20/9/18
 
 
José Cabrita Saraiva 15/08/2018
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Marine Le Pen e os intolerantes

Se os participantes na Web Summit querem gastar o seu tempo e o seu dinheiro para ouvir Le Pen, que o façam. Vivemos num país em que felizmente as pessoas ainda são livres de expressar a sua opinião e de gastar o seu tempo e o seu dinheiro da forma que bem entenderem

Por estes dias tem dado que falar o convite feito pela Web Summit à líder da Frente Nacional, Marine Le Pen. Se os democratas deste país não o impedirem, Le Pen será uma das oradoras do evento lisboeta, presumo que para falar da sua experiência como mentora de um movimento político e candidata à presidência francesa.

Sublinho: se os grandes democratas deste país não o impedirem, pois de imediato se levantaram várias vozes estridentes contra o convite. Como numa campanha bem orquestrada, a expressão “normalização do fascismo” saltou como uma mola, qual slogan repetido à saciedade. Aliás, as reações de João Galamba e de Ana Gomes no Twitter fizeram lembrar os diálogos de Dupond e Dupont nos livros de Tintim: “A gente não aceita. Normalização de fascistas já ultrapassa em muito o aceitável”, escreveu Galamba; “Não é tolerável. A WebSummit está numa de normalizar o fascismo?”, questionava Ana Gomes.

Não atribuo grande importância à Web Summit e por isso pouco me comove quem é ou quem deixa de ser convidado. Mas incomoda-me - e muito - a intolerância daqueles que se acham os donos da democracia e que acreditam que lhes cabe decidir quem pertence ao clube e quem tem de ser excluído, como uma espécie de pária.

Se os participantes na Web Summit querem gastar o seu tempo e o seu dinheiro para ouvir Le Pen, que o façam. Vivemos num país em que felizmente as pessoas ainda são livres de expressar a sua opinião e de gastar o seu tempo e o seu dinheiro da forma que bem entenderem. Mas parece ainda haver quem não conviva bem com a opinião alheia nem com essa liberdade de escolha.

Sinceramente, depois deste disparate já não estou muito certo de quem representa uma ameaça maior para a democracia: se Marine Le Pen, se as vozes dos intolerantes que querem impedir os outros de a ouvir.

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