14/11/18
 
 
Eduardo Oliveira e Silva 15/08/2018
Eduardo Oliveira E Silva

opiniao@newsplex.pt

O novo PREC, Processo de Resolução Em Curso

Logo que acontece qualquer coisa grave, aparecem notícias plantadas e garantias de que o assunto estava precisamente a ser tratado. Tudo falha, mas tudo estava referenciado e a ser tratado

O atual PREC não tem a ver com revolução. Pelo contrário está ligado a uma sistemática falta de capacidade de prever problemas e antecipar reformas, o que obriga a que haja muitas vezes recurso à mentira mais descarada para fingir que se está a fazer alguma coisa. Mais a mais quando se está a caminho de eleições e em pré-campanha, como atualmente. É uma forma de esconder a bandalheira em que o Estado se encontra, desde há anos e não só com a geringonça, nas suas diversas estruturas como o governo, o parlamento, as autarquias, os institutos, entidades reguladoras, hospitais, segurança social, justiça, polícias, forças armadas e algumas empresas dominantes.

Cada vez que se passa alguma coisa de anormal, aparece uma nota, uma notícia ou uma informação a dizer que o assunto está debaixo de olho, que está em preparação um plano ou medidas. Está sempre para sair uma lei, um projeto ou um decreto para resolver tudo. Quando não há mesmo hipótese de atirar areia para os olhos das pessoas através dos média, então, constitui-se um grupo de trabalho. Alternativamente produz-se atabalhoadamente, uma legislação genérica, que passa anos sem ser regulamentada, até que tudo se esqueça e fique na mesma.

Noticia-se que há crianças com problemas oncológicos tratadas em condições degradantes no hospital de S. João no Porto. Horas depois diz-se que o assunto está orçamentado, que a tutela foi informada e que as obras devem estar a começar, faltando só a aprovação das finanças. Meses mais tarde, nada!

Despejam-se inquilinos de dezenas de anos mesmo com rendas atualizadas, mas só se suspende uma lei para os defender, em vez de deixar que o tempo resolva e reequilibre as coisas, como sucede em qualquer tema de natureza social.

Quando há fogos e mortes, logo se promete cuidar dos vivos e reconstruir. Um ano depois está muitíssimo por fazer, há nota de abusos, de desaparecimento de dinheiros. Pior ainda, acontecem outros fogos gigantescos precisamente onde se temia que tal acontecesse, como é o caso de Monchique. Felizmente não houve vítimas, mas foi o maior incêndio da Europa. Vergonhoso!

Há um problema com o aeroporto que rebenta pelas costuras. Os estudos de impacto ambiental devem estar a aparecer, para depois se abrir concurso, o que levará para aí mais sete ou oito anos. O mais certo é o aeroporto estar pronto quando houver recessão no turismo. Os comboios não funcionam, as notícias multiplicam-se. Milagrosamente aparece um concurso de aquisição e o aluguer de composições aos espanhóis. Mas até que cheguem…

Na Santa Casa de Lisboa houve adoções suspeitas a favor da IURD, acompanhadas por gente da Segurança Social e magistrados displicentes. Prometeu-se averiguar. Até agora nada!

O BES rebenta nas barbas de tudo o que é suposto fiscalizá-lo, nomeadamente o Banco de Portugal. Passados tempos rebenta outro sensivelmente da mesma maneira (BANIF). Possivelmente alguns mais pequenos irão seguir-se porque acumulam prejuízos. Quando acontecer voltarão a anunciar-se medidas para evitar a repetição da repetição.

A Comporta é um paraíso pronto para ser vendido, massificado e destruído, apesar de não remediar nada no caso do BES/GES. É mais um negócio. Só faltava mesmo que o comprador fosse um testa de ferro qualquer do grupo que mandou nisto tudo. Um dos mandões tem, aliás, o desplante de se candidatar ao Sporting. Extraordinário!

No parlamento as comissões de inquérito sucedem-se para detetar as responsabilidades objetivas e políticas e prevenir o futuro. O facto é que “no passa nada” e não se tiram ilações para aplicar no terreno.

A REN é comandada por chineses que exploram uma rede paga pelos portugueses. A TAP serve os interesses de um americano. Os CTT querem é ser um banco e atrasam o correio. Os jornais morrem uns atrás dos outros. As televisões ocupam espaço público, mas não servem o público, limitando-se normalmente a copiar notícias da imprensa, colando-lhes imagens. Mas nada é feito pela tutela, os gestores e os fiscalizadores para alterar este estado de coisas.

O governo leva dois anos para legislar entre acontecimentos criminosos praticados por torcionários ditos seguranças privados. Isto enquanto os polícias municipais fazem gratificados e apoiam a EMEL, como se fossem serviçais. Quando finalmente há uma hipótese de lei contra abusos de violência, verifica-se que é pior a emenda que o soneto.

A esta hipocrisia permanente dos órgãos políticos e da administração, pode-se juntar uma procuradoria que muitas vezes investiga ninharias, mas não consegue levar a julgamento e condenar responsáveis por milhares de milhões de perdas infligidas a cidadãos e à economia do país.

Menos promessas eleitoralistas, menos demagogia, menos beijinhos, menos selfies, menos aparato mediático, mais estudo e antecipação dos problemas e mais escrutínio mediático é o que Portugal precisa e os portugueses merecem. Fazer tudo em cima do joelho em função da oportunidade e do oportunismo, tem de acabar, sob pena de um dia a população encher o saco, como quase aconteceu há dias em Monchique, perante mais uma sucessão de óbvias falhas. Alguma coisa tem mesmo de mudar e não é para que fique tudo na mesma.

Jornalista

 

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