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Itália. Queda de ponte pareceu o “apocalipse”

Itália. Queda de ponte pareceu o “apocalipse”

AFP Ricardo Cabral Fernandes 14/08/2018 21:48

É o maior desastre do género na Europa desde 2001 e já causou pelo menos 26 vítimas mortais 

O local do desastre assemelha--se ao de um terramoto devastador, mas é o resultado da queda de uma parte da Ponte de Morandi, em Génova, no nor-deste de Itália. As autoridades italianas anunciaram a morte de pelo menos 26 pessoas, entre as quais uma criança, e 15 pessoas feridas, cinco com gravidade. Dezenas de veículos que passavam pela ponte ficaram soterrados entre os destroços. Espera-se que o número de mortes venha a subir nos próximos dias por dezenas de pessoas ainda estarem desaparecidas. 

Ao início da tarde de ontem e com uma tempestade a assolar a zona, uma parte da ponte, inaugurada em 1967 e com 1182 metros de comprimento e 90 de altura, desabou subitamente, levando com ela mais de 30 carros e camiões. Muitos embateram na linha ferroviária que se situa por baixo da ponte; outros em prédios, ficando depois soterrados. 

Quem assistiu a tudo não encontra com facilidade palavras para descrever o que viu, mas apesar da dificuldade lá se encontra uma: apocalipse. “O cenário é de apocalipse, como se uma bomba tivesse atingido a ponte”, descreveu Matteo Pucciarelli, jornalista do “La Repubblica”. “Estão cerca de 200 socorristas a trabalhar sem parar. As pessoas estão em choque. Era uma artéria muito importante que ligava a Lombardia e o Piemonte à Ligúria.” E os relatos não param de surgir. Um deles é o de Alberto Lercari, motorista, que viu pessoas a correrem em direção a si, descalças e aterrorizadas. “Foi horrível”, contou ao “Corriere della Sera”. Ou o de Davide Ricci, que estava a passar perto da ponte quanto esta ruiu. “Os destroços aterraram a 20 metros do meu carro. O pilar central ruiu e, depois, tudo o resto foi abaixo”, contou ao jornal italiano “La Stampa”. 

A ponte é uma das principais artérias para quem viaja para a Riviera italiana ou para o sul de França - e se tudo tivesse acontecido em vésperas de fim de semana, o número de vítimas poderia ser muito maior, admite quem todos os dias passava pela estrutura. “Havia sempre imenso trânsito”, disse Matteo Pierami. 

Ao longo do dia de ontem, as centenas de elementos das equipas de socorro tentavam retirar pessoas dos escombros e encontrar desaparecidos. “Ainda estamos a tentar retirar sobreviventes dos escombros”, disse Alessandra Bucci, da polícia de Génova, à agência Reuters. “Esperamos encontrar mais sobreviventes”, acrescentou. As autoridades procederam ainda à evacuação de 11 edifícios nas proximidades da ponte, com 440 pessoas a serem deslocadas. Além dos trabalhos de socorro, o governo regional da Ligúria calcula que sejam necessários entre 10 e 15 dias de trabalho para limpar a zona de destroços. 

Durante a tarde, o número de mortos foi sendo atualizado, com as vítimas a chegarem aos 35 mortos. No entanto, o governo regional corrigiu as informações e garantiu que o número de vítimas mortais se encontrava em 26. 

A ressaca do desastre ainda nem tinha passado quando o ministro do Interior italiano e eurocético conhecido, Matteo Salvini, entrou pela política adentro, criticando a União Europeia por não deixar o governo italiano investir mais em infraestruturas. “Devemos questionar--nos se respeitar esses limites [orçamentais] é mais importante que a segurança dos cidadãos italianos”, afirmou Salvini. E depois pediu a cabeça dos responsáveis pelo colapso da ponte: “Uma tragédia como esta não é aceitável em 2018.” E o ministro italiano das Infraestruturas e Transportes, Danilo Toninelli, responsabilizou a empresa que fazia a manutenção da ponte pelo colapso, a Autostrade per l’Italia, do grupo Atlantia, controlado pela família Benetton.

A opinião contrasta com a do primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, que já no local da tragédia se limitou a dizer que “ainda é cedo para verificar as causas e responsabilidades”, alinhando com Salvini na defesa de que “tragédias assim não podem acontecer mais”. 

Todavia, um dos responsáveis da Proteção Civil italiana, Luigi d’Angelo, avançou que as informações de que as autoridades dispõem até ao momento não permitem o apuramento das causas do desastre, sendo, por agora, difícil responsabilizar alguém. 

O desastre de ontem foi tão mortífero que é preciso retroceder mais de uma década para se encontrar um com tamanha magnitude: a queda da ponte de Entre-os-Rios. Aconteceu a 5 de março de 2001 e matou pelo menos 70 pessoas, com vários veículos, entre os quais um autocarro de 50 lugares, a caírem no rio Douro. Ninguém sobreviveu ao desastre e, mais tarde, chegou-se à conclusão que a falta de manutenção da infraestrutura fora a principal causa para o desabamento. 

Para evitar mais desastres, o governo italiano anunciou que irá demolir a ponte inteira, ainda que tal decisão vá constranger o trânsito de Génova durante algum tempo. 

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