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Ciberataques. Hackers russos tentaram atacar Senado dos EUA
Brad Smith, presidente da Microsoft

Ciberataques. Hackers russos tentaram atacar Senado dos EUA

Brad Smith, presidente da Microsoft Jason Redmond/AFP António Rodrigues 21/08/2018 19:42

Microsoft denuncia que os hackers, relacionados com o governo da Rússia, estão a aumentar a atividade

Hackers ligados ao governo russo criaram seis falsos sites para mimetizar os do Senado dos Estados Unidos e de vários think tanks para convencer os utilizadores a partilharem dados de acesso para poder aceder a sistemas e ficheiros confidenciais, aquilo a que se costuma denominar de phishing. A Microsoft, que tomou o controlo dos sites na semana passada, denuncia o aumento da atividade dos hackers, agora que as eleições intercalares de novembro nos EUAse aproximam.
“Estamos preocupados que estas e outras tentativas representem ameaças à segurança de uma ampla gama de grupos ligados a ambos partidos políticos americanos antes das eleições de 2018”, escreveu o presidente da maior empresa de software, Brad Smith, no blog da empresa.
Segundo a informação divulgada por Brad Smith, os sites foram criados por grupos associado à agência de inteligência militar russa GRU, conhecidos como Strontium, Fancy Bear ou APT28. Esta é a 12ª ação do género levada a cabo pela Unidade de Crimes Digitais da Microsoft em dois anos, que levaram ao encerramento de 84 sites falsos associados com este grupo.
A Microsoft afirma não ter qualquer prova de que os hackers tenham conseguido ter acesso aos dados de algum utilizadores antes de ter conseguido controlar os sites falsos, anunciando o alargamento do seu Programa de Defesa da Democracia com o Microsoft AccountGuard que protegerá, sem custos, com as mais avançadas ferramentas  de cibersegurança todos os candidatos e sedes de campanha de todos os candidatos federais, estaduais e locais.
A Rússia já rejeitou qualquer ligação com a atividade dos hackers: “Não sabemos de que hackers estão a falar”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dimitry Peskov, citado pela Reuters. “De quem é que eles estão a falar realmente? Não percebemos que provas e bases têm para tirar este tipo de conclusões. Falta essa informação”, acrescentou.

Alvos importantes

De acordo com a Microsoft, além do Senado dos EUA, os hackers criaram sites iguais aos do International Republican Institute – onde o senador republicano John McCain tem assento no conselho de administração, tal como o antigo candidato presidencial republicano Mitt Romney – e do Hudson Institute, onde já decorreram palestras sobre cibersegurança e a ascensão mundial da cleptocracia, com a Rússia como exemplo.
Algo que três agentes dos serviços de inteligência norte-americanos disseram à Reuters não ser particularmente nada de novo. Os agentes, que pediram para não ser identificados, garantem que nem sequer são só os russos a tentá-lo, China e Irão tentaram fazer o mesmo com múltiplos grupos “de todo o espetro político, da extrema-esquerda à extrema-direita”. É uma atividade de espionagem perfeitamente normal nos dias de hoje.
No entanto, a novidade dos alvos, como escreve o “New York Times” está na escolha dos alvos. Aparentemente, os hackers estão interessados em think tanks conservadores que se afastaram do presidente Donald Trump e têm defendido sanções contra Moscovo, denunciando a atividade de oligarcas e violações de direitos humanos.
“A mudança para atacar think tanks conservadores demonstra os objetivos dos serviços de inteligência russos: perturbar quaisquer instituições que desafiem Moscovo e o presidente Vladimir V. Putin, da Rússia”, escrevem David E. Sanger e Sheera Frankel no referido jornal.
“Esta é mais uma demonstração de que os russos não estão realmente à procura de realizar ataques partidários, estão à procura de realizar ataques que concluam como sendo do seu próprio interesse pessoal”, referiu Eric Rosenbach, diretor do projeto Defending Digital Democracy na Universidade de Harvard, ao “NY Times” “Tem a ver com afetar e enfraquecer qualquer grupo que desafie a forma como a Rússia age domesticamente e em todo o mundo”, acrescentou.
Daniel Twining, presidente do International Republican Institute considera esta ação dos hackers russos como “consistente com a campanha de interferência que o Kremlin tem levado a cabo contra organizações que apoiam a democracia e os direitos humanos”. Para Twining, em comunicado publicado no site do instituto, “está claramente desenhada para instalar a confusão, o conflito e o medo entre aqueles que criticam o regime autoritário do senhor Putin”.
Depois das suspeitas de interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, a possibilidade de que a situação se volte a repetir nas intercalares de novembro é um tema que está a preocupar os norte-americanos e estas notícias não ajudam a descansar esses receios.

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