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Portugueses. Wolves tem maior representação lusa que cinco equipas da I Liga

Portugueses. Wolves tem maior representação lusa que cinco equipas da I Liga

DR Bruno Venâncio 14/08/2018 19:28

Influência de Jorge Mendes resultou em pleno em 2017/18 e a fórmula repete-se agora na Premier League. Para já, Rúben Neves valida-a a 100 por cento

A temporada 2018/19 vai marcar o ano 2 da “gerência” de Jorge Mendes no Wolverhampton Wanderers, um clube da região centro-oeste de Inglaterra que teve os seus tempos áureos na década de 50 (três títulos de campeão nacional) mas que anda há vários anos arredado do patamar maior do futebol inglês – apenas quatro presenças nos últimos 34 anos. Depois de uma época 2016/17 em que começou a apalpar o terreno, colocando Sílvio, João Teixeira, Hélder Costa, Ivan Cavaleiro e Ola John no vetusto conjunto do Molineux, o super-agente português alargou a sua influência na temporada seguinte: de uma assentada, chegaram ao Wolves Willy Boly, Roderick Miranda, Rúben Vinagre, Rúben Neves, Pedro Gonçalves, Diogo Jota e Rafa Mir – todos jogadores provenientes de clubes com relações privilegiadas com Mendes, como Rio Ave, Mónaco, Valência, Atlético de Madrid e FC Porto –, a que se juntou o treinador, Nuno Espírito Santo.

Tinha tudo para correr mal – são inúmeros os casos ao longo da história que o comprovam. Mas não correu. Muito pelo contrário: o Wolves dominou o Championship do início ao fim e terminou como campeão incontestado (nove pontos à frente do Cardiff), validando por completo a parceria com Jorge Mendes. Que, recorde-se, provocou grande polémica: muitos dos clubes adversários questionaram a ligação de Mendes com o Wolves, até porque a Fosun, o grupo empresarial que chinês que detém o clube, assumiu ter uma quota de participação na Gestifute, precisamente a empresa de Jorge Mendes. O que é proibido pelos regulamentos da Liga inglesa (FA), que por esse motivo abriu uma investigação ao clube. “Foi determinado que Jorge Mendes não desempenha nenhum papel no clube”, anunciou a FA em comunicado a 25 de abril, encerrando dessa forma as investigações e dando carta branca a Mendes para... desempenhar um papel no Wolves: o de “conselheiro e amigo do presidente” Jeff Shi, segundo a direção do clube.

 

mão-cheia a liderar na roménia E assim continuará a ser esta temporada, com o Wolves de regresso à Premier League. Pela intervenção direta de Jorge Mendes chegaram Rui Patrício, João Moutinho (ver infografia à direita), Jonny Castro e Raúl Jiménez, tendo ainda sido exercidas as opções de compra para assegurar em definitivo Boly, Jota e Vinagre. Ao todo, juntando também a contratação de Adama Traoré ao Middlesbrough por cerca de 20 milhões de euros, o Wolves terá gasto perto de 70 milhões neste mercado. Um valor impressionante para os padrões portugueses, mas relativamente banal para o louco mercado inglês – o clube do Molineux foi apenas o décimo mais gastador do mercado.

Com tamanha influência portuguesa nos lugares que decidem, era inevitável que os jogadores lusos se encontrassem em número considerável no Wolves. E assim é: serão oito em 2018/19 e já começaram a fazer-se notar: frente ao Everton de Marco Silva, na abertura da Premier League, Rúben Neves abriu o marcador com um golo monumental e ainda assistiu Raúl Jiménez para o 2-2 final. E a estes oito podem adicionar-se ainda João Caiado, Paulo Alves e Boubacar Hanne, jovens que alinham na equipa de sub-23 e que podem a qualquer momento ser chamados à formação principal.

Um número impressionante... e até superior a cinco!!! clubes da I Liga portuguesa: Marítimo e Nacional (sete), FC Porto (seis), Portimonense e Sporting (cinco, embora no caso dos leões ainda haja interrogações sobre o futuro de Luís Maximiano, jovem guarda-redes que será o terceiro do plantel principal caso Salin saia até ao fecho do mercado; se tal não acontecer, será relegado para a equipa de sub-23 ou emprestado).

A predominância lusa no Wolves não encontra paralelo no resto da Europa. Nos campeonatos de topo, só o Lille se aproxima: quatro (ver infografia à direita). Neste caso, nenhum deles está ligado a Jorge Mendes, ao contrário do que acontece com o conselheiro diretivo e coordenador do scouting do clube, o português Luís Campos – que já havia desempenhado a mesma função no Real Madrid e no Mónaco, dois clubes que mantêm relações privilegiadas... já nem é preciso dizer com quem, certo, caro leitor?

