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Os Arcade Fire e as alternativas

Os Arcade Fire e as alternativas

DR Davide Pinheiro 15/08/2018 15:38

2005, ano da estreia dos Arcade Fire, está para o Vodafone Paredes de Coura como 1998 para o Sudoeste. Sim, os salvadores do rock voltam ao lugar onde se fez a festa de um funeral mas este é o festival em que, mais do que uma alternativa, há uma visão plural sobre o que é isso de estar à margem numa época em que o alternativo perdeu o contrato social de exclusividade com o rock 

King Gizzard & the Lizard Wizard

hoje, 23h15

A vida dos King Gizzard & the Lizard Wizard é uma maratona. O recorde do mundo de álbuns em 2017 pertence-lhes. Cinco (!), uma mão-cheia sem freio e sem discos menores. Seja lá o que os australianos põe na água, são imparáveis em quantidade e valor. Paredes de Coura é o sítio certo para uma das poucas bandas de rock verosímeis dos últimos anos. E apesar de virem da Austrália como os Tame Impala, sobrevoam outros planetas. Inserir espacial onde se lê psicadélico na testa de Kevin Parker.

 

Conan Osiris

Hoje, 02h15

A revelação de 2018 da música portuguesa já é protagonista de anúncios transmitidos em horário nobre na televisão e que ajudam a engordar a fortuna do YouTube. O que é  coerente quando se trata da publicidade a um serviço de Internet que se quer veloz. Em Conan Osiris, há o despojamento de António Variações sobre o kitsch de Omar Souleyman, mas há sobretudo alguém que marca pela diferença. Parece uma sátira mas é um caso sério.

 

Fleet Foxes

amanhã, 23h15

A banda (sonora) certa no lugar indicado. Paredes de Coura nunca foi estância de verão ou colónia balnear, apesar dos mergulhos no Taboão e é frequentemente nomeado por músicos e público (sobretudo o estrangeiro) pela floresta encantada em torno do recinto. As canções de outono dos Fleet Foxes não servem para pular mas são ótimas para ouvir na relva.

 

Jungle

amanhã, 00h45

Quatro singles depois, suspeita-se que o regresso dos Jungle não vá ter o efeito do álbum inaugural. “Heavy California”, “Happy Man”, “Cherry” e “House In L.A.” são réplicas do vício induzido por “Time”, “Busy Earnin’” e “The Heat” sem o mesmo impacto sísmico. Um rumor quase tão forte, como o de um concerto extasiante de uma dupla avessa a rótulos. Funk branco? Pouco importa a cor e a forma. 

 

Skepta

sexta, 00h45

O patrono da segunda geração do grime. Skepta é o rapper londrino favorito de gigantes americanos como Drake e A$ap Rocky, que o convidou para o single “Praise The Lord”, ponte transatlântica entre Londres e Nova Iorque que tanto podem encaixar em clubes de hip-hop como em festivais de rock. Prova do entusiasmo crescente e da mistura de públicos, Skepta foi chamado para substituir os absentistas Migos no Primavera Sound catalão. Há festivais que continuam nos Alice In Chains. O Vodafone Paredes de Coura soube evoluir.

 

Pussy Riot

sexta, 02h00

Musicalmente, o estímulo das Pussy Riot é muito relativo mas só o facto de o concerto acontecer já é um feito, uma vez que as russas estão proibidas de abandonar o país depois dos protestos recentes contra as autoridades russas e de terem invadido o relvado da final do Mundial em Moscovo. As Pussy Riot estiveram duas semanas encarceradas. Haverá dinamite melhor para uma banda anarco-punk reivindicativa da democracia?

 

Dead Combo com Mark Lanegan 

sábado, 23h15

Paredes de Coura foi dos primeiros festivais a não ter vergonha da música produzida em Portugal e em equipará-la aos nomes de maior cartaz quando consagrou os Ornatos Violeta em 2012 e pôs os Dead Combo a tocar antes. Este ano, os cowboys da cidade voltam e, além de uma banda de corpo inteiro, levam o rouco do fundo de garrafa de Mark Lanegal, convidado a ler Pessoa no novo “Odeon Hotel”.

 

Arcade Fire

sábado, 01h00

Escreveu-se tanto sobre os Arcade Fire nos últimos 13 anos que o melhor é voltar ao início da história de amor com Portugal. Em 2005, ano de ouro de um festival com Nick Cave & The Bad Seeds, Queens of the Stone Age, The Roots, !!!; Pixies, Foo Fighters e Kaiser Chiefs em tempo útil de vida, quem mais incendiou os ânimos foram uns canadianos em tempo de deslumbramento global despertado por “Funeral”, essa grande celebração...da vida. Em abril, foram espantosos em Lisboa.

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