei o primeiro disco e foi assim.

Como se chamava esse primeiro disco?

“Penso em Ti”. Já tinha trazido alguns temas gravados do Brasil mas regravámo-los aqui, para melhorar a produção. Nesse primeiro disco, uma das músicas, “Vento Ventania”, tocou bastante nas rádios, que era o tema de uma novela. Foi um sucesso no verão em 93, mas ninguém sabia quem era Iran Costa e muito menos conhecia a minha imagem. 

Esse conhecimento vem só, então, em 95, com “O Bicho”.

Exato. Naquela altura não havia muitos programas de televisão com abertura para os artistas apresentarem o seu trabalho, e foi quando surgiu o “Big Show SIC” que isso aconteceu - coincidiu com o último disco do contrato e, por isso, ou seria um grande sucesso ou um grande fracasso. Se fosse fracasso, metia a viola no saco e voltava para o Brasil mas, como foi um sucesso, fiquei. E isso aconteceu porque decidi fazer o disco ao meu gosto. Falei: “Não, esse é o último, à terceira é de vez, e então vou colocar tudo o que eu gosto aqui, a música que gosto de ouvir e de dançar.” Tanto que os produtores e algumas pessoas achavam que a música eletrónica e de dança em português não ia funcionar. E foi o que foi.

Porque acha que “O Bicho” teve tanto sucesso, quais foram os ingredientes?

Foi a última música a ser produzida para o disco. Foi o meu empresário na altura, o Pedro Augusto, quem me apresentou à música e disse que, se fosse feita ao meu estilo, ia ser um megassucesso. Apresentei para os músicos, que disseram que se recusavam a fazer - era uma gravação ainda em cassete, um som muito ruim. Fomos para estúdio, fui dando as dicas para os arranjos e ,quando depois a apresentei para o meu empresário, ele ficou... Baixou um santo nele, o gajo ficou maluco e falou: “Isso vai ser no mínimo quatro platinas!” Depois trabalhámos essa música numa promoção nas rádios durante 30 dias e, quando apareci na televisão, no “Big Show”, com “O Bicho” já o país inteiro cantava a música, estava em todos os tops e ninguém conhecia a imagem do artista. Quando fomos para a televisão foi tudo de última hora, eu nem sabia que roupa usar. Mas tinha os artistas de que gostava dos anos 90, o Michael Jackson, por exemplo, e inspirei-me nele e naquelas coisas extravagantes para ir mostrar algo diferente, porque na rádio e nas entrevistas da apresentação do álbum as pessoas telefonavam e diziam assim: “Nossa, até que enfim uma coisa diferente do Brasil.” Antes só havia música romântica e, de repente, veio uma sonoridade dançante. Fui buscar os calções, bonés, óculos, tinha de ser assim. A primeira impressão é a que fica - e ficou! O pessoal adorou e conquistou principalmente as crianças, que adoravam “O Bicho” e a coreografia.

E o público mais adulto?

No início tinham vergonha de dançar, eram só as crianças, mas depois começaram a fazer também. A música é do Ricardo Chaves, era uma música conhecida no Carnaval. [No Brasil] não foi um megassucesso de vendas ou de execução, mas era uma música popular que todo o mundo cantava.

Deram uma roupagem nova, então. Quem criou a coreografia?

A parte do bicho já veio, já fazia parte da música, nós depois só criámos o restante da coreografia e foi o boom que foi.

“O Bicho” tem 23 anos e o Iran continua a ser conhecido por essa música. Isso aborrece-o? 

Não, porque é uma forma carinhosa do público. Feliz do artista que tem um “Bicho” na sua vida! O Michael Jackson teve “O Bicho” dele, que foi o Thriller, a Madonna teve o “Like a Virgin”. Enfim, os grandes nomes têm sempre um “Bicho” na sua vida. E ainda bem que foi no terceiro disco, às vezes demora muito. Há artistas que demoram dez, 20 anos a ter o seu grande sucesso. Há alguns também que já nascem com um sucesso. O meu demorou três anos, mas valeu a pena.

Continua a procurar outro “Bicho” na sua carreira, outro sucesso?

Não, porque na verdade, quando eu gravei essa música, eu não estava à procura de um “Bicho”, estava à procura de reconhecimento pelo trabalho que me propus fazer. Poderia ter sido uma outra música. Depois de “O Bicho” vieram outros sucessos, veio o “Pimpolho”, o “Requebra”, o “Segura o Tchan”, “A Dança do Trem”... São muitos sucessos, mais de 200 músicas gravadas, mais de 20 discos.

São 24, fui contar.

(risos) Sim, 24 de estúdio, depois há as coletâneas. É fantástico, isso. Nos shows de hoje vem muito público infantil e continuam a cantar o “Bicho”, e eu fico sempre: “Mas como, eles nem existiam!”

Continua a ser transversal às gerações.