Também com quatro portugueses jogará esta temporada o Nottingham Forest, no segundo escalão inglês: a Tobias Figueiredo, que chegou a Inglaterra a meio da pretérita temporada, juntaram-se agora João Carvalho, Diogo Gonçalves (este por empréstimo do Benfica) e Gil Dias (cedido pela Fiorentina). Curiosamente (ou talvez não), os três últimos são representados... claro que sim: a resposta é Gestifute, a empresa de Jorge Mendes.

Percorrendo o resto da Europa, encontra-se ainda uma equipa com cinco portugueses nas suas fileiras: o Gaz Metan, que ocupa o terceiro lugar no campeonato da Roménia. Ricardo Batista, Nuno Lopes, Luís Aurélio, David Caiado e Carlos Fortes (este com o pecúlio invejável de três golos em quatro jogos), aos quais ainda podemos acrescentar o luso-cabo-verdiano Ely Fernandes. Uma verdadeira chapada de luva branca para muitos dos clubes nacionais...

WOLVES

Rui Patrício

A bomba do mercado para o clube recém-promovido à Premier League, que ainda negociou com o Sporting - os 18 milhões de euros oferecidos, todavia, não agradaram aos leões. Assim, o Wolves avançou para a contratação a custo zero. E Patrício é Mendes...

Rúben Vinagre

É agenciado por Jorge Pires, que tem ligações a Mendes. Trocou o Sporting pelo Mónaco aos 16 anos, foi campeão europeu de sub-17 em 2016 e assinou agora em definitivo a troco de oito milhões, após uma época cedido pelos monegascos.

Rúben Neves

Se Patrício foi a bomba neste verão, Rúben Neves fez esse papel há um ano. Desejado por Liverpool, Chelsea, Arsenal ou Man. United, escolheu o degrau abaixo e deu-se bem: foi dos melhores jogadores do campeonato e ganhou ainda mais mercado.

Pedro Gonçalves

O menos conhecido. Tem 20 anos, é médio e dividiu a formação entre Braga e Valência - mais dois clubes do “carrossel Mendes”, embora seja representado por... Jorge Pires. Chegou ao Wolves a época passada mas não se estreou ainda pela primeira equipa.

João Moutinho

Uma pechincha: bastaram 5,6 milhões de euros para tirar do Mónaco o terceiro jogador mais internacional da história por Portugal. Aos 31 anos, é garantia de experiência e maturidade num meio-campo onde predomina a juventude e irreverência. E é Mendes, claro.

Hélder Costa

Um dos primeiros negócios de Jorge Mendes com o Wolves. Sem espaço no Benfica, o extremo mudou-se para o Molineux a troco de 15 milhões de euros, após empréstimos ao Corunha e ao Mónaco - dois clubes com ligações privilegiadas ao super-agente. 

Diogo Jota

Passou como uma flecha pelo Atlético de Madrid e o empréstimo ao FC Porto não correu mal, convencendo Nuno a levá-lo consigo para o Championship. Foi dos melhores jogadores e marcadores e, por 14 milhões, já é do Wolves em definitivo.

Ivan Cavaleiro

Outro que já anda no “carrossel Mendes” há várias épocas. Do Benfica passou, por empréstimo, no Corunha e no Mónaco, por quem assinou depois a título definitivo. No início de 2016/17 chegou ao Wolves, que pagou oito milhões de euros aos franceses.

LILLE

José Fonte

Aos 34 anos, e depois de uma curta experiência na China, voltou ao primeiro plano europeu para conferir experiência e tranquilidade a uma defesa que muito sofreu na última temporada - terceira mais batida. Chegou a custo zero.

Edgar Ié

O passo de gigante que deu ao trocar o Sporting pelo Barcelona não teve continuidade em Villarreal, mas o Belenenses ajudou-o a renascer. Foi dos mais regulares do Lille na última temporada, onde até se estreou pela Seleção principal.

Xeka

Com 17 anos, mudou-se do Gondomar... para o Valência. Rapidamente voltou a Portugal, protagonizando meia época de 2016/17 muito interessante no Braga, que o catapultou para o Lille. De forma inesperada, não ficou no plantel na última época, mas desta parece ser de vez.

Rafael Leão

Seguiu o mesmo caminho de Rui Patrício, embora com destino final diferente. Não quis superar o sucedido na Academia de Alcochete, manteve a rescisão unilateral com o Sporting e assinou a custo zero pelo conjunto francês, onde pretende crescer e afirmar-se.

 

 

 

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