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Paredes de Coura. Arcade Fire deram tudo o que tinham para um final perfeito

Paredes de Coura. Arcade Fire deram tudo o que tinham para um final perfeito

Hugo Lima Catarina Amado* 19/08/2018 12:43

Chegou ao fim mais uma edição do Vodafone Paredes de Coura. Arcade Fire foram a banda ideal para um final com uma cadência perfeita.

O último dia do Vodafone Paredes de Coura contou com a paixão de Myles Sanko. Numa atuação frenética, em sintonia com a sua extraordinária banda, o músico do Gana não parou durante um segundo. A atuação foi tão cativante que, a certo ponto, mesmo quem não sabia as letras já estava a murmurar músicas como ‘High on You’, ‘Forever Dreaming’ e ‘My Inspiration’. As palmas do público eram como um café expresso para Myles: quantas mais ouvia, mais acelerado ficava.

Depois veio Silva. O músico brasileiro que junta o melhor da música que por lá se faz, com uma pitada de eletrónica. O brasileiro chegou e encantou com a sua voz doce e jeitos de samba: parecia uma caminhada pelas praias do Ipanema, sem preocupações, alternanda entre as notas da guitarra e das teclas. Silva passou pelo seu mais recente álbum ‘Brasileiro’, com ‘Caju’ por exemplo, e o álbum de 2014 ‘Vista Pro Mar’, com ‘Janeiro’ e ‘Entardecer’. O músico pôs toda a gente sambar, sempre de sorriso na cara. Foi uma atuação memorável que acabou com ‘Fica Tudo bem’, música presente na ponta da língua de todos.

Após um passeio por Ipanema, de chinelo no pé, veio a vez dos Dead Combo, que convidaram Mark Lanegan – para o norte-americano, a habilidade de dedilhar as cordas de uma guitarra é tão normal quanto respirar. O mais desapontante foi a ‘aparição’ de Mark Lanegan ter surgido tão tarde - Para quem viu o nome no cartaz e ficou entusiasmado por ver o músico norte-americano a aparecer com um dos maiores nomes do rock português, foi uma atuação que soube a pouco. Mark Lanegan lá entoou ‘I Know, I alone’, música onde lê um poema de Fernando Pessoa, mas não foi o suficiente. Não havia faísca e era como ver o músico numa bolha aparte dos Dead Combo, durante apenas cerca de 10 minutos.

A atuação valeu mais pela banda portuguesa do que este convidado especial, o que se notou no público com músicas como ‘Lisboa Mulata’ e ‘Cuba 1970’, que mesmo não tendo letra levavam a que os festivaleiros soubessem o ritmo e lá o cantarolassem.

Mas isto não preparou ninguém para o que vinha a seguir. O melhor concerto desta edição foi o dos Arcade Fire, que afinaram todos os instrumentos para ter a certeza de que se chegava à perfeição, visto que já passavam cerca de dez minutos do suposto começo e ainda andavam ‘roadies’ a tratar de tudo de um lado para o outro. O tão esperado nome, que surgiu para substituir Bjork, trouxe milhares de pessoas a Paredes de Coura, esgotando este dia e levando muitos a comprar o passe geral só para poderem ver a banda, explicou ao i a organização.

Régine Chassague surgiu quase como uma estrela cadente, envergando uma vestimenta cintilante. A banda foi alvo de uma das maiores saudações que se viu nesta edição do Vodafone Paredes de Coura. ‘Everything Now’ abriu assim caminho para aquela que seria a atuação da noite, com Win Butler já a pingar de suor logo aí e sempre a dar tudo o que tinha. A banda já vem a Coura desde 2005: “este foi um dos primeiros palcos europeus que pisámos e, após o concerto que demos aqui, ficámos entusiasmados com aquilo que poderíamos viver pela Europa. Obrigada Portugal!”, disse Win Butler. Com boas doses de pop e indie rock, a banda teve vários pontos altos: um deles foi com a música ‘Reflektor’, altura em que Regine apareceu no meio da plateia para dançar e levar todos à loucura; em ‘Afterlife’, uma das músicas mais viradas para a eletrónica da banda, Win Butler decidiu intercalar o tema com a ‘All My Friends’ dos LCD Soundsystem.

Com ‘Wake Up’, música que fechou a edição, todos os que ali assistiam ao concerto puseram ao alto as lâmpadas, tão tipicamente conhecidas no ‘Couraíso’. Olhar para a plateia foi o suficiente para os Arcade Fire terem retribuído toda a luz, num final forte e impactante. Para quem viu a banda pela primeira vez, as expectativas foram sem dúvida excedidas.

Não foi um final com uma cadência interrompida – o festival chegou ao fim, sem que ficasse a faltar nada: fãs de todos os géneros saíram de ‘barriga cheia’, com concertos memoráveis das Pussy Riot, Jungle e Fugly, entre outros. Mas os Arcade Fire foram a banda ideal para construir uma cadência perfeita – a última nota pôr um ponto final claríssimo em mais uma edição irrepreensível do festival. Para o ano, todos voltam a rumar a Paredes de Coura nos dias 14, 15, 16 e 17 de agosto.

 

Editado por Joana Marques Alves

 

 

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