Exato, e eu fico muito contente com os filhos porque os pais passam as coisas boas para os filhos, por isso é sinal de que eu sou uma coisa boa. (risos)

Nos anos 90, o Iran era o artista que toda a gente queria nas festas de verão. Pode descrever um bocadinho essa fase?

Quando a música explodiu - em seis meses foram seis discos de platina - foi uma loucura. E foi tudo muito de repente. A ficha só caiu no ano seguinte: quando comecei a tournée de verão tinha a agenda completamente cheia desde o ano anterior. Aquele ano do “Bicho”, aqueles seis meses, trabalhei muito nas discotecas em que se podia fumar, não havia show case como tem hoje, que a gente vai lá, canta três músicas e está feito. Antes cantava-se uma hora na discoteca. Eu chegava a fazer três, quatro shows por dia, às vezes às cinco da manhã ainda tinha de ir fazer um show! Às vezes já nem tinha voz e tinha de cantar porque o pessoal queria “O Bicho” de qualquer jeito. Se cantasse “O Bicho” dez vezes as pessoas repetiam, era a loucura, nunca vi nada igual.

Essa vaga de loucura durou quanto tempo?

Durou muito tempo. Logo no ano seguinte, a gente fez o “Segura o Tchan”, depois “O Pimpolho”, outra loucura. Nessa altura, eu já conhecia o meu público e sabia que uma fatia muito importante era o público infantil. Então, eu não podia fugir e tinha de fazer para as crianças e para os adultos, para poder tocar nas pistas de dança. Imagina o tamanho da responsabilidade, como é que eu ia juntar tudo aquilo e não deixar que aquela magia morresse. 

Continua a sentir a necessidade de fazer músicas que apelem ao público infantil ou já está noutra fase da sua vida?

No fundo, mesmo com as transformações por que passei ao longo desses anos, não perdi a identidade, porque a nível dos arranjos das músicas está lá sempre alguma coisa que as pessoas, aos primeiros acordes, falam “isso é Iran Costa”. Mas a imagem mudou bastante. Em 1999 assinei contrato com a Universal e decidimos fazer uma imagem mais latina, uma espécie de Ricky Martin brasileiro, pelo facto de dançar e cantar e deixar de lado os apetrechos todos. 

E funcionou?

Funcionou porque daí eu conquistei outro público. Aquele público que vinha d’“O Bicho” e que foi crescendo, e eu tinha de os acompanhar. Foi uma etapa muito boa, pela qual eu tenho muito carinho.

Depois teve alguns tempos de acalmia? Alguma vez sentiu que era mais difícil dar concertos ou nunca parou?

Às vezes, as pessoas chegam ao pé de mim e falam: “Eh pá, foi há 20 anos.” E fico a pensar comigo: “Nossa, já passaram tantos anos...” Eu não tenho aquela coisa de que foi há tantos anos porque nunca dei pausas muito longas na minha carreira. Sempre trabalhei, sempre gravei, sempre estive na ativa.

Quer continuar neste ramo ou vê-se, por exemplo, a voltar a fazer locução?

Há uns cinco anos fiz um programa chamado “Mais Brasil” que chegou a ser transmitido para mais de 500 rádios. Era um programa gravado em que eu levava informações de música, cultura, etc. Fiz durante uns três anos, mas depois parei porque o meu trabalho como artista consome o meu tempo todo e o pouco que me sobra quero passar com a minha família. O meu papai e a minha mamãe ainda são vivos, graças a Deus.

Vivem cá em Portugal?

Estão no Brasil.

Quantas vezes por ano vai lá?

Duas vezes, mais ou menos. Costumo dizer que a nossa agenda dura o ano todo, estes quatro meses de verão cá, mas depois temos a nossa tournée fora de Portugal. Mas no Brasil, não muito. A partir do grande êxito que eu tive, sempre tive contratos com editoras, então “O Bicho” sempre foi cobiçado por todo o mundo e me sinto orgulhoso e honrado de ser um dos artistas que ainda tem contrato. Todo o mundo quer o Iran Costa, e então fui ficando e quis dedicar-me à minha carreira em Portugal. Pensava: “Será que vou chegar ao 20.o disco?”. Era aquela coisa de ter uma carreira a sério. Era assim um sonho, uma meta que já consegui ultrapassar.

Porque quis ficar sempre em Portugal? Foi pelo carinho do público?

Foi por tudo, a minha vida mudou aqui. Para mim, que vim de uma infância muito pobre, do nordeste, no interior do Brasil [Porto Franco, estado do Maranhão]... O que eu tive dos meus pais, a minha herança, é a educação e o amor que recebi deles. Então eu tive de aprender tudo sozinho na minha vida e trabalhar desde pequeno. A partir dos 12 anos, eu já trabalhava, vendia jornais na rua. Sempre fui lutador e sempre quis conquistar mais e mais e mais. E depois do meu grande sucesso com “O Bicho”, eu vi todas essas possibilidades aqui. 

