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Um país onde preservar a natureza se tornou juramento de lei

Um país onde preservar a natureza se tornou juramento de lei

DR António Rodrigues 20/08/2018 20:46

O país associado dos Estados Unidos depende do turismo, pesca e agricultura de subsistência

Metade dos habitantes de Palau vivem na maior cidade do arquipélago, Koror, capital do país até 2006, preterida então por Ngerulmud, na vizinha ilha de Babeldaob, a maior das 340 que compõem o pequeno arquipélago de 21 500 habitantes do Pacífico Ocidental, parte da cadeia das ilhas Carolinas da Micronésia.

Habitadas por migrantes das Filipinas há mais de três mil anos, as ilhas a que os jesuítas deram o nome de Encantadas foram anexadas pelos japoneses na Grande Guerra e passaram para o controlo dos EUA depois da ii Guerra Mundial, como parte do Protetorado das Ilhas do Pacífico da ONU. Quando quatro desses protetorados resolveram juntar-se e formar a Federação de Estados da Micronésia em 1979, Palau preferiu não alinhar, tornando-se independente a 1 de janeiro de 1981, embora com um acordo de livre associação com os EUA, assinado no ano a seguir e que lhe garante defesa, ajuda financeira e acesso a serviços sociais.

Membro do Fórum do Clima Vulnerável, passou a proteger 80% dos seus recursos aquíferos – o primeiro país do mundo a fazê-lo, tal como é o primeiro a assumir uma promessa ecológica, chamada Palau Pledge, que hoje está impressa nos cartões de identificação e nos passaportes de todos os cidadãos – por causa desse compromisso, qualquer visitante que entre no país vê o seu passaporte carimbado com este juramento, comprometendo-se assim, durante o tempo em que estiver nas ilhas, a agir com responsabilidade ecológica, em consideração pelas crianças e as futuras gerações de Palau. Desde que foi introduzido, em dezembro de 2017, já foi assinado por mais de 80 mil pessoas e ninguém se recusou a fazê-lo. E o modelo pode até vir a ser usado noutras regiões.

A preocupação com o meio ambiente é constante. A semana passada, o presidente, Tommy Remegasu, assinou uma ordem executiva a banir todos os plásticos de todos os departamentos e agências governamentais. Ao mesmo tempo, o governo vai passar a exigir às empresas que ofereçam aos seus clientes opções ambientalmente mais responsáveis, bem como instruir todos os visitantes estrangeiros sobre a melhor forma de preservar o ecossistema das ilhas.

“Mais e mais pessoas chegam de todo o mundo para ver o nosso paraíso intocado com os seus próprios olhos, não podemos renunciar à nossa responsabilidade por estas ilhas”, explicou o chefe de Estado. “Temos de cumprir o nosso dever, a cada oportunidade que se nos apresente, para educar os visitantes internacionais sobre como Palau conseguiu manter-se neste estado único e intocado durante tanto tempo e como podemos mantê-lo assim”, acrescentou.

Uma empresa norte-americana está atualmente a trabalhar com as autoridades palauanas para instalar painéis solares por todo o país de modo a fazer a transição para a energia solar, que será distribuída gratuitamente a todos os habitantes. A mudança permitirá ao governo deixar de produzir energia com recurso à aquisição de gasóleo no mercado internacional a preços muito altos.

 

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