Lembra-se do momento mais caricato que viveu num concerto?

São muitos momentos! Por exemplo, na altura da febre de “O Bicho” eu fui um dos artistas mais requisitados pelas campanhas políticas, todo o mundo queria agarrar “O Bicho”, só que a gente decidiu não fazer nada em exclusivo com ninguém. Então a gente falava: “O partido do Iran Costa é o partido do bicho.” E por isso fizemos espetáculo para quase todas as campanhas, e houve um dia em que mais de 100 mil pessoas fizeram a coreografia. Primeiro fizemos o show à tarde na Avenida dos Aliados, com 50 mil pessoas, logo depois fui para a Feira de S. Mateus, em Viseu, com mais 50 mil, todos a dançar. E esse foi um dia marcante para mim.

Lembra-se de quem era a campanha?

No Porto era do PSD, tudo laranja, cheio de bandeirinhas; em Viseu foi um espetáculo normal, à noite. 

E quem era o candidato?

Já não me lembro. Sei que a cena da política, quando houve aquele boom, havia o PP com o Manuel Monteiro, e ele apareceu num comício, no telejornal, a dançar “O Bicho”. E a partir daí foi a loucura. Depois houve uma outra cena engraçada: vim fazer um show para eles (PP) aqui nas Docas, uma loucura de gente, e eu estava dançando com a bailarina e estava o candidato atrás no palco. E o câmara da televisão filmou as pernas da bailarina e lá ao fundo estava ele, todo assim de olho, e aquilo ia tudo para a televisão, era imediato.

Como era gerir esse sucesso? Passou do anonimato ao topo. Há aquela vertigem de subir lá acima e de tentar manter os pés no chão?

Antes d’“O Bicho” houve um momento muito duro para mim. Eis que um dia abro o jornal e vejo lá uma reportagem com o título “O lixo musical do Brasil”, que falava de várias músicas brasileiras que eram consumidas aqui na altura e, de repente, estava minha foto lá do disco. Dizia: “Iran Costa, esse não vamos comprar.” Foi duro e quase desisti. Eu só pensava “mas o que é que fiz para merecer isso”. Mas foi também nessa altura que comecei a fazer o último disco do contrato - e saiu “O Bicho”. Engraçado que, no ano seguinte, esse mesmo jornal me deu quatro páginas e o título era: “Michael Jackson brasileiro faz sucesso em Portugal”. (risos) Mas foi engraçado que o reconhecimento chegou de todos os lados e até a Igreja, na altura, falou disso, de como era possível um artista aparecer na televisão a fazer aqueles gestos obscenos e as crianças todas idolatrarem. Mas foi um momento de transição também, na política, no comportamento das pessoas, a televisão, que mudou também.

Os canais privados, aliás, estavam a começar. 

Exato. Foi um momento em que tudo era polémico - mas foi uma polémica boa. Tudo foi bom.

Hoje há coreografias e letras muito mais explícitas, nomeadamente no funk brasileiro. Como vê esta mudança?

As coisas vão andando, a internet ajudou a mudar os comportamentos das pessoas, as crianças têm acesso a tudo nos telemóveis Tudo chega muito rápido a todo o lado. O que era polémico na altura, hoje, já não é. É a evolução do ser humano, do planeta, e eu vou evoluindo e acompanhando isso. 

Mas o que acha desta abertura de mentalidades que tem presenciado ao longo dos anos?

Fico pensando: “Bom, se na altura d’‘O Bicho’ a coreografia era obscena, o que podia fazer hoje para ser polémico?” É que na altura era quase uma posição do Kamasutra. (risos) Já não há mais nada para fazer, agora é pela forma de comunicar e apresentar. Mas eu, como artista, tenho muito cuidado na forma de passar mensagem. Sempre usámos a sensualidade com muito cuidado. Afinal, sei que o meu público é muito variado e temos de respeitar essas pessoas todas. Mas no disco novo gravei uma música de funk que se chama “Senta Gostoso” e que tem todos os condimentos para ser polémica, mas o que está escrito na letra não deixa ir para esse lado.

Tem algum arrependimento?

Não. Faria tudo de novo, e tudo igual porque deu certo. Temos de seguir a receita do que deu certo. 

Vai estar esta passagem de ano aqui perto, na Altice Arena. Pode falar um bocadinho do espetáculo?

Pois é, eu sou os anos 90 em pessoa. Vou estar no “Love the 90’s Lisboa 2018”, com outras bandas como Ace of Base, Haddaway, e outras, e além de cantar também vou ser o apresentador do evento, vou colocar ali o meu lado de comunicador, de animador. Vai ser muito engraçado.

E agora no verão, por onde vai andar?

Na estrada! Todos os dias temos shows.

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